Letícia Ramos vence BESPhoto 2014

Nós sempre teremos marte

A série de trabalhos apresentados nesta exposição é uma homenagem a imaginação científica romântica, a ideia do futuro dos anos 50, aos inventores multiciplanares e aos descobridores de mundos distantes. O nome da exposição, título que encontrei em uma matéria de jornal, faz uma referência literal a  frase “Nos sempre teremos Paris ” do filme Casablanca e a chegada da Curiosity a Marte no ano passado. Este conjunto de obras apresenta-se como uma narrativa  de ficção – científica, um inventário de imagens que falam do cientista perdido no tempo e no espaço. A exposição, é composta de fotografias, produzidas a partir de processo de microfilmagem, assim como de um curta-metragem de 35mm VOSTOK. O filme, realizado  a partir de miniaturas, mostra a trajetória de um microsubmarino à deriva nas profundezes de um lago pré-histórico submerso no gelo Antártico.

 Letícia Ramos

O júri do prémio, com nacionalidade distinta das representadas pelos artistas selecionados, constituído por Elvira Dyangani Ose, curadora de arte internacional (patrocinada pelo Guaranty Trust Bank Plc) da Tate Modern de Londres; Luis Weinstein, fotógrafo e organizador do Festival Internacional de Fotografia de Valparaíso; e María Inés Rodríguez, diretora do CAPC, Musée d’Art Contemporain de Bordeaux, “Decidiu por unanimidade, a atribuição do prémio BES Photo 2014 a Letícia Ramos, pela série ‘Nós sempre teremos marte’, projeto revelador de uma trajetória consistente, centrado na investigação, e cujo processo de trabalho reflete uma coerência da linguagem fotográfica. É de destacar a perceção pelo incerto deste processo, que permite evocar outros imaginários possíveis. A sua obra transmite um compromisso constante do meio com as diversas possibilidades ficcionais e poéticas.”

Apesar da difícil decisão, o Júri realça “a extrema qualidade do trabalho desenvolvido por cada um dos outros participantes, Délio Jasse e José Pedro Cortes, e destaca a diversidade das propostas apresentadas.”

A exposição que reúne trabalhos inéditos de Délio Jasse (Angola), José Pedro Cortes (Portugal) e Letícia Ramos (Brasil) fica patente ao público, até 7 de setembro de 2014, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa.

Letícia Ramos (Santo Antônio da Patrulha, 1976)

Vive e trabalha em São Paulo. Cursou arquitetura e urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e cinema na Fundação Armando Álvares Penteado. O seu foco de investigação artística é a criação de aparatos fotográficos próprios para a captação e reconstrução do movimento e a sua apresentação em vídeo, instalação e fotografia. O seus trabalhos possuem um forte caráter processual e geralmente inserem-se no âmbito de projetos de investigação mais ampla. Em séries como ERBF, Escafandro, Bitácora e Vostok, desenvolve complexos romances geográficos que se desdobram e se formalizam em diferentes media. A artista recebeu prémios e bolsas importantes para a sua pesquisa e realização artísticas, entre eles, o Prémio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (2010), para o desenvolvimento do projeto Bitácora (2011-2012), com a publicação do livro de artista Cuaderno de Bitácora e a participação na residência expedicionária «The Arctic Circle» (2011). O trabalho fotográfico realizado durante a expedição foi distinguido com o Prémio Brasil Fotografia – Pesquisas Contemporâneas (2012). Em 2103, participou no programa «Encontros na Ilha» da 9.º Bienal do Mercosul. Neste mesmo ano, em residência no espaço PIVÔ (São Paulo), desenvolveu o projetoVostok, constituído por um filme de 35 mm, um livro, um website e um disco LP. Atualmente, está a desenvolver Microfilme, um projeto contemplado com a Bolsa de Fotografia 2013, do Instituto Moreira Salles e da Revista Zum.

+ info:

BESPhoto

Letícia Ramos

Museu Colecção Berardo

artigo sobre os nomeados BESPhoto 2014

Anúncios