BES Photo 2014

DÉLIO JASSE | JOSÉ PEDRO CORTES | LETÍCIA RAMOS

O Banco Espírito Santo e o Museu Coleção Berardo anunciaram, hoje, dia 28, o nome dos três artistas que irão participar na 10.ª edição do prémio BES Photo 2014.

A escolha de Délio Jasse, José Pedro Cortes e Letícia Ramos foi da responsabilidade de um júri de seleção representativo do triângulo geográfico referido, composto por Jacopo Crivelli Visconti (Brasil), crítico e curador independente; João Fernandes (Portugal), subdirector do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid; e Bisi Silva (Nigéria), fundadora e diretora do Centre for Contemporary Art, em Lagos, que analisaram o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio (2013).

Esta é a 4.ª edição marcada pelo estatuto internacional que o prémio assumiu, não só pelo alargamento do âmbito da seleção dos artistas (que poderão ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou de um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa); como pela itinerância da exposição (que, após a sua apresentação no Museu Coleção Berardo, viajará para o Brasil, para ser instalada no Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo).

A escolha destes artistas, na opinião do Júri:

Délio Jasse (Angola) prende-se com “a apresentação de três trabalhos distintos, mas inter-relacionados, que exploram as formas como o passado continuam a ter impacto no presente. Estes vestígios do passado manifestam-se de maneiras diferentes: através da história colonial, como na série Além_Mar (2013); através da transformação da paisagem urbana (especialmente numa cidade como Luanda, que cresce a um ritmo fenomenal, com a arquitetura dos anos de 1950 e 1970 a ser apagada por novos edifícios), como em Arquivo Urbano (2013); ou apenas através de imagens de indivíduos encontradas pelo mundo fora, em feiras de objetos usados, como em Contacto (2012). Com a utilização de imagens encontradas aleatoriamente e de imagens de arquivos, Délio Jasse faz o tempo confluir de uma forma que nos confronta com a nossa própria efemeridade“.

RetratoDÇlioJasseDélio Jasse nasceu em Luanda, em 1980, e vive e trabalha em Lisboa. Em 2009 foi o vencedor do rémio Anteciparte, tendo exposto o seu trabalho no Museu do Oriente, em Lisboa. Expõe regularmente desde 2008, destacando-se as exposições individuais «Schegen» (2010) e «Pontus» (2012), na Baginski, Galeria / Projectos, Lisboa; e as colectivas «Além Margens», Plataforma Revólver, Lisboa; Ghostbuster II (Haunted by Heroes), Savvy Contemporary, Berlim; Present Tense, Próximo Futuro, Fundação Caloste Gulbenkian, Lisboa e Opne Monument, Kunstraum Kreuzberg / Bethanien, Berlim, todas em 2013; Cem Obras / Dez Anos, Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, Lisboa; Exposição #15 – Paisagem Humana, BES Art & Finança, Lisboa, em 2012; a participação na Bienal de Bamako, no Mali em 2011, assim como a colectiva Input, no Museu Nacional de História Natural (SIEXPO), em Luanda, Angola.

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José Pedro Cortes (Portugal) “tem-se destacado com uma obra fotográfica que cruza o registo da vida urbana contemporânea com uma narrativa muito pessoal da intimidade e da anonímia na delimitação entre o espaço público e o privado, centrada na relação entre os lugares e as pessoas que os vivem. Costa, o projeto que apresentou no espaço Carpe Diem, em Lisboa, foi também selecionado para a European Exhibition Photo Award, apresentada em 2012 na Deichtorhallen, em Hamburgo.

Retrato JosePedroCortesJosé Pedro Cortes nasceu no Porto, em 1976. Frequentou o Ar.co e, em 2004 terminou o Master of Arts in Photography no Kent Institute of Art & Design (Reino Unido). Em 2006, após três anos a viver em Londres, regressou a Lisboa para fazer o Programa Gulbenkian de Criatividade e Criação Artística (fotografia). Expõe regularmente desde 2004, sendo de destacar as exposições individuais no Museu da Imagem de Braga («I will not reveal you», 2006), no Centro Português de Fotografia («Silence», 2006), na White Space Gallery, em Londres («José Pedro Cortes: Photography+Video», 2006), Módulo – Centro Difusor de Arte («Like an empty yard», 2008, e «Moi, un blanc», 2011) e Atualmente o seu trabalho está exposto no CAV – Centro de Artes Visuais («Smell of tiger and things still to come», 2013).Em 2011 participou no European Photo Exhibition Award (comissariado por Sérgio Mah), sendo um dos três artistas portugueses escolhidos para realizar um trabalho sobre o tema de «Identidade Europeia» – trabalho exposto em 2012 e 2013 nos museus Deichtorhallen Hamburg, Centre Gulbenkian Paris, Fondazione Monte di Lucca (Lucca) e Nobel Peace Center (Oslo). Em 2012 foi convidado para o projeto European Eyes on Japan, onde realizou um trabalho numa prefeitura Japonesa. Já publicou três livros, Silence (2006), Things here and things still to come (2011) e Costa (2013). É fundador e co-editor da editora Pierre Von Kleist, tendo já editado quinze livros de fotografia. O seu trabalho está representado nas coleções BES Art, Fundação PLMJ, e Coleção Nacional de Fotografia / Centro Português de Fotografia.

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Letícia Ramos (Brasil)revela um amadurecimento da sua prática artística, evidenciado pelas recentes exposições no espaço Pivô, em São Paulo, e no Museu do Trabalho de Porto Alegre. Para ambas, a artista construiu aparatos que mostram o processo de criação de imagens ao mesmo tempo simples e sofisticadas, sugerindo também uma reflexão sobre a evolução do meio fotográfico.”

Retrato_Let°ciaRamosLetícia Ramos (1976, Santo António da Patrulha, Rio do Sul, Brasil). Letícia Ramos vive e trabalha em São Paulo. O seu foco de investigação artística é a criação de dispositivos fotográficos próprios para a captação e reconstrução do movimento. O seu trabalho possui um forte caráter processual e de pesquisa. Em séries como ERBF, Escafandro, Bitacora e VOSTOK, investiga paisagens remotas com a atenção dos primeiros cientistas, realizando experimentos que se apresentam como pequenas narrativas visuais. Vencedora de importantes prémios de fotografia do Brasil, entre eles o prémio –Funarte Marc Ferrez de Fotografia, em 2011, do Prémio Brasil Fotografia – Pesquisas Contemporâneas, em 2012, e mais recentemente a Bolsa de Fotografia ZUM / Instituto Moreira Salles para o desenvolvimento do projeto Microfilme.

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O Banco Espírito Santo, o Museu Coleção Berardo e o Instituto Tomie Ohtake, juntam-se assim com o intuito de promover a criatividade e integração dos artistas plásticos contemporâneos de língua portuguesa no panorama internacional e construírem aquele que será o maior prémio de arte contemporânea do Atlântico Sul.

O critério de seleção dos artistas em questão requer que estes tenham efetuado uma exposição de obras de suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante o período anterior à data de reunião do júri de seleção.

À semelhança das edições anteriores, que marcaram a internacionalização do prémio, os artistas selecionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo, numa primeira exposição com inauguração prevista para maio de 2014, e que itinera até ao Instituto Tomie Ohtake, onde será apresentada em outubro de 2014.

Numa primeira fase, cada um dos artistas selecionados recebe uma bolsa para a produção de um projeto inédito, que será apresentado na exposição BES Photo. Num segundo momento, que corresponde à fase de premiação, um júri internacional, com nacionalidades distintas daquelas que são as dos artistas selecionados, elegerá o vencedor do prémio, com base nos projetos expostos no Museu Coleção Berardo. O valor do prémio é de 40.000 Euros.

O BES Photo foi lançado em 2004, com a missão de premiar artistas portugueses (ou residentes em Portugal) que durante no ano transato tivessem apresentado projetos fotográficos. A 7.ª edição do BES Photo, realizada em 2011, foi marcada pela internacionalização do prémio – um posicionamento resultante da evolução e da notoriedade que o prémio alcançou no contexto da fotografia no campo das artes visuais.

Esta iniciativa desenvolve-se com a realização de uma exposição que reúne os artistas selecionados por um júri internacional e culmina com a atribuição de um prémio monetário a um desses artistas, eleito por outro júri, igualmente internacional. Helena Almeida foi a vencedora da 1.ª edição, em 2004, José Luís Neto venceu em 2005, Daniel Blaufuks em 2006, Miguel Soares em 2007, Edgar Martins em 2008, Filipa César em 2009, Manuela Marques em 2011, Mauro Pinto em 2012, e Pedro Motta em 2013.

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Délio Jasse

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Instituto Tomie Ohtake

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