Miguel Branco: ‘Ar, Parte II’

@ Galeria Belo-Galsterer

Inaugura dia 29 – a segunda parte de uma exposição centrada nos temas da metamorfose e da transformação. 

Miguel Branco apresenta na Galeria Belo-Galsterer uma exposição em duas fases. Em ambas as partes são expostas imagens de borboletas em grande formato, construídas digitalmente a partir de uma base fotográfica. Estes corpos de insectos, manipulados em estádios sucessivos até se tornarem quase abstractos, são esvaziadas de qualquer naturalismo. O tema geral da metamorfose e transformação transforma-se em método de trabalho, num construtivismo onde vêm encontrar-se o artefacto arqueológico, o exemplar de museu de História Natural, a estilização da ficção científica, as formas da escultura clássica ou barroca. 

Na primeira parte, uma série de figuras em madeira povoava duas das salas da galeria. Monges, ascetas, mendigos, surgiam suspensos em plintos que isolavam cada figura na sua pose concentrada e imóvel, propagando uma atmosfera silenciosa e contemplativa. Mas essa aparência ‘religiosa’ surgia contaminada por uma espécie de teatro do absurdo, gerado pela sua própria encenação: as figuras ‘religiosas’ tornavam-se personagens de uma perecível e esvaziada condição humana, como se fossem actores numa peça de Beckett. Nesta segunda parte, surgem novas figuras de aparência religiosa: monges ou santos, desta vez feitos de bronze e a partir de formas ocas, parecem ter explodido e ficado suspensos. Estas figuras negras expostas numa das salas, surgem como se encenassem uma coreografia abstracta com o movimento das formas desfeitas e rasgadas dos seus corpos e vestes, como se fossem feitos de ‘ar’ e não de metal sólido, duro e cortante.

MiguelBranco_convite parte II

Nas outras salas, acompanhando as imagens das borboletas, surgem pequenos objectos, uns assemelham-se aos utilizados em rituais religiosos, outros mimetizam objectos de uso quotidiano, de produção industrial. Uma narrativa abstracta compõe-se em cada uma das mostras parciais, não como um resultado directo do estilo das peças – que varia e as percorre sem se fixar em dados formais exactos -, mas em função dos contrastes e alianças entre materiais, dimensões, escalas, posicionamentos, tipos de presença, cromatismos, etc. 

A saber: a apresentação do vídeo ‘Endgame’ de Mel O’Callaghan, continua até meados de Março, junto com a segunda parte de ‘Ar’ de Miguel Branco.

Link: artigo sobre a primeira parte da exposição

MB

(C) imagens: cortesia da Galeria Belo-Galsterer, 2013.

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