The Ghost . José Drummond

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista

@ Museu de Arte de Macau

23 de Janeiro > 28 de Fevereiro, 2013

A Guest + A Host (The Ghost)

Neste seu novo trabalho, The Ghost, JOSÉ DRUMMOND realiza uma vasta operação elegíaca, através de uma série de fotografias a preto e branco, que são parte de uma sequência em processo. No entanto, ao contrário de projetos anteriores, como a peça de vídeo de 60 minutos de duração The Painter (2005), que levantou questões precisas relacionadas com a estética (e, portanto, pertencentes, até certo ponto, à fenomenologia e também à ontologia), The Ghost evita qualquer dobra reflexiva evidente da arte sobre si mesma. (…)

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

Acima de tudo, The Ghost é um trabalho de intimidade e silêncio, onde os principais protagonistas são beleza e terror. Mas o silêncio é, naturalmente, a grande circunstância e contingência daqueles que exprimem o seu estado de terror; e a intimidade representa o território variável, mas altamente sensível, no qual a beleza pode ainda ser controlada. Neste sentido, estas imagens falam assustadoramente porque falam silenciosamente, ou seja, elas saltam a barreira da sua hesitante mudez para intencionalmente exercitarem o silêncio. Este modo, que entrelaça beleza e terror, é também intencionalmente agravado pelo facto que todas as figuras nas imagens aparecem sem caras (ou mostrando apenas parte da face, ainda que distorcida ou velada ou reflectida – mas sempre fragmentada).

A expressão grega para ‘aquele sem rosto’, ou para a ausência de face é aprosopos. O termo designa especificamente um monstro sem rosto, ou a monstruosidade da ausência de face, mas, curiosamente, tal poderia também ser provocado por uma ofuscação causada por uma deslumbrante beleza. (…)

A realidade de permanecer aprosopos é, portanto, um requisito em face de um contexto intencionalmente tornado inabitável. Dentro da máscara uma voz ressoa silenciosamente, e isto significa que para além de ser usada como protecção contra condições inóspitas a máscara é também usada porque cria um território, uma atmosfera. E constituir um território, como observou Gilles Deleuze em certa ocasião, é quase o nascimento da arte.

In ‘Apropos Aprosopos e Beleza como Aparição’, Rui Cascais Parada

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

JOSÉ DRUMMOND

(Lisboa, 1965) é um artista contemporâneo e curador português que, actualmente, vive e trabalha na China. É director do VAFA, festival de vídeo-arte em Macau. Estudou pintura, desenho e cenografia em Lisboa e frequentou o Atelier Livre do Professor Pedro Morais. Mais tarde, estudou Gestão de Artes. Os seus trabalhos não são definidos por média, estilo ou tema mas pela noção de processo. Algumas das estratégias que adopta no seu trabalho fazem sobressair o sentido sobre a estética. No entanto, é a condição de relacionar arte com ilusão o limite imposto. A dualidade entre visibilidade e invisibilidade, fantasia e realidade, experimentação e referência, a par de uma investigação específica dos materiais, dos seus limites e parâmetros, são aspectos intrínsecos da sua abordagem. Drummond concentra-se no caminho no qual uma prática ou uma acção podem alterar-se ou desenvolver-se numa obra de arte. Na sua mais recente série de trabalhos, luzes, sombras, reflexos, espelhos, voltas, círculos giratórios e desequilíbrio são frequentemente utilizados como método operacional em busca de sensações de dormência, vertigem, engano e sedução como fontes de prazer. Desde o final da década de 80, Drummond tem vindo a criar um conjunto de trabalhos que incluem fotografia, vídeo, pintura, desenho, instalação e objectos.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

A Guest + A Host (The Ghost)

@ Macao Arts Window – Macao Museum of Art

23.01.2013 > 28.02.2013

Photography works from the series “The Ghost” by José Drummond

In his new work, The Ghost, José Drummond carries out a vast elegiac operation through a series of black and white photographs that are part of an ongoing sequence. However, unlike previous projects, such as the 60-minute long video piece The Painter (2005), which raised precise questions related to aesthetics (and therefore pertaining, to some extent, to phenomenology and ontology as well), The Ghost shuns any overt reflexive folding of art unto itself.  (…)

Above all, The Ghost is a work of intimacy and silence, where the main protagonists are beauty and terror. But silence is, of course, the very circumstance and contingency of those who speak, their state of terror; and intimacy represents the variable, but highly sensitive range, at which beauty can still be dealt with. In this sense, these images speak terrifyingly because they speak silently, i.e. they jump the fence of their contingent muteness to intentionally exercise silence. This mode, that interweaves beauty and terror, is also intentionally aggravated by the fact that all the figures in the images appear without faces (or showing only part of the face, albeit distorted or veiled or reflected – but always fragmented). 

The Greek expression for the faceless, or for facelessness is aprosopos. The term specifically designates a faceless monster, or the monstrosity of facelessness, but, curiously, these could also be brought about precisely because of an obfuscation caused by dazzling beauty. (…)

The reality of remaining aprosopos is then a requirement in the face of a context made uninhabitable. Inside the mask a voice resounds silently, and this means that alongside being worn as a protection against inhospitable conditions, the mask is also worn because it creates a territory, an atmosphere. And constituting a territory, as Giles Deleuze once remarked, is nearly the birth of art.

In ‘Apropos Aprosopos and Beauty as Revenant’, Rui Cascais Parada

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

JOSÉ DRUMMOND

(Lisbon, 1965) is a Portuguese contemporary artist and curator, currently living and working in China. He is the director of VAFA, video art festival in Macau. He studied painting, drawing and stage set design in Lisbon where he also attended professor Pedro Morais’ Atelier Livre. Later on he studied arts management. His works are not so much defined by media, style, or theme as they are by process. Indeed, some of the strategies adopted by Drummond in his work stress meaning over aesthetics, with the condition of relating art and illusion as the self- imposed limit. The duality between visibility and invisibility, fantasy and reality, experimentation and reference, along with a specific investigation of the limits and parameters of materials are intrinsic to his approach. Drummond focuses on how a practice or action can be altered or developed into a work of art. In his latest series of works, lights, shadows, reflections, mirrors, turnings, spinning circles and disequilibrium are often used as an operational method in a search for sensations of numbness, vertigo, deception and seduction as sources of pleasure. Since the late 1980’s, José Drummond has created a body of work that includes photography, video, painting, drawing, installation and objects. 

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

José Drummond, da série The Ghost, 2012. © José Drummond. Cortesia do artista.

imagens: © José Drummond, cortesia do artista.

Links:

JOSÉ DRUMMOND

VAFA (Video Art For All)

Macau Museum of Art

 

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