Galeria Belo-Galsterer (Ar e Endgame)

Inaugurou um novo espaço expositivo em Lisboa, a galeria Belo-Galsterer, que apresenta, até 16 de Março de 2013, duas exposições: ‘Ar’ e ‘Endgame’. 

‘Ar’ é a substância que circula em torno das formas, que as liga, separa e percorre na sua imobilidade e no seu silêncio, espécie de sopro que confere forma e distingue presenças – ao mesmo tempo que a tudo confere o estatuto comum de abstracção.

GBG

Miguel Branco, Ar, em exposição na Galeria Belo-Galsterer. Cortesia do artista e da Galeria Belo-Galsterer.

A exposição ‘Ar’ de Miguel Branco dá continuidade ao seu trabalho anterior (‘Deserto’, apresentado no Pavilhão Branco, Lisboa, em Outubro de 2011 e na Galerie Jaeger-Bucher, Paris, em Janeiro de 2012), a exposição desenvolve-se numa estreita relação com o espaço da galeria, no qual uma a uma tomam o seu lugar peças tridimensionais (objectos e figuras) e bidimensionais (impressões digitais). Uma narrativa abstracta compõe-se em cada uma das mostras parciais, não como um resultado directo do estilo das peças – que varia e as percorre sem se fixar em dados formais exactos -, mas em função dos contrastes e alianças entre materiais, dimensões, escalas, posicionamentos, tipos de presença, cromatismos, etc. O tema geral da metamorfose e transformação (borboletas, ascetas, monges, objectos rituais, entre outros) transforma-se em método de trabalho, num construtivismo onde vêm encontrar-se o artefacto arqueológico, o exemplar de museu de História Natural, a estilização da ficção científica e da banda desenhada. 

Miguel Branco nasceu em Castelo Branco (1963), vive e trabalha em Lisboa. É professor no Ar.Co, onde é Director do Departamento de Pintura. Expõe regularmente desde 1988, tornando-se uma das figuras marcantes da cena artística portuguesa. O seu trabalho esteve presente em várias importantes exposições internacionais de arte portuguesa: ‘Triptico’ Europalia 91-Portugal, Museum Van Hedendaagse Kunst, Gent, ‘Situation Zero, Recent Portuguese Visual Arts, Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco e Portugal Agora, Portuguese Contemporary Art, Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo. É representado em França pela Galerie Jaeger-Bucher, e nos EUA pela Gallery Paule Anglim. Em Portugal, encontra-se representado nas grandes colecções nacionais: Fundação Calouste Gulbenkian, Colecção Caixa Geral de Depósitos, Fundação Carmona e Costa, FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Fundação EDP e Museu de Serralves. O seu trabalho também se encontra representado na Colecção do MUDAM, Luxemburgo.

Mel O'Callaghan, End Game, vídeo still, HD Video Flash Programmed, Colour with Sound, Time indefinite 16:9. Cortesia da artista e de Galeria Belo-Galsterer.

Mel O’Callaghan, End Game, vídeo still, HD Video Flash Programmed, Colour with Sound, Time indefinite 16:9. Cortesia da artista e de Galeria Belo-Galsterer.

Endgame, 2012, vídeo HD, 7 min de Mel O’Callaghan

‘Mythology is the necessary condition and first content of all art’.

O mito é algo que se diz, e a arte e o ritual são algo que se faz. No trabalho de Mel O’Callaghan o mito é um sintoma, o ritual é um gesto desse sintoma e através do processo artístico e criativo esse sintoma consegue ser confrontado e resolvido. Tanto o vídeo Endgame como a performance Parade, apresentam mito e ritual – como a arte, como articulação da condição humana, representada através de  repetições simbolicas e cíclicas.  Os rituais nas obras de Mel O’Callaghan são incompletos até que são executados, representando a performance como um ritual em acção. Ambas partilham a luta como elemento comum, tanto no conceito como na sua estrutura. O processo e os actores a lutar, não quer nem clarificar nem amenizar a  gravidade da condição humana. Os actores reconhecem a sua luta e aceitam a sua situação, como forma de confirmação e reconciliação. Em Endgame, os interpretes parecem estar presos num processo de acções-jogo, sendo que o objectivo da acção se mantem pouco claro e absurdo. No processo de reacção e relacionamento entre os actores, eles acabam por se tornar parte do lugar e criam um palco como ambiente. Usando tecnologias para desenvolver uma estructura interminável para a obra, Endgame não é apresentado do início até ao fim. Num certo sentido este trabalho luta consigo próprio, uma vez que nunca iremos ver o vídeo com a mesma sequência de imagens. Assim, Endgame é sempre inacabado, sempre um “work-in-progress”. 

Mel O’Callaghan nasceu em Sydney, Austrália (1975). Vive e trabalha em Paris. Licenciou-se em Artes Visuais (1998) e Arquitectura (2001) na Universidade de Sydney. Em 2011, recebeu o Mestrado de Investigação em Artes Visuais, no College of Fine Arts COFA, na Universidade de NSW, Sydney, Austrália. Expôs individualmente em alguns dos museus mais importantes da Australia, como The Art Gallery of New South Wales, Sydney (2002), e já foi representada por galerias australianas reconhecidas, como a Sherman Gallery e Grantpirrie. Em 2007, participou na Hamsterwheel exposição, comissariada por Franz West, no Centre d’Art Santa Monica CASM, Barcelona, Espanha, e no Printemps De Septembre, Les Jacobins, Toulouse, França. Irá expor em 2012 no ACCA, participando na exposição colectiva Desire Lines, comissariada por Juliana Engberg, directora do museu e recentemente nomeada Directora da Bienal de Sydney 2014. A artista recebeu o New Work Recipient Grant in Established Artist Category, do Australia Council For The Arts (2006), bem como foi finalista do National Sculpture Prize da National Gallery of Australia, Canberra (2005). Foi lhe atribuido duas vezes um Prémio Helen Lemprière, um em 2005 (National Sculpture Prize), e o outro em 2001 (Travelling Art Award).

Galeria Belo-Galsterer
Rua Castilho 71, RC, Esq
1250-068 Lisboa – Portugal
Tel: 213815891

 

(C) imagens cortesia dos artistas e da Galeria Belo-Galsterer.

citação: ‘Mythology is the necessary condition and first content of all art’.Schelling, F. W. J., The Philosophy of Art, trans. D. Stott 1804-5 p17

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