Artistas seleccionados: Novo Banco Photo 2015

O Novo Banco e o Museu Coleção Berardo anunciaram os três artistas selecionados para a edição de 2015 do Prémio NOVO BANCO Photo: Ângela Ferreira (Lisboa), Ayrson Heráclito (Salvador da Baía) e Edson Chagas (Luanda).

Os artistas apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo, numa exposição composta por obras inéditas, com inauguração agendada para o dia 17 de junho, sendo o vencedor conhecido durante o mês de setembro, em data a anunciar.

O critério de seleção dos artistas requer que estes tenham efetuado uma exposição de obras em suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante 2014.

A escolha destes artistas foi da responsabilidade de um júri de seleção representativo do triângulo geográfico referido, composto por Luís Silva (Lisboa), fundador e diretor da Kunsthalle Lissabon; Adriano Pedrosa (São Paulo), diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo; e Bisi Silva (Lagos), fundadora e diretora do Centre for Contemporary Art, em Lagos, que analisaram o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio (2014).

Ângela Ferreira

Ângela Ferreira foi nomeada pelo júri «pela sua exposição individual Indépendance Cha Cha, apresentada em 2014 na galeria Lumiar Cité em Lisboa. Esta exposição surge como uma continuação do projeto que a artista desenvolveu para a Bienal de Lubumbashi, justapondo uma forma escultórica reminiscente da arquitetura colonial do centro de Lubumbashi e dois vídeos. Um dos vídeos documenta uma performance, apresentada na bienal, que lida com narrativas de trabalho forçado nas minas daquela zona; o outro mostra a interpretação de Indépendance Cha Cha, um hino emblemático dos movimentos independentistas da África francófona na década de 1960.»

Ayrson Heráclito

Para o júri, Ayrson Heráclito na sua obra «investiga as ricas relações entre África e o Brasil, explorando as ligações políticas, sociais e culturais entre estes dois territórios, demonstrando um interesse especial na história da escravatura e nas religiões afro-brasileiras, de uma perspetiva privilegiada: Salvador, Bahia, a capital do Brasil africano, onde vive e trabalha. O vídeo e a fotografia são os principais suportes utilizados pelo artista, que também recorre a instalações e outros media. No ano passado, Ayrson Heráclito participou em várias exposições, onde apresentou trabalhos como Segredos Internos (1999-2009) em Do Valongo à Favela (Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro), Múltiplo II em Histórias Mestiças (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo) e o vídeo Barrueco (2004) em Memórias Inapagáveis (VideoBrasil, SESC Pompeia, São Paulo).»

Edson Chagas

Na opinião do júri, Edson Chagas, no seu trabalho, «usa o contexto urbano de cidades como Luanda, Londres ou Newport como cenário para criar um “arquivo” de objetos banais. O seu interesse centra-se em captar a forma como os objetos abandonados, dispersos pela cidade, oferecem um olhar sobre os hábitos de consumo de um determinado local. Ao fotografar estes objetos, por vezes movendo-os para criar a sua própria composição, o artista cria uma relação entre o objeto e o contexto, entre uma ideia e a realidade. Edson Chagas foi nomeado para o NOVO BANCO Photo 2015 pela exposição Luanda, Encyclopedic City, em representação de Angola na 55.ª Bienal de Veneza (2013), onde conquistou o Leão de Ouro pela melhor participação nacional, bem como pela sua exposição individual na galeria Belfast Exposed Photography (2014), onde apresentou a série em curso Found Not Taken

Pedro Lapa, presidente do Júri do prémio Novo Banco Photo e diretor artístico do Museu Coleção Berardo, salienta que “No curso das últimas edições do prémio foi possível constituir uma rede própria de conhecimento, circulação e premiação de artistas lusófonos. Todos os países envolvidos tiveram contacto com as práticas artísticas no domínio fotográfico dos seus parceiros, que muitas vezes desconheciam. O prémio tem sido, por isso, um relevante contributo para o aprofundamento desta rede lusófona, que importa salvaguardar num mundo cada vez mais globalizado, onde novas articulações se definem. A continuidade e perseverança destes processos é chave para a sua concretização efetiva. A renovada aposta por parte do Novo Banco é um motivo de louvor e grande satisfação para o Museu Coleção Berardo e para todos os que acreditam na sua pertinência.”

O Novo Banco mantém, desta forma, a sua aposta de mecenato cultural na área da fotografia, dando continuidade ao formato e ao valor pecuniário do prémio, bem como os pressupostos de internacionalização por via da seleção dos artistas, que podem ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.


+ info:

Novo Banco Photo

Museu Coleção Berardo


Ângela Ferreira nasceu em 1958 em Maputo, Moçambique. Concluiu os estudos de Artes Plásticas na África do Sul obtendo o grau de Mestre na Michaelis School of Fine Art, University of Cape Town. Atualmente vive e trabalha em Lisboa, ensina na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O trabalho de Ângela Ferreira desenvolve-se em torno do impacto do colonialismo e pós-colonialismo na sociedade contemporânea, estas investigações são guiadas por uma pesquisa profunda e pelo filtrar de ideias que conduzem a formas concisas, depuradas e evocativas. Representou Portugal na 52ª Biennale de Veneza em 2007, onde continuou as suas investigações sobre a forma como o modernismo Europeu se adaptou, ou não, às realidades do continente Africano, traçando a história da “Maison Tropicale” de Jean Prouvé.


Retrato de Ayrson HeráclitoAyrson Heráclito 

Macaúbas, 1968. Doutorando em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, Professor do Centro de Artes, Humanidades e Letras – CAHL da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB.  Artista Visual suas obras, transitam pela instalação, fotografia, audiovisual e performance, lidam com frequência com elementos da cultura afro-brasileira e já foram apresentadas em mostras nacionais e internacionais: Bienais,Salões, Exposições individuais, e festivais de arte eletrônicas, como a 3 Bienal do Mercosul (Porto Alegre)2001, MIP2 – Manifestação Internacional de Performance (Belo Horizonte) 2009, Trienal de Luanda 2010, Europalia Brasil (Bruxelas) 2011 e . possui obras em acervos no Museum der Weltkulturen Franfurt na Alemanha, no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Videobrasil e em diversas coleções particulares. Recentemente integrou a equipe de curadores-chefe da 3 Bienal da Bahia.


Retrato de Edson Chagas porEdson Chagas nasceu em 1977 em Luanda, Angola. Estudou fotografia em Newport na University of South Wales, London College of Communication, Etic em Lisboa, Portugal e no Centro comunitário de Arcena, Alverca, Portugal. É desde 2008 que Edson tem desenvolvido um trabalho mais introspectivo e fora dos padrões fotojornalísticos, tendo já exposto os seus trabalhos individualmente no Instituto Camões em Luanda,(2014); Belfast Exposed Photography, Irlanda do Norte (2014); A Palazzo Gallery, Brescia, Italia (2013) e no Memorial Agostinho Neto, Luanda, Angola(2013). Em 2013 Chagas foi o Artista representante do pavilhão de Angola na 55 Bienal de Veneza, participação que ganhou o Leão de Ouro como melhor pavilhão Nacional. Exposições de grupo notáveis inclui o Lagos Photo Festival, Nigéria (2014), Shifting Africa – What the future holds, Mediations Bienal Poznan, Polonia e Kunstalle Faust, Hannover, Alemanhã (2014); Journal, Institute of Contemporary Art, Londres (2014); No Fly Zone. Unlimited Mileage, Museu Colecção Berardo, Lisboa (2013); Transit, OCA, São Paulo, Brasil (2013); e na II Trienal de Luanda (2010). Recentemente tem uma exposição individual na Stevenson Gallery em Joanesburgo, Africa do Sul, até dia 6 de Fevereiro 2015. Edson Chagas vive e trabalha em Luanda.


(C) Retrato de Ângela Ferreira por Fernando Piçarra. Retrato de Edson Chagas por Duarte Lima Villas. Imagens cortesia Museu Coleção Berardo e Novo Banco Photo.
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