O Narrador Relutante

Práticas Narrativas na Arte Contemporânea

> 11 de Janeiro, 2015

Museu Coleção Berardo (Lisboa)

Curadoria: Ana Teixeira Pinto

Artistas: Julieta Aranda, Armando Andrade Tudela, Leonor Antunes, Kader Attia, Nina Beier, Derek Boshier, Aleksandra Domanović, Dani Gal, Karl Holmqvist, Christoph Keller, David Levine, Amalia Pica, Bojan Šarčević, John Smith, Hito Steyerl, Stephen Sutcliffe, Andreas Töpfer e Gernot Wieland. 

O fim do século XX assistiu a uma exposição de interesse pelas chamadas “práticas narrativas” que se estendeu por campos tão diversos, como a arte, a literatura ou as ciências cognitivas. Tendo como origem o estruturalismo e os estudos de linguagem, mas, mais precisamente o campo de pesquisa delineado por Tzvetan Todorov – dita “narratologia” – esta abordagem tem como base a noção de que a vida é, ela própria, constituída narrativamente, ou – como sugere o filósofo francês Jacques Rancière – que a realidade, para puder ser pensada, necessita de ser ficcionalizada. Nas artes plásticas, todos os elementos narrativos que tinham sido reprimidos na primeira metade do século XX, ressurgiram nas suas últimas décadas, conjuntamente com uma reavaliação da noção de realismo e de representação, e o pós-modernismo chegou a ser descrito como uma “viragem narrativa” (narrative turn), no qual um renovado interesse pelo fictício, anedótico ou biográfico faz erodir a unidade simbólica do modernismo. Mas como Susan Buck-Morss faz notar em The Dialectics of Seeing, os termos “modernismo” e “pós-modernismo” não designam apenas momentos cronológicos, eles também descrevem duas posições políticas: os pólos opostos num movimento recorrente representando as contradições inerentes ao modo de produção industrial, através, ora da identificação, ora da diferença entre forma artística e função social. Em vez de opor uma multitude de micro-histórias à grande narrativa do modernismo, O Narrador Relutante, propõe questionar a lógica que separa factos e ficção. O título da exposição faz alusão ao conceito de  “narrador não credível” usado em literatura ou cinema para descrever um tipo de narrador instável ou comprometido, mas justapõe essa figura à chamada “aporia da narração”: as histórias que mais necessitam de ser contadas são precisamente aquelas que pela complexidade da sua natureza são impossíveis de narrar. Agrupando um conjunto de obras que intersetam o pessoal e o histórico, o biográfico e o social, O Narrador Relutante, tenta esboçar os percursos de práticas narrativas através de vários media, bem como o carácter frágil e fragmentário de toda a narração.

Ana Teixeira Pinto | Curadora

+ info:

Museu Coleção Berardo

(C) Imagens e texto: cortesia Museu Coleção Berardo, 2014.

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