Irina Popova

“Uma faca nas mãos do destino”

Entrevista por Celina Brás

Irina Popova veio, pela primeira vez, a Portugal para apresentar o seu projecto “Another Family”, em exposição e em livro. 

Em 2008, com apenas vinte e dois anos, Irina recebeu uma proposta para fazer um projecto sobre sentimentos. Uma noite, enquanto caminhava pelas ruas de São Petersburgo, conheceu Lilya, uma rapariga punk toxicodependente que empurrava um carrinho de bebé com a filha lá dentro. Irina perguntou-lhe se podia tirar uma fotografia e acabaram no seu quarto, pequeno e desarrumado, num apartamento partilhado, onde o seu namorado e outras pessoas se encontravam a festejar há muitos dias. Uma menina de dois anos gatinhava pelo espaço. Irina ficou por ali bastante tempo, documentando a vida do casal e concentrando a sua atenção no mundo dessa menina. Tornou-se parte da vida deles. A história adquiriu contornos muito pessoais, como um diário. O projecto resultou numa exposição apresentada, em S. Petersburgo, e no dia seguinte à inauguração a publicação, com as imagens, tornou-se viral na Internet. Os pais da criança foi acusados de negligência infantil e iniciou-se uma investigação criminal. Irina recusou ser testemunha do caso.
Esta história levanta várias questões importantes. Para Irina a mais importante é saber se o fotógrafo deve apenas ser testemunha do que está a acontecer em frente à sua objectiva ou tem a obrigação moral de intervir e mudar a situação. Irina continuou a visitar a família e a assistir ao crescimento da criança. Dois anos mais tarde, a menina ainda estava a viver com o pai, enquanto a mãe tinha desaparecido das suas vidas. Esta história teve um grande impacto nela como fotógrafa e como pessoa. Actualmente, já não segue a família, deixa-os viver as suas vidas e ter a sua privacidade. Uma das lições mais importante que este projecto ensinou a Irina foi ter cuidado, muito cuidado com a intrusão na privacidade das pessoas.

A exposição, que estava prevista finalizar no próximo dia 20, foi prolongada e pode ser visitada na Pickpocket Gallery, em Lisboa, através de marcação: 916 836 155.

Li algures que Cortazár é um dos teus autores preferidos. É verdade?

Sim, absolutamente …

Vou, então, começar com uma citação dele: “A memória é um espelho que mente escandalosamente.”

A fotografia ajuda a dizer “a verdade”? 

É uma pergunta difícil. Temos de começar pelo conceito de verdade. O que é que é verdade? … Objecto da realidade … É sobre a nossa percepção da realidade e eu julgo que foi cometido um grande erro na história da fotografia, na altura do florescimento do documentário – este foi recebido como um relato verdadeiro, objectivo e absoluto dos acontecimentos, da realidade. Levou a uma espécie de impasse, pois o público está à espera que mostremos coisas objectivas e fica desiludido quando repara que não conseguimos ser objectivos, que pomos o nosso input pessoal naquilo que fotografamos. É apenas um conjunto de escolhas: as situações que escolhemos, o local, o momento em que tiramos a fotografia, o ângulo, etc. Não me parece que diga a verdade, pode estar mais próximo de narrar problemas … que fazem parte da grande realidade. Mas a realidade é extremamente complexa.

Um fragmento de tempo …

Sim, existe um conceito de tempo e de espaço, a fotografia capta uma pequena porção da realidade e mostra-a.

O que é que te motiva num projecto? 

É uma excelente questão, há muito tempo que pergunto, a mim própria, o que é que me motiva. Um aspecto importante é que vou ao encontro de realidades que não me são familiares, que não fazem parte da minha vida privada. Sair da minha zona de conforto e viver outra coisa, uma coisa diferente. Isso motiva-me bastante, é uma prática muito psicológica. Claro que as fotografias, o resultado final, apropriar-me delas é a motivação mais importante e ser capaz de utilizar essas fotografias para mostrar a minha visão sobre alguns problemas específicos. Não me consigo lembrar de nada visual antes de começar a fotografar (comecei muito nova, com 17 anos). Tinha uma experiência muito intensa de ter sonhos muito claros à noite, não desapareceram totalmente, mas, hoje em dia, tenho poucos. Lembro-me de, entre os 14 e os 17 anos e mesmo na infância, ter esses sonhos claros e intensos, as histórias eram muito interessantes e muito fortes, mais fortes do que a realidade. Para mim, as partes mais importantes da minha vida passavam-se à noite, durante o dia, parecia uma sonâmbula …. Cresci num ambiente muito simples, numa região pobre onde não havia cultura, num bairro com pessoas oriundas da classe trabalhadora. Não acontecia nada ali, por isso, a parte mais importante da minha vida passava-se nos meus sonhos. Quando começava a fotografar, aquilo que me motivava era o facto de ir atrás de fotografias que, de certo modo, me lembravam a magia que eu via à noite nos meus sonhos e os pedaços de realidade, que pareciam estranhos, exteriores a este mundo. Foi um ponto de partida que consigo analisar agora, mas na altura não tinha consciência disso.

Que tipo de respostas procuras encontrar no teu trabalho?

Primeiro tenho que pensar nas perguntas certas: o que significa ser humano? A realidade pode ser bastante complexa e variada. Eu não divido a realidade em preto e branco ou em negativo e positivo. Muitas vezes fotografo ambientes pesados e tento descobrir a beleza do seu mundo real, por isso procuro esse tipo de respostas: o que significa viver nessa realidade e como podemos transformar o mundo num sítio melhor.

No teu trabalho mostras pessoas que vivem à margem da sociedade. Também te consideras uma outsider?

Sinto-me completamente fora deste mundo. Não sei o que é a normalidade e considero-a a coisa mais mórbida que existe. Não entendo esse conceito, é uma construção muito artificial. Por isso, deixo-me levar pelo mundo dessas pessoas que a sociedade considera marginais. Tento apagar essa construção artificial, tento apagar as fronteiras, e prefiro construir pontes entre o que é considerado normal e o que é considerado anormal. Quando entro no mundo dessas pessoas, elas mostram-se sempre abertas, por isso estou plenamente consciente que elas não têm essas fronteiras de privacidade. Também não sinto que sejam inferiores ou, de modo algum, marginais. Gosto dessa liberdade e desse tipo de comunicação entre o que é normal e o que não é.

Tens receio que, ao expor essas pessoas, estejas a contribuir para uma maior discriminação contra elas?

Espero que não. A minha perspectiva, como já disse, é construir e apagar essas fronteiras artificiais. A maior motivação para fazer o livro “Another Family” foi em resposta à reacção das pessoas que ficaram muito zangadas e reagiram muito mal na Internet, a partir do momento em que viram aquelas fotografias. Aliás, a reacção dessas pessoas foi menos normal do que as pessoas que fotografo. A minha posição foi, também a de analisar essa realidade. E como foi gerada uma enorme discriminação, tive de colocar os comentários no livro. A maior parte das pessoas que comentou julga que é normal e que pode fazer juízos de valor sobre os outros, mas os seus comentários representam, de facto, mais agressão e são mais perigosos e perturbadores para a sociedade do que as pessoas que fotografo.

O título explica o que queres dizer: “Outra Família” não uma “Família Marginal”.

Sim, a ideia é mostrar que podem existir outros mundos. Temos que aceitar isso. O que é engraçado é que essas situações existem em toda a parte, todos os dias vemos coisas na rua que não são perfeitas e não reparamos nelas, passamos por elas, não reagimos a elas. E quando lancei a série de fotografias, as pessoas começaram a reagir. Porque é que não fazem o mesmo na vida real?

Porque é que achas que isso acontece?

Por ser através da fotografia. Todos os dias vemos ciganas com os seus bebés esfomeados e sujos ao colo, a pedirem dinheiro e ninguém faz nada, ninguém diz “vamos salvar esses bebés”. Mas assim que os vêem em forma de arte ou de um meio artificial, numa exposição ou na Internet, reagem. E é interessante ver como este medium (fotografia) funciona, criando este campo de atenção. Terminei o projecto. Já não sigo essa família, deixo-os viver as suas vidas e ter a sua privacidade. Estou cansada de falar sobre isso mas, provavelmente, vou ter de o fazer, ao longo da minha vida.

Gostaria só de saber o que é que aprendeste com isso, quais as lições mais importante que retiraste?

As lições mais importantes que aprendi. Em primeiro lugar, que devia deixar de fazer fotografia documental, pois a intrusão na vida privada de outras pessoas pode ser muito envolvente e não podemos controlar as reacções. Não esperava este tipo de reacção. É uma pequena história privada, existem pequenas histórias privadas em todo o lado, mas acontece que eu revelei uma delas. Percebi que as pessoas são muito vulneráveis e temos que ter cuidado. Podemos dar cabo da vida das pessoas. E isso não é nada bom. Existia o grande perigo de eu dar cabo destas vidas, mas talvez a minha influência tivesse sido melhor do que se pensa, deixaram de consumir drogas, por exemplo. Uma personagem de um livro, de um escritor russo, disse uma vez: “Eu sou como uma faca nas mãos do destino”, por isso não sei qual é o resultado do que estou a fazer, não o posso prever. Uma das lições foi ter cuidado, ter muito cuidado com esta intrusão na privacidade dos outros.

Outra lição que aprendi é que a privacidade é uma construção artificial e quando rejeitamos esse conceito de privacidade, vemos que não há motivo para sermos tão protectores ou ficarmos tão entusiasmados. Temos que aceitar a diferença e talvez a fotografia ajude a fazê-lo. Fotografei uma comunidade de lésbicas, na Rússia, e trouxe, também, bastante problemas, relativamente à sua privacidade, pois é proibido. Elas vão para o trabalho e têm a sua vida social sem que as pessoas percebam que têm outro tipo de orientação sexual. Este era, também, um mundo vulnerável, mas eu quis que as pessoas soubessem que as tinha fotografado como pessoas normais, que as aceito como são. Tentei provocar simpatia e compreensão. Criar um depoimento universal como um todo, não só sobre essas pessoas em particular – a fotografia documental conta histórias universais por meio de histórias particulares. Durante a apresentação do meu livro, aqui em Lisboa, alguém me perguntou se eu era capaz de revelar a minha vida privada como revelo a dessas pessoas nas minhas fotografias. “Sim, claro, estou totalmente aberta a fazê-lo”. Por isso, enquanto estive em Lisboa (durante 10 dias) deixei que dois fotógrafos locais, que participaram no workshop que fiz, entrassem na minha vida. Estou interessada em ver qual será o resultado, é um território experimental, tanto para mim como para eles.

Em que é que estás a trabalhar neste momento?

Tenho uma editora: Dostoiévski Publishing, especializada em fotografia, e estou a organizar a Dostoiévski Photography Society com um grupo de colaboradores. Publico os meus livros e os livros de outros autores. Vai ser editado agora um livro: Bijlmer – “Atlas of people and birds” – é sobre um subúrbio problemático em Amesterdão, utilizo os pássaros como metáfora para a imigração, é um projecto muito experimental. É como se fosse um jogo.

Um outro projecto é sobre imagens que encontrei: juntei 8.000 fotografias tiradas da Web, de 8.000 Irinas Popovas diferentes, pessoas com o mesmo nome que eu. Apropriei-me das imagens que elas puseram online e estou a fazer um livro que se chama “Incomplete Princess Book”.


O livro “Another Family” encontra-se, também, disponível na Pickpocket Gallery. A exposição termina no próximo dia 20.12.2014.


Irina Popova nasceu, em 1986, em Tver, na Rússia. Formou-se na Faculdade de Jornalismo da Universidade de Tver e, mais tarde, na Rodchenko Photography and Multimedia School em Moscovo. Trabalhou como fotógrafa para os semanários “Ogoniok” e “Russian Reporter”. As suas fotografias apareceram em inúmeras publicações como “The Guardian”, “New York Times”, “Sunday Times” e “Geo”. Participou em exposições coletivas e individuais em Paris (Biennale PhotoQuai), Berlim (Love Aids Sex Riot), Amsterdão (Pride Photo Award) e Madrid (Aranapoveda gallery). Foi curadora em numerosas exposições, incluindo “Foreign photographers about Russia”. Em 2011-2013 foi artista residente na Rijksakademie, Amsterdão e editou os livros de fotografia “Another Family” e “If You Have a Secret” (Dostoevsky Publishing). Actualmente, vive entre a Russia e a Holanda, trabalhando em projetos pessoais e livros.

English version

Another Familiy. This fascinating book tells the story of Irina Popova’s stay with a family of drug-users in St. Petersburg, Russia. The photostory – focusing on a small child living in shocking family circumstances – has provoked an explosion of criticism on the Internet, directed towards the parents as well as at the photographer. The book reveals the documentary evidence during the development of the story, including the previously unpublished photos from the archives of the photographer herself and the characters, the web pages of blogs with comments, the private letters and the diaries. It attempts to analyze the consequences of the photographer’s actions and the degree of responsibility of the photographer. The multivocal storytelling in the book forms the screenplay for a real-life drama. This is the first time this frequently discussed topic of the supposed responsibility of documentary photographers has been analyzed so consistently and comprehensively in book form. This book is therefore more than simply a documentary photo book depicting the deplorable situation of a drug-addict family – it is an essential document dealing with the question all documentary photographers may be confronted with at some time in their careers: can I continue working or should I stop and try to help solve the problem I am witness to?

“Like a knife in the hands of destiny”

I read somewhere that Cortázar is one of your favourite authors. Is that true?

Yes absolutely….

So, I’ll start with a quote from him: “Memory is a mirror that scandalously lies.” 1

Does photography helps to tell “the truth”? 

It’s a difficult question. We have to start from the concept of truth. What is true? …. object of reality … It’s about our perception of the reality and I think it was a big mistake in the history of photography, at the time of the blossom of documentary – it was received as absolute objective true report on the events, on the reality. Brought it to a kind of dead end because the public expects that you tell something objective and becomes disappointed when he notices you can not be objective, you bring your personal input in what you photograph. It’s just a set of choices: the situations you choose, the view, the moment you take a picture from what point, etc. I don’t think it tells the true, it can be closer to telling issues…. which are part of the big reality. But reality is so complex.

A fragment in time …

There is a concept of time and space, photography takes a small slice of reality and shows it.

What motivates you in a Project? 

It’s a really good question, I have been asking myself for a very long time what is this drive that makes me go and take the pictures. One strong point is to go to realities that are not familiar to me, which is not a part of my normal private life. It is a very important point, to step out of my confort zone and experience something else, something different. This motivates me a lot because, it’s a very psychological practice. Of course the pictures, the final result, to own them is the most important motivation. Being able to use these pictures to show your view of some particular issues. Before I started photographing (I started very young, I was 17) I cannot recall anything visual. I had a very intense practice of having at night very bright dreams: I don’t have them anymore, they didin’t vanish completely but I have few now. Between 14 and 17 and even in childhood I remember having these bright and intense dreams, the stories were very interesting, they were very strong, stronger than reality. For me the most important parts of my life were at night. During the day I was like a sleepwalker…. I grew up in a very simple environment , a poor disctrict where there was no culture, a working class neighborhood. There was nothing there, so the most important part of my life was in my dreams. When I started to photograph what motivated me was that I was chasing after the pictures that reminded me somehow the magic I saw at night in my dreams and the pieces of reality which seemed odd, outside this world. This was a starting point I can analyse it now, but before it was very subcouncious. I was not aware of this.

What kind of answers do you look for in your work?

I think that my work does not presuppose any answers. First I have to look for the right questions. What does it mean to be a human being? How complex and diverse reality can be. I don’t split reality in black & white or negative and positive. I often photograph hard environments and I try to find the beauty of their real world, so I’m looking for this kind of answers: What does it mean to live with this reality. How can we turn this world into a bettter place.

You show in your work people who live on the fringe of society. Do you also consider yourself an outsider?

I’m complete outside this world. I don’t know what normality is. I think normality is the sickest thing there is. I don’t understand the concept of normality, it’s a very artificial construction. So I let myself go in order to take me to the world of these people who are considered outsiders by society. I try to erase this artificial construction, I try to delete the borders, and I prefer to build bridges between what is considered normal and what is considered subnormal. Because I get in the world of these people and they are always opened to me so I am totally aware that they don’t have these borders of privacy or feel underrated. I also don’t feel them inferior or somehow outsiders. I enjoy this freedom and kind of communication between what is normal and what is not.

Are you afraid that by exposing these people you contribute to a higher discrimination against them?

I hope not. My perspective (as I said earlier) is to build bridges and delete these artificial borders. The main motivation to make the book ‘Another Family’ was because people were very angry and upset, they had a bad reaction in the Internet since the moment they saw these pictures. My point was also to analyse their reality. I think they are not normal as well, they are less normal than the people I photograph. It created this discrimination, that’s why I had to put these comments in the book. Because the comments actually represent more agression and are more dangerous and disruptive for society than to the people I photograph. There was a conflict, that’s why I needed to make the book. They think they are normal people and they can judge the others.

The title explains what you are saying: it’s ‘Another Family’ not an ‘Outsider family’.

Yes, the ideia is to show that other worlds can exist as well. We have to accept that. The funny thing is that these people exist everywhere, we see things that are not perfect everyday in the streets and we don’t notice them, we pass by, we don’t react to them. And when I released the photoseries, people started to react. Why don’t they do the same in the real world?

Why do you think that happens?

I think it’s because of the medium photography. We see everyday gypsies who carry their babies hungry and dirty, begging for money and nobody does anything, nobody says «let us save these babies». But as soon as they see it in a form of art or artificial medium, in an exhibition or in the Internet they would react. And it’s interesting to see how the medium works, it creates this field of attention. I closed the Project. I don’t follow up this family anymore, I let them live their lives and have their privacy. I’m tired of talking about it but probably I have to, during my life.

I just want to known what did you learn from it, the most important lessons?

The most important lessons I learned. First I thought I should stop with documentary photography because the intrusion into the private life of other people can be very distractive and we cannot control reactions. I didn’t expect this kind of reaction. It’s a small private story, there are small private stories everywhere, but it happened that I disclosed one of them. I felt that people are very vulnerable and you have to be very careful. You can mess up others people lives. And it’s not good at all. There was a big danger that I mess up their lives. But maybe my influence was better, because they stopped consuming drugs. A character in a book from a russian writer once said: “I’m like a knife in the hands of destiny” so I don’t know the result of what I’m doing, I can’ t predict it. My lesson was to pay attention, to be careful with this intrusion into the privacy of others.

Another lesson that I’m experiencing right now is that privacy is an artificial construction and when we reject this idea of privacy we see that there’s nothing to be so protective or excited about. We have to accept the difference. Maybe photography can help doing that. I photographed a lesbian community in Russia and it was also a big issue with their privacy because it is forbidden. They go to work and have their social lives and people don’t know that they have another type of sexual orientation. This was also a vulnerable world, but I wanted people to know I photographed them as normal people, I accept them as they are. I tried to cause sympathy and understanding. Create a universal statement as a whole, not only about these people in particular. Documentary photography always steps in this dangerous zone of trying to tell universal stories throught particular stories. During the presentation of my book here in Lisbon someone asked me if I was able to open my own private life like the people in my photographs. “Yes, of course I’m totally open”. So while I’m staying in Lisbon (for 10 days) I let two local photographers step into my life. They also participate in the workshop I’m doing this week. It’s interesting to see what the result will be. This is an experimental territory for me as well as for them.

What are you working on now?

I’m organizing a publishing company called Dostoiévski, specialized in photography, with a group of collaborators: Dostoiévski Photography Society. I publish my books and the books of others authors. There is one book that is coming out now: Bijlmer – “Atlas of people and birds” it’s about a problematic suburb in Amsterdam. I use birds as a methafor for immigration. This is a very experimental Project, I introduce map drawing, I use found objects. It’s like a game, a quest.

Another project is about found images, I collected 8.000 photos that I found in the web of 8.000 different Irinas Popovas, people with the same name as me, I appropriate the images they put online and I’m making a book called “Incomplete Princess Book”.


+ info:

Irina Popova


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