uma onda polifónica de elementos concretos que fluem pelo ar

13.12.2014

ARTES | Fundação Manuel António da Mota (Porto)

Uma proposta de João Laia

uma onda polifónica de elementos concretos que fluem pelo ar propõe uma série de encontros onde se explora o formato expositivo como situação performativa. Problematizando o papel central que o corpo tem na história da performance, o programa apresenta trabalhos onde a centralidade corporal do performer é fragmentada e transferida para elementos imateriais como o som, o texto, ou a imagem. O ambiente imersivo resultante do diálogo entre as obras cria uma rede de ecos entre o espaço de apresentação e os corpos do público, nos quais a materialidade fragmentada dos trabalhos regressa a um estado concreto criando um cenário poroso onde o representado e o real se confundem.

Artistas:

Meris Angioletti, Von Calhau!, Henning Lundkvist, Nuno da Luz,

Raimundas Malašauskas, Mattin, Jacopo Miliani, Shana Moulton, 

Laure Prouvost

Meris Angioletti

The Curious and the Talkers (2010) | Filme sonoro

Utilizando referências históricas como a arte abstracta, o cinema expandido da década de 1970, as ciências cognitivas, a psicologia e crenças esotéricas, o trabalho de Meris Angioletti investiga os mecanismos de percepção da memória e da psique. A combinação de projeção de luz, imagens, cores e difusão de som têm como objectivo encenar uma relação entre espaço físico e mental de forma a criar “visões interiores” para o espectador-visitante.

“Como pode o protocolo de visualização remota estar relacionado a um processo artístico e criativo? Perguntei isto mesmo a Ingo Swann e começamos a ter conversas semanais, que eu decidi não gravar. Resolvi recriar a conversa utilizando apenas a minha memória e, dessa forma, conjugar factos reais e ficções subjectivas: o exercício consiste em tentar lembrar tão bem quanto possível todos os detalhes das conversas. O trabalho final consiste de uma instalação de luz e som, onde dois atores interpretam o diálogo e um narrador sublinha o processo através de algumas frases retiradas dos estudes especulativos de Thomas Wilfred sobre luz e visão remota. A peça sonora é inspirada em programas de rádio de ficção-cientifica dos anos 40 e 50 (Orson Welles por exemplo) e é mostrada, em conjunto, com uma projeção de luz – um vídeo em branco.

Meris Angioletti nasceu em Bergamo, Itália, em 1977, e vive em Paris. Conclui o mestrado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e participa no programa para artistas da Fondazione Ratti com Marina Abramovic como professora convidada, da Accademia di Belle Arti di Carrara, Bergamo e a Università degli Studi di Milano. Em 2011, participa na Bienal de Veneza, em 2012 na Bienal de São Paulo e, no mesmo ano, é nomeada para o Future Generation Art Prize no Pinchuck Art Center em Kiev.

Von Calhau!

Javla (2014) | performance

Von Calhau! apresentam uma nova reconfiguração de Javla.

Von Calhau! Nasceu em 2006. É a designação do corpo de trabalho desenvolvido em comunhão por Marta Ângela e João Artur. Opera na zona intersticial (provavelmente inexistente) que separa ritmos vitais de fluxos coreografados. Edições seleccionadas: Quadrologia Pentacónica (Rafflesia, 2011); NN (Fundação de Serralves, 2011); Magneto Luminoso Condutor Sombra (Edição de Autor, 2013); Abismo Abutre (O Rato da Europa, 2013); A Côrte d´Urubu ( Circular, 2014).

Henning Lundkvist

Artist Talk 13.12.14 (2014) | performance

Henning Lundkvist usa, frequentemente, as suas performances como uma oportunidade de comentar, contextualizar e fornecer detalhes sobre a sua prática artística através da linguagem, muitas vezes dando a esses comentários realizados a mesma ou, às vezes, até mais atenção do que às obras que eles utilizam como ponto de partida. A partir de uma série de trabalhos seus, a performance “Artist Talk 13.12.14” funciona como um comentário falado sobre sua prática artística atual, desconstruindo logotipos e branding corporativo, enquanto exercita uma tentativa de expansão da escrita em geral.

Henning Lundkvist é um artista sueco que vive em Lisboa. “A desconstrução da linguagem e do som, a investigação da encenação expositiva e a crítica institucional são temas frequentes na sua prática”. Trabalha, frequentemente, com materiais encontrados e a sua prática estende-se por uma variedade de linguagens, onde texto e o som – muitas vezes em conjunto – são elementos recorrentes. Exposições recentes e performances incluem: Kunstraum (Londres), The Green Parrot (Barcelona), Moderna Museet (Malmö/Estocolmo), The Gutter/David Risley Gallery (Copenhaga), Lumiar Cité (Lisboa) e Lunds Konsthall (Lund). Em Setembro, uma versão em vinil do seu trabalho Orgelshtick foi editado por Drucksache.

Nuno da Luz

com Ressonância Assistida (2014) | performance

Para este evento, Nuno da Luz apresenta gravações de campo que, normalmente, servem de base a instalações sonoras e que serão reproduzidas com Ressonância Assistida por instrumentos de percussão e loops de feedback. Nas palavras da compositora já falecida Maryanne Amacher, “Tom do lugar, experienciado, ouvido através da pele, detectado por sensibilidades sem nome e impressão transportada pela pele, mesmo quando já não no lugar físico em si. Tom à nossa volta e connosco. ’Não gosto do teu tom,’ ‘gosto do teu tom,’ ‘gosto do tom deste lugar.’”

Nuno da Luz (Lisboa, 1984), artista e editor, o seu trabalho circunscreve tanto o auditivo como o visual, na forma de eventos sonoros, instalações e material impresso, na sua maioria distribuídos pelas editoras ATLAS Projectos e Palmario Recordings. Actualmente, frequenta o mestrado de experimentação em arte e política na universidade Sciences Po, Paris.

Mattin

Sem-titulo (2014)  | performance

Express yourself

(You’ve got to make him)

Express himself

Hey, hey, hey, hey

So if you want it right now, make him show you how

Express what he’s got, oh baby ready or not

Express yourself

(You’ve got to make him)

So you can respect yourself

Hey, hey

So if you want it right now, then make him show you how

Express what he’s got, oh baby ready or not

Mattin é um artista basco que trabalha com som e improvisação. O seu trabalho procura abordar as estruturas sociais e económicas da produção de música experimental, através de performances ao vivo, gravações e escrita. Questiona a natureza e os parâmetros da improvisação, principalmente no que se refere à relação entre a ideia de ” liberdade ” e a constante inovação que esta implica, tradicionalmente, e as convenções estabelecidas de improvisação como género. Considera improvisação não apenas como uma interação entre músicos e instrumentos, mas como uma situação que envolve todos os elementos que constituem um concerto, incluindo o público e o espaço social e arquitetónico, tentando expor a relação estereotipada entre performer ativo e audiência passiva, produzindo uma sensação de estranheza e alienação que perturba essa relação.

R. M.

“uma receita de um óptimo molho de pimenta que experimentei num restaurante de um amigo em Buenos Aires no mês passado. Ele faz cócegas.“

(2014) | texto e petisco

Raimundas Malasauskas nasceu em Vilnius (Lituânia), expõe pelo mundo e escreve ocasionalmente.

Jacopo Miliani

Dire e Detti (2013) | Projeção de Slide

26 fotografias mostram uma bailarina com uma máscara de papagaio que interpreta e encena o alfabeto-corporal ABECEDA criado pelo artista Karel Teige em 1926. Na apresentação de slides, as letras são ordenadas de forma a compor uma frase de Carmelo Bene: “Quando acreditamos que somos nós a falar, estamos a ser falados” ( no original: Quando crediamo di essere noi a dire, siamo detti”), na qual o escritor-actor-director italiano re-propõe a hipótese lacaniana de que o assunto enunciação é submetido às suas próprias declarações. O trabalho de Miliani concentra-se na forma como o visitante/espectador elabora imagens e na criação de diferentes formas de linguagem em resposta a essas imagens. Interessa-se pelo Teatro como pura teatralidade, como a presença de corpos livres da representação. Miliani analisa se a linguagem não-representacional pode ser produzida na relação com o espectador, com o objetivo de interagir com o espectador não só através do olhar, mas com todo o corpo.

Jacopo Miliani (1979) nasce em Florença e vive em Milão. Estuda no DAMS em Bologna e na Central Saint Martins College, em Londres. Em 2007, participa no Curso Superior para Artes Visuais da Fundação Ratti em Como, com Joan Jonas como professora convidada e, em 2009 e 2011, na Fundação para a Arte Spinola Banna em Turim, com Peter Friedle e The Otolith Group, respectivamante. Em 2009, é selecionado para o programa de residências da Platform Garanti, em Istambul. Apresentou os seus trabalhos em espaços como Museo MADRE (Nápoles), Villa Romana (Florença), Nomas Foundation (Roma), Careof (Milão), Barbican e Serpentine Gallery (Londres), Museo de la Ciencias (Valência), CAB Centre d’Art Bastille (Grenoble), Circulo de Belles Artes (Madrid), Galeria Vermelho (São Paulo), Komplot (Bruxelas). Em conjunto com outros artistas, curadores e cientistas é membro do colectivo OuUnPo (Ouvres d’Univers Potentiel).

Shana Moulton

Vê-me, Sente-me, Toca-me, Cura-me (2014) | performance e vídeo

Esta apresentação agrupa uma nova performance no interior de uma seleção de trabalhos recentes e mais antigos. O novo material foi desenvolvido durante a produção do vídeo Mindplace ThoughtStream (2014). As performances, vídeos e instalações multidimensionais de Moulton combinam ansiedade e sonho em associação ao desenvolvimento de medicinas alternativas. A histeria de aperfeiçoamento pessoal e auto-ajuda manifestam-se em animações de vídeo hipercoloridas que misturam a estética dos programas infantis e de teleshopping. O seu trabalho cria mundos no limiar do absurdo e da verosimilhança, híbridos de catarse e cliché, entre o material e o espiritual. Ao atribuir propriedades curativas a situações banais da vida quotidiana, os trabalhos de Moulton estimulam uma forte empatia que permite a essas narrativas continuar para além da experiência imediata das suas obras.

Shana Moulton cresce perto de Yosemite, na Califórnia, e obteve a sua licenciatura em Arte e Antropologia pela Universidade da Califórnia, Berkeley e seu MFA na Universidade Carnegie Mellon. Durante os últimos dez anos, Moulton tem vindo a produzir a série de vídeo-performance Whispering Pines, onde interpreta o papel de “Cynthia”, simultaneamente uma figura fictícia e um alter ego do artista. Moulton teve exposições individuais ou performances no New Museum, SFMOMA, MoMA PS1, Performa 2009, The Kitchen, Electronic Arts Intermix, Art in General, The Andy Warhol Museum, Palais de Tokyo, em Paris, Museu Migros, em Zurique, e o Times Museum, em Guangzhou. O seu trabalho foi incluído em textos publicados no Village Voice, Artforum, o Brooklyn Rail, o New York Times, Artnet Magazine, Frieze Magazine, Art Review, Artpress e Flash Art. É representada pela Electronic Arts Intermix e ART21 e ensina na Kunstakademie de Munique.

Laure Prouvost

Monologue (2009) | vídeo

Swallow (2013) | vídeo

Em Monologue Laure Prouvost parodia o seu próprio papel como realizadora e nosso como público, direccionando a nossa atenção para o próprio espaço de projeção. Vencedor do prémio principal no Oberhausen Short Film Festival em 2010. Inspirado pelos prazeres estéticos e sensuais de Itália e fazendo referência ao género da pintura panorâmica, Swallow mostra fragmentos de filmagens, incluindo aves e mulheres que tomam banho num ribeiro. Explorando a linguagem e as suas possíveis traduções, Prouvost brinca com a ideia histórica de viajar no Mediterrâneo em busca de inspiração. Uma comissão do Max Mara Art Prize for Women, em colaboração com a Galeria Whitechapel.

Laure Prouvost nasce em Croix-Lille, em França, em 1978. Estuda na Goldsmiths College e Central St Martins em Londres. De entre as suas exposições individuais descacam-se: Max Mara Art Prize for Women, Whitechapel Gallery, Londres, e Collezione Maramotti, Reggio Emilia (2013); Schwitters in Britain, Tate Britain, Londres (2013); Why Does Gregor Never Ring? Shut Your Lips, Somewhere Under That Bridge Lies the whole Truth (The Wanderer Sequence 5), MOTINTERNATIONAL, Londres (2012); e Frieze Projects, Frieze Art Fair, Londres (2011). Entre as diversas as exposicões colectivas descacam-se a 12a Bienal de Lyon, Meanwhile… Suddenly and Then, Lyon (2013); Soundworks, ICA, Londres (2012); Time Again, Sculpture Center, Nova Iorque (2011); e Flaca, Portikus, Frankfurt (2011). Em 2013 vence o Turner Prize no Reino Unido.

 

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