André Príncipe | Antena 2

21 de Novembro, 2014 – 7 de Fevereiro, 2015

Galeria Pedro Alfacinha (Lisboa)

A Galeria Pedro Alfacinha apresenta ‘Antena 2’, a primeira exposição individual de André Príncipe, em Lisboa, desde 2006.

Duas vezes tive uma experiência de quase-morte. As imagens dos últimos três anos a aparecerem do nada, reais, nítidas, todas ao mesmo tempo. A primeira vez, foi em 2012, enquanto vivia numa caravana e viajava pelas fronteiras do país, e depois, em 2013, numa cozinha no centro de Lisboa. Quando voltei a mim era de noite. Na rádio, da sua trincheira intemporal, a Antena 2 continuava a emitir para toda a galáxia.

André Príncipe


Antena 2 é uma selecção de fotografias que se vê unida por um estado de ânimo e uma postura, com uma afinação que configura (poeticamente &&&) parte dos últimos três anos de trabalho do André Príncipe. A visão aqui orquestrada é da estação de rádio pública como uma “trincheira”, onde, sem autismo e com um esquecimento parcial deliberado, podemos procurar progredir para fora dos confinamentos onde nos insistem em tentar colocar. Sejam estes no campo do idealismo (mais ou menos racional), ou de uma independência que nos surge já quase distorcida, por se assemelhar a alienação quando projectada nos olhos desconhecidos dos nossos concidadãos.

Nas suas próprias palavras é do Príncipe um modo de fotografar que é prática diária, disciplina, método. As pessoas, os bichos e os sítios vivem entre a fotografia-gesto que capta o divino de tudo quanto é livre e ele tem maneira de registar, e a inevitabilidade do que é mortal e ridículo (o mundo inteiro), de onde resulta o contraste necessário no
retrato da verdade das coisas, sem o qual nada existe em diálogo com os que cá estão vivos, e muito menos com a própria eternidade.

Antena 2 torna-se assim um sítio no tempo, onde se recusam as ordens invariavelmente condenadas ao fracasso, que tentam tirar-nos o que somos, a nossa realidade, a nossa vida, impossivelmente patética e gloriosa. Numa época, como quase todas as outras, em que quem quer fazer a sua coisa em felicidade tem que apanhar com tanta caralhada, fica crucial para a nossa sobrevivência defendermos com tudo o que temos o que realmente é; aquilo que é desbragado por inteiro, por natureza e pela iluminação. Antena 2 é em favor disso um punho erguido, onde habita uma canção infinita da Lisboa de hoje.

Pedro Gomes


Ler aqui crítica à exposição por José Marmeleira, entrevista e crítica ao filme “Campo de Flamingos sem Flamingos” para a revista Contemporânea.


No dia de inauguração da exposição, dia 20, estreia o último filme de André Príncipe, “Campo de Flamingos sem Flamingos”, às 19h, no Cinema Ideal, em Lisboa. O filme fica em exibição até ao dia 26 de novembro, diariamente, às 19h30m e de 27 de novembro a 3 de dezembro às 14:15h.

Celebra-se, também, o quinto aniversário da editora Pierre Von Kleist fundada por André Príncipe e José Pedro Cortes.

Dia 20:

19h (Cinema Ideal) | Estreia de “Campo de Flamingos sem Flamingos”

22h (Galeria Pedo Alfacinha) | Inauguração da exposição “Antena 2” + 5º aniversário da editora Pierre Von Kleist.

+ info:

Cinema Ideal

Pierre von Kleist

Galeria Pedro Alfacinha

Campo de Flamingos sem Flamingos


André Príncipe (Porto, 1976)  é fotógrafo, cineasta e editor. “Campo de Flamingos sem Flamingos”, a sua última longa-metragem foi exibida no Indie Lisboa em 2013. Exposições Individuais no Centro Portugês Fotografia, Encontros de Imagem, Galeria Fernando Santos e Silo e colectivas em Londres, Madrid, Barcelona, Paris, Rio de Janeiro, Viena, etc. Tem seis livros publicados: Tunnels (2005), Master and Everyone (2009), I thought you knew where all of the elephants lie down (2010), Perfume do Boi (2012), Smell of Tiger precedes Tiger (2012) e Tokyo Diaries [com Marco Martins] (2014). Fundou com José Pedro Cortes, a editora Pierre Von Kleist que celebra, este ano, cinco anos de existência. Realizou curtas e longas-metragens.

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