Teresa Henriques: Prospectiva

> 21 de Junho, 2014

Galeria Pedro Oliveira (Porto)

“Entre uma verdade e a outra está a dúvida.” Almada Negreiros

“O desenho é o nosso entendimento a fixar o instante.” Almada Negreiros

“Não sou aquilo que sou. Sou aquilo que faço com as minhas mãos.” Louise Bourgeois

O Desenho como pergunta

O Desenho como identidade

No trabalho da Teresa há uma pergunta, uma pergunta paciente, recorrente e quase obsessiva.

Uma pergunta feita à vida, sobre o que vemos e como o representamos.

De uma forma intuitiva (mas que vista retrospectivamente parece quase metódica) o processo do desenho foi sendo tornado matéria.

Nos seus trabalhos anteriores o corpo do desenho, e de quem desenha, foi medido na distância entre o horizonte, os olhos e as mãos (1), medido na relação entre o sujeito e o suporte onde desenha. (2)

Um simples desenho de memória foi tornado objecto (como Gego dizia das suas linhas), fixo o instante numa linha de ferro que percorre o espaço em várias direcções. (3)

Fomos questionados pela ausência de autoria, seguindo uma caneta que desenha ao vento (4) ou um braço mecânico que traça círculos perfeitos na areia (5).

O desenho desdobrou-se no espaço, sobrepôs-se e citou-se a si próprio, representando a sua representação como num jogo de espelhos. (6)

O desenho foi escapando: ao corpo humano, a um suporte físico estático, ao sujeito que desenha.

Inventou mecanismos autoreguladores, pulsações automáticas com motores, pêndulos e carretos.(7)

Agora nesta nova pergunta que nos deixa, o desenho começa a andar.

Volta à medida, mede o espaço, a distância entre as paredes e os tectos e os vãos.

Persegue as arestas, os vértices e as diagonais, num exercício de geometria imaginada.

Tacteia o espaço da sua casa. Como a linha procura a folha quando alguém esquissa o desenho procura o espaço. Com linhas de várias espessuras e intencionalidades. Mais ou menos definidas, mais ou menos seguras.

É o processo do desenho que se torna matéria, matéria fluida como a musica. Dura apenas o instante em que a linha encontra o ar e a beleza pode ou não acontecer.

Tal como o instante este desenho que agora acontece, não é fixo, é movimento, é a “duvida entre uma verdade e a outra”, é um momento que não se repete.

Avança pelo ar adentro. Desequilibra-se. Recomeça. O equilíbrio é frágil quando se avança assim.

O desenho no trabalho da Teresa é uma inevitabilidade.

Mas não é dela que se trata, é do Desenho.

Inês Cordovil (Abril de 2014)

Trabalhos de Teresa Henriques: (1) Sem titulo – big glass (2005), Mamilos (2006); (2) Extensão/ És tensão (2005); (3) From my room (2005;  (4) Aleatógrafo (2007); (5) Pantógrafo (2006); (6) Light drawing (2010); (7) Gertrude (2011)

Teresa Henriques (Lisboa, Portugal. 1978). Vive e trabalha em Nova Iorque. Mestrado em Belas Artes pela School of Visual Arts, New York (bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e da FLAD – Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento). Programa de residência na Location One, New York (bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e da FLAD – Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento). Curso de Live-Painting na Slade School, London. Curso de Escultura e Curso Avançado de Artes Plásticas, AR.CO, Lisboa. Das suas últimas exposições destacam-se as individuais: Prospective, Rooster Gallery, New York, USA (2014); Problem: Kinetic Sculptures, Rooster Gallery, New York, USA (2011); Use the Resources, Galeria Pedro Oliveira, Porto, Portugal (2010); Sala do Veado, Museu de História Natural, Lisboa, Portugal (2008); e as colectivas: Learned Helplessness – On Authority, Obedience and Control, Istanbul Museum , Istanbul, Turkey (2014); Young Curators/New Ideas IV, Meulensteen Gallery, New York, USA (2012); Lugares de Incerteza, comissariado David Barro, Palacete Pinto Leite, Look Up!Natural Porto Art Show, Porto, Portugal (2010); Fio Condutor – Desenhos da Colecção do CAM, comissariado Leonor Nazaré, Sala de Exposições Temporárias do CAM, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal (2010); Fio Condutor – Desenhos da Colecção do CAM, comissariado Leonor Nazaré, Centre Culturelle Calouste Gulbenkian, Paris, France (2010); Plus One, comissariado Dan Cameron, Perry Rubenstein Gallery, New York, USA (2010).

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Teresa Henriques

Galeria Pedro Oliveira

 

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