Tim Etchells: Empty Stages

Tim Etchells: Artista na Cidade 2014

@ Carpe Diem Arte e Pesquisa (Lisboa)

Inauguração da exposição: 28 de Maio (17h)

Conversa com Tim Etchells e Susana Pomba: 28 de Maio (18h30) 

A conversa irá centrar-se no trabalho de Tim Etchells, em particular nos projectos que desenvolve sob uma perspectiva visual, fazendo referência ao ciclo expositivo apresentado ao longo de 2014 no Carpe Diem Arte e Pesquisa – néon, fotografia e vídeo. A conversa será realizada em inglês.

Empty Stages | Exposição

Somos de várias formas tentados a pensar estas imagens como fotografias de espectáculo, quanto mais não seja porque olhá-las faz-nos imaginar o que nelas poderia ocorrer. Há palcos com detritos espalhados e outros completamente limpos, outros ocupados com materiais de algum evento futuro e ainda outros cheios de objectos que não têm qualquer ligação óbvia com o espectáculo. Olhar para estas imagens é uma questão de expectativa – o palco vazio aguardando a sua acção, como uma página em branco ou um ecrã de computador vazio à espera de palavras.” Empty Stages é um projecto fotográfico em curso de Tim Etchells e Hugo Glendinning, que documenta palcos vazios de todo o mundo, em locais que variam entre teatros amadores, bares, escolas, centros de convenções, átrios de igrejas, teatros municipais e clubes de trabalhadores. Ao longo do catálogo destes locais de espectáculo temporariamente desertos, o trabalho explora os palcos como espaços de iminência e expectativa, convidando o espectador a imaginar os diferentes tipos de eventos que poderiam ocorrer nestes locais. Nas imagens de Etchells e Glendinning, a emoção ou o espaço mágico da performance, o “outro mundo” do palco, é frequentemente mostrado com todas as luzes ligadas, sem mistérios. Aqui o palco pode ser visto pelo que é – um pedaço de arquitectura, uma zona de possibilidades, mas no final não é mais nem menos do que um espaço de construção, um quadro de dimensões variáveis, que tem tantos metros de largura, tantos metros de profundidade e tantos metros de altura. Para a exposição no Carpe Diem, Etchells e Glendinning adicionaram uma selecção de novas imagens de palcos vazios em teatros e outras salas de espectáculo em Lisboa. 

Tim Etchells (1962), artista e escritor residente em Sheffield, Reino Unido, desenvolve a sua obra entre as artes performativas, o vídeo, a fotografia, texto, instalação e ficção numa ampla variedade de contextos, particularmente como director do Forced Entertainment (coletivo de criadores fundado em 1984 e mundialmente reconhecido). Colaborou com artistas plásticos, coreógrafos e fotógrafos, incluindo Meg Stuart, Boris Charmatz, Asta Groting, Wendy Houstoun, Elmgreen & Dragset, Philipp Gehmacher, Hugo Glendinning, Vlatka Horvat, entre muitos outros. Nos últimos anos, Etchells levou a cabo inúmeras exposições no contexto das artes plásticas e o seu trabalho encontra-se em várias coleções privadas em todo o mundo. Etchells estudou Inglês e Dramaturgia na Universidade de Exeter. Posteriormente, leccionou, deu palestras e organizou workshops por todo o mundo, em muitas das principais instituições dedicadas às artes de palco contemporâneas. Publicou também uma grande variedade de escrita de ficção, grande parte desta explorando abordagens experimentais à linguagem e narrativa. 

Hugo Glendinning trabalha como fotógrafo há vinte e oito anos. A sua produção estende-se pelas diversas indústrias culturais, desde colaborações artísticas em vídeo e fotografia, passando pela produção e documentação de performance, até ao retrato. Trabalhou com a maioria das empresas britânicas líderes em teatro e dança e colabora regularmente com o RSC, National Theatre e a Royal Opera House. Publicou e expôs o seu trabalho internacionalmente, nomeadamente o seu projecto de documentação e investigação sobre fotografia de performance com Tim Etchells e a Forced Entertainment Theatre Company. O seu trabalho com Paola Pivi , Martin Creed, Matthew Barney, Yinka Shonibare e Franko B que regista tanto performances para a câmara como performances ou eventos públicos, está presente em colecções particulares e em museus por todo o mundo. É professor visitante em universidades no Reino Unido e foi Fellow AHRC na Universidade de Exeter, no Departamento de Teatro, entre 2008 e 2011. Nos últimos anos, a sua colaboração com o professor Adrian Heathfield na realização de palestras sobre performance, evoluiu para outros projectos, incluindo uma série de cinco filmes, co-realizados por ambos, sobre conversas com os mais influentes filósofos e pensadores. 

Susana Pomba, nasceu em Lisboa em 1974. Licenciada em Pintura com pós-graduação em Estudos Curatoriais pela FBAUL, Universidade de Lisboa e frequência da Pós-Graduação em Edição, Livros e Novos Suportes Digitais da Universidade Católica. Como curadora, é responsável pelos projectos “O Dia Pela Noite” (2010) no Lux Frágil e o evento mensal “Old School” (desde 2011) no espaço DNA/Teatro Praga, entre outros. É autora do blog “Dove’s taste of the Day” (desde 2007) que regista por meio de fotografia e vídeo uma grande quantidade das exposições, concertos, performances e edições de criadores portugueses e estrangeiros. Colaborou com diversas publicações culturais e é editora da revista “Props” com, e para o Teatro Praga, desde 2009. 

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Artista na Cidade 2014

Carpe Diem Arte e Pesquisa 

Entrevista a Tim Etchells

Outros eventos no Carpe Diem Arte e Pesquisa, esta semana:

No próximo dia 30 de Maio, pelas 18h, decorre a conferência Memória Política: A Estética da recordação – 11 de Setembro‘ com Marita Sturken, da Universidade de Nova Iorque.  

A conversa irá debruçar-se sobre o envolvimento de movimentos artísticos e arquitectónicos com a memória cultural sobre o 11 de Setembro e as guerras desencadeadas em sua resposta, em concreto a guerra do Iraque. Serão abordadas questões de estética e de design que emergiram relacionadas com projectos de comemoração do 11 de Setembro, oficiais e não oficiais, no meio de complicadas políticas relacionadas com a sua recordação. 

Marita Sturken, professora de Media, Cultura e Comunicação na Universidade de Nova Iorque. O trabalho de Marita Sturken foca-se na relação entre memória cultural e identidade nacional e as questões de cultura visual. É autora do livro Tangled Memories,The Vietnam War, The AIDS Epidemic and the Politics of Remembering (Califórnia, 1997), Thelma & Louise (British Film Institute, 2000), Practices of Looking: An Introduction to Visual Culture (com Lisa Cartwright, Oxford, 2001, Segunda Edição, 2009), e co-editora, com Douglas Thomas e Sandra Ball-Rokeach, da Technological Visions: The Hopes and Fears that Shape New Technology (Temple, 2004). Os seus textos foram publicados numa série de jornais, incluindo RepresentationsPublic CultureHistory and Theory, Afterimage. Marita é a anterior editora da American Quarterly, o jornal da American Studies Association. Ensina nos cursos de estudos culturais, cultura visual, cultura popular, publicidade e cultura global. O seu livro mais recente é Tourists of History: Memory, Consumerism, and Kitsch in American Culture, Duke University Press, 2007. 

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