Patrizio Di Massimo: Me, Mum, Mister, Mad

Kunsthalle Lissabon

> 12 de abril de 2014

Kunsthalle Lissabon apresenta Me, Mum, Mister, Mad, a primeira exposição individual do artista italiano Patrizio Di Massimo em Portugal.

 Me, Mum, Mister, Mad é uma exposição construída como um retrato de família. No título, a letra inicial do pronome inglês me substitui a das outras personagens, O espaço expositivo é assim habitado por três instalações que retratam as figuras do Pai, da Irmã e da Mãe.

Me é o que acaba por se tornar visível na presença destas três representações, que substituem membros da família por composições de estofos, almofadas e guarnições. Cada uma delas evoca, à sua própria maneira, a relação entre o biográfico e o doméstico, o familiar e o estranho, o material e o virtual, o estático e o performativo.

O Pai é Mad. Esta é a primeira personagem que o visitante encontra na exposição. Encontra-se numa sala separada e é constituído por três travesseiros de grandes dimensões, fabricados com diferentes têxteis e sobrepostos como num jogo de mikado e por um conjunto de gaiolas com canários.

No papel da Irmã encontramos Mister, uma pilha de almofadas encostadas a uma porta fechada. Por vezes os membros de uma rapariga podem ser vislumbrados debaixo destas almofadas, e tal constitui-se como uma performance. As almofadas são feitas de algodão, adornadas com franjas, ou formas pintadas.

A Mãe, por fim, é representada como Mum, uma cortina colocada numa das janelas da Kunsthalle Lissabon. É composta por uma sanefa, uma borla sobre-dimensionada, tecido translúcido cor de pele e uma planta trepadeira.

De acordo com Di Massimo, a nossa relação com os objetos domésticos é definida tanto como abstração como figuração. Se o preço a pagar pela nossa civilização ocidental e a domesticidade que lhe dá corpo consiste na repressão de alguns desejos e medos básicos, então os objetos que usamos para esse fim podem cumprir a função oposta e trazer de volta à superfície algumas das nossas memórias pessoais mais submersas.

O retrato de família, um género clássico na história da arte, continua o interesse do artista por temas como, por exemplo, a ausência da orfandade (Without Orphanhood, 2007). O auto-retrato é, de facto, fundamental na prática de Di Massimo, fazendo a ligação deste novo projeto com trabalhos anteriores como Untitled (My Father Emulating Me), 2007, ou Portrait of the Artist as an Old Man, 2012.

O novo corpo de trabalho agora apresentado na Kunsthalle Lissabon continua a exploração do uso de móveis e têxteis domésticos como ferramentas num processo de representação alegórica que Di Massimo iniciou no projeto Lustful Turk (Villa Medici, Roma, 2012, e Gasworks, Londres, 2013), na exposição I Want to Live Like This (T293, Roma, 2012) e também no projeto Monologue for Two, 2013.

Me, Mum, Mister, Mad é uma co-produção com o M HKA, Museu de Arte Contemporânea de Antuérpia, para onde viaja como parte da exposição coletiva Don’t You Know Who I Am? Art after Identity Politics, com curadoria de Anders Kreuger e Nav Haq.

Patrizio Di Massimo (Jesi, Itália, 1983) vive e trabalha em Londres. Di Massimo estudou na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão e obteve o seu MA na Slade School of Fine Art, em Londres. Foi artista residente na Stipendium Kunstzeitraum, Munique (2012), de Ateliers, Amsterdão (2009-2011) e Sommerakademie at Centre Paul Klee, Berna (2010). As suas exposições individuais recentes incluem The Lustful Turk,  Gaswork, Londres (2013), I want to live like this, T293, Roma (2013), Il Turco Lussurioso, Villa Medici, Roma (2012) e uma performance no Stedelijk Museum como parte do seu programa público (2012). Durante o ano passado participou nas seguintes exposições coletivas Souvenir, Galerie Emanuel Perrotin, Paris, The 338 Hour Cineclub, Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, It may be that beauty has strengthened our resolve, ParaSite, Hong Kong. Em 2012 foi um dos finalistas do Premio Italia 2012, realizado no  MAXXI, Roma e participou em La Storia che non ho vissuto (testimone indiretto), Castello di Rivoli, Rivoli, Ritual without Myth, Royal College of Art, Londres. Uma seleção de exposições anteriores em que participou inclui One caption hides another, Betonsalon, Paris (2011), Prague Biennale 5 (2011), Tous Cannibales, Maison Rouge, Paris (2011), See Reason, Stedelijk Bureau Museum of Amsterdam (2011); Let Us Compare Mythologies, Witte de With, Roterdão (2010), Low Dèco, Villa Necchi Campiglio, Milão (2010), Tutta la memoria del mondo, GAM, Turim (2010); Patrizio Di Massimo, Zilkha Auditorium, Whitechapel Art Gallery, Londres (2009). Em 2010 foi o curador, em parceria com Vincent Honoré, da exposição More Pricks Than Kicks na David Roberts Art Foundation, Londres.

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Patrizio Di Massimo

Kunsthalle Lissabon

(C) imagens e texto: Cortesia de Kunsthalle Lissabon, 2014.

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