Maria Laet: Pela superfície

15.11.2013 – 11.01.2014

3 + 1 Arte Contemporânea (Lisboa)

Esta é primeira exposição individual da artista Maria Laet (Rio de Janeiro, 1982) na 3+1 arte contemporânea, em Lisboa, onde apresenta uma selecção de trabalhos recentes que são quase documentações ou resultados de intervenções gestuais subtis. Os meios usados ​​agem como condutores dos processos da artista, peles que transmitem e revelam as suas intenções e que actuam como um arquivo de uma ação. As obras resultantes, questionam o aspecto físico e não-físico.

“Pela superfície”, questiona os limites e as fronteiras e o que aí acontece, quando definitivos, em evolução ou em transformação. A incerteza e as associações invisíveis a estes eixos são destacada por Maria Laet no uso visceral de fluídos – tinta, leite e água adicionando profundidade invisível – sugerindo mutabilidade, adição e novas interpretações.

Em “Sopro”, a tinta soprada lentamente sobre a superfície de uma pilha de folhas de papel japonês sobrepostas, é absorvida pelas folhas inferiores. Esta penetração ou profundidade, exploradas em muitas das suas obras, expõe a fluidez dos materiais que fervilham sob as superfícies iniciais. No filme “Leito”, os cursos de leite através das fissuras de um pavimento urbano, criam um contraste dinâmico de materiais, referências e associações antes de desaparecer.

Ao expor estes sistemas ocultos e complexos, as ideias em torno das obras e a própria fragilidade são reforçadas. No filme “Notas sobre o limite do Mar” a artista costura a areia da praia, numa tentativa de manter intacto o limite da rebentação, num acto talvez desesperado de manter a permanência e a confirmação dos limites onde o mar encontra a terra, já que, depois deste acto efêmero, a linha é lentamente engolida pelo mar.

Esta ideia de limite/ fronteira, é reiterada na obra “Dois”, onde duas páginas da mesma folha de papel (frente e verso) são impregnadas com a impressão de duas palmas de mão diferentes. Aqui, o limite é a folha de papel, tal como o leite em “Leito”, que momentaneamente se junta às fissuras no solo ou a tinta em “Sopro”, que trespassa as folhas de papel japonês. Esta divisão em “Dois” junta fugazmente as imagens de duas palmas de mão – da própria artista e de outra pessoa – sugerindo uma única mão, criando uma ‘terceira’ impressão, que aparentemente prevalece sobre as individuais.

Juntos, o uso de diferentes materiais e o emprego de distintos elementos naturais, chamam a atenção para a estrutura que une e divide. Estas separações são enfatizadas na natureza entrópica do trabalho de Maria Laet que tende a parecer calmamente sereno que, embora inicialmente homogéneo, nos leva a questionar as definições dos limites da superfície.

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3 + 1 Arte Contemporânea

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