Sou Fujimoto | Futurospective Architecture

Uma exposição concebida, projectada, documentada e comentada por Sou Fujimoto. Cerca de 120 maquetas, projectos, objectos, materiais e filmes de trabalhos de Fujimoto são exibidos para ilustrar a sua visão do espaço.

> 17 de novembro (2013)

@ CCB (Lisboa)

A Garagem Sul do Centro Cultural de Belém (CCB) apresenta a primeira exposição monográfica europeia do multipremiado arquitecto japonês Sou Fujimoto, nascido em 1971. A mostra foi inicialmente realizada e apresentada em 2012 no Kunsthalle Bielefeld (Alemanha) sob a direcção de Friedrich Meschede. Fujimoto é igualmente famoso pelos seus notáveis edifícios no Japão e pelos seus escritos teóricos (Futuro Primitivo, 2008). Reconhecido por ter redefinido completamente o espaço como um lugar de relaxamento e experiência, soube chamar a atenção em concursos internacionais com os seus projectos espectaculares em que arquitectura e natureza se fundem para formar uma simbiose.

“A arquitectura emerge onde a corrente se intensifica.” – Sou Fujimoto

Este ano, foi convidado a desenhar o Pavilhão de Verão da Serpentine Gallery (Londres). Os treze pavilhões anteriores tiveram projectos de Herzog & de Meuron e Ai Weiwei (2012), Frank Gehry (2008), Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura (2005), do falecido Óscar Niemeyer (2003) e de Zaha Hadid, que criou a estrutura inaugural em 2000. Com 41 anos, Fujimoto torna-se assim o mais jovem arquitecto a criar esta estrutura temporária, que é considerada o mais ambicioso programa arquitectónico do seu tipo no mundo.

A actual exposição realça acima de tudo projectos cujo carácter radicalmente novo é óbvio. Dividida em seis secções temáticas, apresenta maquetas, objectos e materiais que inspiram as ideias de Fujimoto.

O título Futurospective Architecture traduz o objectivo programático da exposição que pretende oferecer mais do que uma retrospectiva dos edifícios e trabalhos de arquitectura realizados até agora por Fujimoto. A arquitectura deve ser entendida como uma disciplina das artes e da sociologia, ambas baseadas no plano de espaço. O ponto de partida comum dos projectos de arquitectura passados e futuros de Sou Fujimoto é constituído pelas necessidades das pessoas que trabalham e/ou vivem nas suas construções. Escondida por trás da palavra composta “futurospectiva” encontra-se uma atitude em relação a uma concepção orientada para o futuro do espaço, o que não só distingue Sou Fujimoto dos seus contemporâneos, mas é também o que ele usa para criar experiências enriquecedoras de espaço no Japão. As experiências adquiridas na sua Hokkaido natal, situada no Norte do Japão, moldam o que ele enuncia no seu livro Futuro Primitivo de 2008: uma concepção que se concretiza na presente exposição, através da declaração de Fujimoto sobre a “Arquitectura como Floresta”: ”A Arquitectura como Floresta aqui apresentada é a natureza do futuro, a arquitectura do futuro”.

“Quando matérias se juntam, nasce uma geometria, nasce um lugar e nasce arquitectura.” – Sou Fujimoto

Secções da exposição

— Corpo, trepar árvores, arquitectura: “Arquitectura como Floresta” está enraizada num corpo que trepa árvores e do qual se expande para as complexidades da sociedade.

— Um todo feito de muitas partes pequenas. Floresta – Tóquio: Viver numa casa é como viver numa árvore. Existem muitos ramos e cada um é um lugar agradável para se estar. Não são quartos hermeticamente isolados, mas interligados e continuamente a redefinir-se uns aos outros.

— Entre natureza e artificialidade: “Arquitectura como Floresta” abre um novo ambiente entre natureza e artificialidade.

— Gradação: “Arquitectura como Floresta” funde a noção de dentro e de fora, entendendo-a como uma gradação suave. Constitui uma nova proposta para a base da arquitectura: a relação de interior e de exterior.

— Mobiliário, arquitectura, cidade, paisagem: “Arquitectura como Floresta” percorre as mais diversas escalas, criando um ecossistema complexo e diversificado.

— Floresta Tridimensional: “Arquitectura como Floresta” é tanto o futuro da natureza, quanto o futuro da arquitectura. Começando com a floresta tridimensional, torna-se possível uma nova forma de natureza/ambiente criado pelo homem.

Arquitectura como Floresta

“Viver numa casa é semelhante a viver numa árvore.”

Acredito que a Arquitectura do futuro seja como uma Floresta. Na floresta, das folhas, insectos e sementes até à grande escalada dos troncos das árvores, todo um conjunto de coisas verdadeiramente diversas coexiste e está em relação. É esta diversidade que me atrai, uma riqueza nascida do espaço, entre a ordem e o caos. Se uma Arquitectura como Floresta for criada, vai ser um lugar de complexidade, rico em diversidade, muito além daquilo que existe na arquitectura e nas cidades de hoje. E os seus habitantes vão ser uma parte orgânica dessa diversidade. Os projectos aqui expostos são tentativas de criar noções novas de natureza e ambientes feitos pelo homem, como a floresta tridimensional, a floresta geométrica, a floresta urbana, etc.

Alguns destes projectos foram construídos, outros são apenas conceitos, e outros, ainda, estão em desenvolvimento. Variam de pequenas ou, mesmo, microscópicas arquitecturas até edifícios colossais e infra- -estruturas urbanas com 700 metros de altura. A Arquitectura como Floresta aqui apresentada é o futuro da Natureza e o futuro da Arquitectura. A Floresta é a origem e lança luz sobre o futuro da Arquitectura.

Sou Fujimoto

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Sou Fujimoto 

(n. 1971 Hokkaido, Japão)

Prémios

(2013) – Marcus Prize for Architecture The Golden Lion for Best National Participation to the Japan – Pavilion at the 13th International Architecture Exhibition – La Biennale di Venezia

(2012) – RIBA International Fellowships

(2011) – “1st Prize” in International Competition for Taiwan Tower in Taichung, Taiwan “1st Prize” in International Competition for Waterfront Center in Belgrade, Serbia

(2008) – World Architectural Festival – Private House Category Winner (Final Wooden House) – 2008 Japanese Institute of Architecture Grand Prize (Children’s Center for Psychiatric Rehabilitation)

Publicações

(2012) – Sou Fujimoto Sketchbook / Lars Müller Publishers – Sou Fujimoto Futurospektive Architektur / Kunstalle Bielefeld

(2010) – El Croquis 151: Sou Fujimoto 2003-2010 / El Croquis – Sou Fujimoto: Musashino Art University Museum & Library / INAX

(2009) – 2G 50 Sou Fujimoto International Architecture – Review / Editorial Gustavo Gili, SL

(2008) – Primitive Future / INAX

Exposições

(2013) – Sou Fujimoto, Architecture as Forest, Geneva, Switzeland – Sou Fujimoto, Futurospektive Architektur, Bielefeld, Germany

(2011) – LIVING Frontiers of Architecture III-IV, Copenhagen, Denmark

(2010) – 12th International Architecture Exhibition – La Biennale di Venezia, Venice,Italy – Sou Fujimoto Forest, Cloud, Mountain, Tokyo, Japan

(C) cortesia: Centro Cultural de Belém

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