Alexandre Estrela: Meio Concreto

Alexandre Estrela, Le Moiré, 2010 (pormenor) projecção vídeo, DVD (OAL), ecrã em vidro, som mono, loop 100 x 70 cm (dimensão da projecção). © Alexandre Estrela. Cortesia do artista e da Fundação de Serralves.

Alexandre Estrela, Le Moiré, 2010 (pormenor) projecção vídeo, DVD (OAL), ecrã em vidro, som mono, loop 100 x 70 cm (dimensão da projecção). © Alexandre Estrela. Cortesia do artista e da Fundação de Serralves.

Museu de Serralves (Porto)

> 29.09.2013

Alexandre Estrela (n. Lisboa, 1971) tem vindo a interrogar as potencialidades da imagem em movimento e as características específicas dos dispositivos que a captam e dão a ver. Gerando uma perturbadora suspensão do significado, associações inesperadas entre imagem, som e estrutura originam enigmáticos efeitos visuais.
 
“Meio Concreto”, a mais extensa mostra de Alexandre Estrela até à data, apresenta maioritariamente uma seleção de trabalhos recentes, realizados entre 2007 e 2012, muitos dos quais adaptados aos espaços do Museu de Serralves. A exposição desdobra-se em dois percursos, nos quais são ativadas diferentes peças, consoante o dia em que a visitemos seja par ou ímpar. No estado latente, os dispositivos de som e de imagem ganham um caráter escultórico, central para uma obra que tem vindo a questionar a pretensa imaterialidade da imagem. Ver aqui os percursos par e ímpar.
 
Actividades paralelas:

ProJecção de Filme / conversa com o Artista
Sábado, 14 Setembro, 18h30 (Auditório)

Projecção de ‘Viagem ao Meio’ (Alexandre Estrela, 2010), seguida de uma conversa entre o artista e Natxo Checa.

‘Viagem ao Meio’ é uma projecção que sobrepõe um filme e um vídeo. Ambos registam uma viagem ao interior de um túnel com duzentos metros de comprimento escavado no interior de um vulcão nos Açores, para evitar cheias. O filme, rodado sem câmara, fazendo desenrolar uma bobina de 600 metros de película positiva de 16 mm, registou o percurso entre o centro e a saída do vulcão; o vídeo registou o percurso total.

Ler aqui artigo da Frieze Magazine sobre a exposição por João Laia.

No filme ‘Pour le mistral’ (1965), o realizador Joris Ivens procura capturar o vento. Depois de ter concluído o filme, Ivens admitiu ter falhado, uma vez que apenas conseguiu captar o mistral através dos seus efeitos secundários. Le Moiré é uma nova tentativa de registar o vento, e de posteriormente o soltar aquando da projecção da sua imagem. O vídeo de uma palmeira assolada pelo vento, filmado na Bretanha, é projectado sobre um ecrã de vidro pintado com riscas brancas. A peça é instalada num canto, para que a as imagens projectadas formem uma área fechada. O painel de vidro subdivide o cone de luz em dois, criando três superfícies de projecção — a imagem no vidro e as duas projecções consequentes que se formam nos cantos. Deste espaço concentrado de imagens, o movimento e o som sugerem a formação de vento aprisionado num canto. A sobreposição visual produz colateralmente um efeito óptico apelidado de “moiré”.

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