Fernanda Fragateiro | Rui Mendes: R9F6 Branco

Pavilhão Branco (Museu da Cidade, Lisboa)

> 01.09.2013

R9F6 Branco é uma colaboração entre a artista plástica Fernanda Fragateiro e o arquitecto Rui Mendes. O projecto é uma conversa sobre o branco, que começou no espaço branco de uma folha de papel, numa troca de textos entre os autores, e se expandiu para o espaço arquitectónico, resultando numa exposição.

A escolha do pavilhão branco do museu da cidade instalou a noção de lugar: aferir as medidas e os elementos da construção, clarificar a organização e geometria de um espaço, entre pavimentos e tectos, vãos e paredes, para uma nova ocupação precisa e transitória, sobre o branco. Indícios e condições do lugar, como os factos originais da sua construção que caracterizaram a sua fragilidade física, foram activando a existência de um índice. Depois glossário e mapa de um fazer ininterrupto a partir de obras de referência, da memória do lugar, lastro do branco, inscrições e registo topográfico, sistemas de medição e de apreensão do comportamento de coisa a coisa, de grupo a grupo, de movimento a movimento, pelo desenho e manipulação de materiais existentes e peças encontradas, entre a atelier de escultura e o atelier de arquitectura, a livraria, o alfarrabista, o museu-pavilhão, a carpintaria, a serralharia, a tipografia e os depósitos de materiais. Os trabalhos são uma série de exercícios materiais, espirituais e estéticos, onde o branco se inscreve, ou de onde advém, criando um rumor sobre a sua existência ou sobre a sua impossibilidade.

Fernanda Fragateiro (Lisboa, 1962). Artista plástica, vive e trabalha em Lisboa. O seu trabalho explora o espaço nas suas variadas manifestações fenomenológicas – arquitectónica, escultórica, privada, pública, temporal, socialmente determinada, através de obras de escultura, instalações e intervenções na paisagem. Os seus trabalhos foram expostos em diversas instituições, como o Centro Calouste Gulbenkian (Paris), Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), Dublin Contemporary, Trienal de Arquitectura de Lisboa, Fundación Marcelino Botín (Santander), IVAN (Valencia), Centro Cultural de Belém (Lisboa), Centro Galego de Arte Contemporânea (Santiago de Compostela), Fundação de Serralves (Porto), Fundação ‘La Caixa’, Caixa Forum (Barcelona) e Culturgest (Lisboa), entre outros.

Rui Mendes (Lisboa, 1962). Arquitecto, com atelier em Lisboa, desde 2002. Tem trabalho publicado e apresentado em publicações, seminários e conferências internacionais de arquitectura. É autor de projectos apresentados na Trienal de Arquitectura de Lisboa 2010 (Casa em Santa Vitória, Beja) e na Biennale de Arquitectura de Veneza 2012 (Acessos à Colina do Castelo, Lisboa). Tem realizado, de forma regular, Seminários e Colóquios Académicos (DA/ UAL, DA/ ISCTE), trabalhos de curadoria ((Extra Ja, 2007) e crítica de arquitectura (Matéria Sensível, 2010). Editor do livro Atelier do Bugio, 2010 (Selecção BIAU 2012) e co-editor do livro ‘Lisbon Ground’ para a representação portuguesa na Biennale de Arquitectura de Veneza 2012. Co-editor do Jornal Arquitectos 2012-2014. Docente de projecto no Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa e no Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora. Doutorando no IST Lisboa, desde 2011.

(C) fotografias da exposição: This is Now | Making Art Happen.

© A imagem de destaque, na página anterior (Pavão), é da autoria do fotógrafo Valter Vinagre. Cortesia das galerias da Câmara Municipal de Lisboa.

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