Pedro Cabrita Reis – A Remote Whisper

Pedro Cabrita Reis

Pedro Cabrita Reis Portrait, 2013, João Ferro Martins, Courtesy of the Artist.

@ Palazzo Falier (Veneza, Itália)

30.05 a 24.11.2013

A Remote Whisper é a exposição que Pedro Cabrita Reis (1956, Lisboa, Portugal) apresenta na 55ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia 2013, no âmbito dos eventos paralelos dessa Bienal. Trata-se de uma intervenção monumental que ocupa todo o espaço expositivo: os 700 metros quadrados do andar nobre do Palazzo Falier, em Veneza. 

Com curadoria de Sabrina van der Ley – Directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea, Arquitectura e Design de Oslo (Noruega) – esta intervenção, que ocupa todas as salas do andar nobre do referido palácio, é uma combinação de vários materiais: alumínio, vidro, lâmpadas fluorescentes, desenho, pintura e fotografia. Cabrita Reis, cuja prática artística sempre procurou criar uma forte relação entre a obra de arte, o espaço e o espectador, enfatiza neste projecto a sua inclinação para misturar o espaço expositivo com o espaço de trabalho. Desde o início de 1990 que o trabalho deste artista explora questões relacionadas com a casa, construção e território. Algumas das suas peças são compostas por elementos da vida quotidiana: mesas, cadeiras, portas e janelas. Outras obras invadem o espaço de exposição e são geralmente estruturas complexas e pungentes.

“As suas intervenções são, na sua grande maioria, de natureza ‘site specific’. Encarnando, assim, no próprio processo de criação, uma presença constante de vários caminhos que se cruzam, como reminiscências e experiências vernáculas aparentemente banais. Um inventário contínuo do mundo e, ao mesmo tempo, um modelo para a sua compreensão. Este método pessoal e complexo de construção, característico da linguagem do artista, é a abordagem dominante desta exposição, no Palazzo Falier, assumindo uma conotação de diálogo com o espaço onde se vive.” – Sabrina van der Ley

Este projecto fo organizado pela Direcção Geral das Artes – Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.

Aqui os restantes eventos paralelos da Bienal de Veneza 2013.

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Nascido em 1956, em Lisboa, Pedro Cabrita Reis é um dos principais artistas portugueses da sua geração. A sua obra é complexa e caracterizada por um discurso filosófico e poético que abraça uma grande variedade de meios: pintura, fotografia, desenho e escultura (onde utiliza materiais industriais e objectos manufacturados). Ao usar materiais simples que são depois submetidos a processos construtivos, Pedro Cabrita Reis recicla reminiscências quase anónimas de gestos primordiais e acções repetidas na vida quotidiana. Explorando questões relativas ao espaço e à memória, o seu trabalho ganha um poder sugestivo de associação que atinge uma dimensão metafórica, indo além do visual. A complexa diversidade teórica e formal da sua obra provem de uma reflexão antropológica contrária ao reducionismo do discurso sociológico. Na realidade, a sua obra é construída e baseada em silêncios e indagações. Pedro Cabrita Reis participou em várias exposições internacionais, como a Documenta IX (1992), a 21 e 24 Bienais de São Paulo (1994 e 1998), a 10ª Bienal de Lyon, (2009). Em 2003, representou Portugal na 50ª Bienal de Veneza. Expôs individualmente nos mais importantes museus e instituições de arte a nível internacional, entre eles: Tate Modern (Londres), Hamburger Kunsthalle (Hamburgo), Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto), MACRO Museo d’Arte Contemporanea (Roma), Musee Carré d’Art (Nimes), Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), Museu Colecção Berardo (Lisboa), Kunsthaus Graz (Graz), Museo Tamayo (Cidade do México), Museu M em Leuve (Leuven) e Pinacoteca de São Paulo (São Paulo).

Pedro Cabrita Reis, A Remote Whisper, Palazzo Falier, 55 Biennale di Venezia, 2013, photo by João Ferrand / PCR Studio

Sabrina van der Ley é Directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea, Arquitectura e Design de Oslo. Anteriormente, trabalhou como curadora na Contemporary Art at Hamburger Kunsthalle’s Galerie der Gegenwart e como directora artística da Art Forum Berlin. Van der Ley tem comissariado várias exposições e publicações dedicadas a Pedro Cabrita Reis (em colaboração com Carré d’Art, Nimes, Museu M, Leuven, Museu Colecção Berardo, em Lisboa), a Rodney Graham (em colaboração com o MACBA, Barcelona e o Museum for Contemporary Art Basel) e a Attila Csörgö (em colaboração com o Ludwig Muzeum de Budapeste e o MUDAM de Luxemburgo). No Museu de Arte Contemporânea de Oslo, foi  curadora de duas grandes exposições temáticas: ‘I Wish This Was A Song’ e ‘Unfinished Journeys’, em 2012. Em colaboração com Markus Richter, foi co-comissária das exposições: Ideal Cities – Invisible Cities’ (2006, Zamość e Potsdam) e ‘Megastructure Reloaded’ (2007, Berlim). Além de curadora, Sabrina van der Ley tem sido uma activista na área político-cultural, em 2005 recebeu a Cruz de Ouro de Mérito da República da Polónia pelo seu envolvimento na melhoria das relações germano-polacas no campo da arte contemporânea.

Pedro Cabrita Reis, A Remote Whisper, Palazzo Falier, 55 Biennale di Venezia, 2013, photo by João Ferrand / PCR Studio

Pedro Cabrita Reis, A Remote Whisper, Palazzo Falier, 55 Biennale di Venezia, 2013, photo by João Ferrand / PCR Studio.

O livro ‘A Remote Whisper’ de Pedro Cabrita Reis estará disponível no Palazzo Falier durante a exposição e na Bienal de Veneza Bookstore. Editado pela Ivory Press (Madrid, 2013), o livro tem 352 páginas, totalmente ilustradas, com os seguintes capítulos: 1. Conversas – Textos e contribuições de Pedro Cabrita Reis, David Batchelor, Doris von Drathen, Mark Gisbourne, Claudia Gioia, Barbara Goretti, Jorge Molder, Pedro Pakesch, Augusto M. Seabra, Adrian Searle, Eduardo Souto Moura, Virginia Tieri. 2. Pinturas 3. Esculturas 4. Desenhos 5. Outros (colagens, objectos, fotografias) 6. ‘A Remote Whisper’ texto de Sabrina van der Ley.

Não desistiremos de explorar

E o fim de toda a nossa exploração

Será chegarmos ao lugar de onde partimos

E conhecer o lugar pela primeira vez.

Através do portão desconhecido e lembrado

Quando o último confim da terra por descobrir

For o lugar que for o começo;

Na nascente do rio mais longo

A voz da oculta queda-d’ água

E as crianças na macieira

Desconhecidas, porque não procuradas

Mas ouvidas, meios ouvidas, na quietação

Entre duas ondas do mar.

T. S. Eliot (Quatro Quartetos, V)

Este poema foi escolhido por Sabrina van der Ley e introduzido no seu texto sobre a exposição.

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