Julião Sarmento (Parce que Rose, c’est la vie!)

JS0

Cristina Guerra Contemporary Art

16.05 – 22.06 (2013)

Na presente exposição de Julião Sarmento, constituída por pequenos conjuntos independentes, mas que podem dialogar, encontram-se temas conhecidos de obras anteriores, como também inovações surpreendentes. Poder-se-á reconhecer as plantas de casas, a imagem e a forma do corpo feminino, a reflexão sobre o gesto da pintura e do desenho, o uso de fotografias alheias, referências diretas ou indiretas a Marcel Duchamp, Alexander Rodtchenko, Barnett Newman, Bart van der Leck, ou ainda a Edgar Degas, Joseph Beuys ou Bruce Nauman, tudo isto formando um pequeno panorama do que se poderia chamar uma autobiografia plástica. Pelo menos de alguns dos seus elementos, dos quais sobressai uma curiosa melancolia que oscila entre a exuberância colorida e o cinzento cor de chumbo, precisamente a cor que acompanha esse estado de espírito. Porém, na iconografia tradicional, tal cor é muitas vezes associada à melancholia generosa, que remete tanto para a invenção, a pesquisa e a curiosidade, como para a contemplação, momentos de vazio e de especulação que seria certamente uma das explicações da célebre fórmula de Delacroix: “L’ennemi de toute peinture est le gris.” (O inimigo de toda a pintura é o cinzento). (…)

(…) Mais do que acontece em outras obras de Julião Sarmento, nesta exposição aparece nitidamente o tema da finitude humana, e numa espécie de prolongamento barroco frio a dialéctica entre o nada e o ser, o passado e o presente, o fim e o devir. (…)

(…) esta exposição assemelha-se a uma grande clepsidra com a areia correndo. Dando-lhe uma volta, tudo recomeça. Tudo recomeça a acabar. – Jacinto Lageira

Julião Sarmento nasceu em Lisboa em 1948. Vive e trabalha no Estoril. Estudou Pintura e Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. No decorrer da sua carreira, utilizou uma enorme variedade de meios – pintura, escultura, fotografia, filme, vídeo e instalação e realizou inúmeras exposições individuais e colectivas tanto em Portugal como no estrangeiro. Julião Sarmento representou Portugal na 46ª Bienal de Veneza (1997). Foi incluído nas Documentas 7 (1982) e 8 (1987); nas Bienais de Veneza de 1980 e 2001 e na Bienal de São Paulo de 2002. O seu trabalho está representado em diversas colecções públicas e privadas na Europa, America do Norte, America do Sul e Japão, das quais se destacam Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio, Japão; Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Smithsonian Institution, Washington, E.U.A.; MOMA Museum of Modern Art, Nova Iorque, E.U.A.; Musée National d’Art Moderne/Centre Georges Pompidou, Paris, França; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque, E.U.A. e Van Abbemuseum, Eindhoven, Holanda, entre outras.

(C) imagem e texto: cortesia de Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa, 2013.

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