BES Photo 2013

Albano Silva Pereira, «Djebel Rhart, Marrocos [Morocco]», 2012

Albano Silva Pereira, «Djebel Rhart, Marrocos [Morocco]», 2012

A 9ª edição do BES Photo, é a terceira marcada pelo estatuto internacional que o prémio adquiriu. Os três membros do Júri de Selecção: Agnaldo Farias (Brasil), Delfim Sardo (Portugal) e Bisi Silva (Nigéria) escolheram os seguintes artistas: Albano da Silva Pereira (1950, Portugal), Filipe Branquinho (1977, Moçambique), Pedro Motta (1977, Brasil) e Sofia Borges (1984, Brasil). 

Os artistas seleccionados apresentam os seus trabalhos no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, até ao dia 2 de Junho.

O vencedor desta edição Pedro Motta (Brasil) irá receber um prémio no valor de 40.000 euros. A exposição será, em seguida, apresentada no Instituto Tomie Ohtake, em S. Paulo (Brasil), entre Junho e Agosto de 2013.

Albano Silva Pereira, «Peul, Douentza, Mali», 2002

Albano Silva Pereira, «Peul, Douentza, Mali», 2002

(…) não acredito na verdade pura. O preto e branco dá-me a ficção e a poesia. E, por outro lado, a luz. Sou um fotógrafo. A luz é para mim imprescindível: seja brutal e violenta no deserto, seja na sombra ou na escuridão interior de um acampamento – não uso o flash. (…)

– Albano da Silva Pereira

O critério de seleção dos artistas em questão, no caso de Albano da Silva Pereira, o júri realça a forma como ‘o seu trabalho fotográfico se situa na tradição da fotografia de viagem construindo um olhar sensível à construção de um mundo de referências próprias com enorme respeito pelo outro. Albano Silva Pereira foi selecionado pela exposição “Passion” na Galeria Graça Brandão que decorreu em Lisboa durante o mês de Dezembro de 2011.” 

A nomeação de Filipe Branquinho prende-se com a “sua prática fotográfica e como esta incide na forma como o espaço funciona enquanto ‘contentor’ de elementos díspares que se aglutinam. Usando Maputo como ponto de partida, e o retrato como ímpeto, Filipe Branquinho capta o tecido urbano e a forma como os seus espaços são habitados, não apenas pelas pessoas, mas também através de sua arquitetura. Filipe Branquinho foi selecionado pela exposição “Ocupações temporárias 20.11″decorrida em Maputo durante o mês de Setembro de 2011.” 

A ideia de Showtime partiu do livro Pão Nosso de Cada Noite, do Ricardo Rangel, fotografado na Rua Araújo, a chamada “Rua do Pecado”, e de alguns nus do José Cabral (…). Resolvi fotografar as mulheres da rua de Bagamoyo nos quartos que frequentam. Cada cliente tem a sua fantasia, e eu, como cliente, paguei os quartos e as mulheres para poder estar lá, e a minha fantasia foi fotografá-las. (…) – Filipe Branquinho

Filipe Branquinho, «Mural», da série / from the series «Showtime», 2012-2013

Filipe Branquinho, «Mural», da série / from the series «Showtime», 2012-2013

Filipe Branquinho, «M», «Sala de Jantar», da série / from the series «Showtime», 2012-2013

Filipe Branquinho, «M», «Sala de Jantar», da série / from the series «Showtime», 2012-2013

O trabalho de Pedro Motta, na opinião do júri “revela um olhar agudo sobre as incoerências da realidade brasileira, sobretudo no que se refere ao avassalador processo de urbanização destruindo a natureza ou substituindo-a a situações centradas entre a violência e o absurdo, frequentemente misturando ambas. Pedro Motta foi selecionado pela exposição “Campo Fértil” na Galeria Luísa Strina durante o mês de junho de 2012.” Sobre Sofia Borgeso júri descreve, “uma jovem fotógrafa em destaque na 30ª edição da Bienal Internacional de São Paulo, é uma produtora de enigmas. As suas imagens intrigam pelos motivos e situações apresentadas ou pela junção de imagens completamente díspares entre si, produzindo sintaxes insólitas. Sofia Borges foi selecionada pela exposição na 30ª edição da Bienal de São Paulo que decorre entre o dia 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012.”

(…) Acho que de certa forma sou um escultor frustrado, pois poderia ter realizado alguma dessas intervenções, como a dos blocos de terra, depois fotografando-as. Achar essas “coisas” é um exercício também. Muitas delas conheço há anos e durante meus deslocamentos (entre cidades) inevitavelmente passo por elas. Acredito que vou formando uma certa geografia afetiva para depois registá-las. Com os trabalhos mais recentes a vontade de desvirtuar a ordem das coisas foi crescendo. Assim o desenho alinhavou uma vontade com a possibilidade infinita de construção de uma nova geografia afetiva. Posso dizer que seria também uma geografia fictícia em que a base da vida quotidiana do campo vai sendo modificada, primeiro pela mão do homem e segundo por desordem e criação do artista. […] A escultura está cada vez mais presente no meu trabalho. Quando comecei a fotografar, tinha uma outra relação com a fotografia, algo ainda muito ligado ao documental, à cultura fotográfica, ao referencial e de certa forma aos fotógrafos dos anos de 1960-1970 (Robert Frank, Ed Ruscha, Josef Koudelka…). Atualmente, penso a fotografia como uma forma de concretizar um trabalho pré-concebido. Acredito que em um determinado momento posso realmente conceber e materializar uma ideia e depois registá-la, usando a fotografia somente como um suporte de apresentação. Neste aspeto, posso dizer que as esculturas do Carl Andre foram muito importantes para mim. Principalmente na questão formal do trabalho. (…) – Pedro Motta

É hoje impossível falar na divulgação das práticas fotográficas sem associar o Banco Espírito Santo e o papel fulcral da sua atividade neste domínio. Através deste relevante prémio, que tem homenageado e consagrado muitos dos seus protagonistas mais significativos, e da importante coleção de fotografia contemporânea internacional, que tem vindo a organizar, muito se alterou no contexto português, ao longo dos últimos anos. Para o Museu Coleção Berardo, participar neste projeto tem constituído motivo de valorização e dinamização do seu programa. Desde a sua primeira edição em 2004, o BES Photo afirmou-se como um dos mais prestigiantes prémios de arte contemporânea atribuídos a artistas de nacionalidade portuguesa e, a partir de 2011, dos restantes países lusófonos, ganhando notoriedade pela qualidade dos trabalhos expostos e projetando-se por mérito dos artistas premiados nas edições anteriores – Helena Almeida, José Luís Neto, Daniel Blaufuks, Miguel Soares, Edgar Martins, Filipa César, Manuela Marques e Mauro Pinto. Pedro Lapa, Diretor Artístico

(…) Por se tratarem de imagens estranhas demais acho que estarão sempre interrompidas pela própria contundência da sua presença, as imagens transbordam, ultrapassam, derramam, são alienígenas, não parecem conter história nem forma definitiva. Os Nomes, o título, define para mim a tentativa de nomear algo que não se define, que é, no caso, como eu entendo uma fotografia. – Sofia Borges

Júri do BES Photo: Agnaldo Farias, professor, crítico, curador e consultor do Instituto Tomie Ohtake (Brasil), Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora, fundadora e diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria).

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(C) imagens: Cortesia do Museu Colecção Berardo, 2013

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