Rui Algarvio | Battlefield

Rui Algarvio apresenta, actualmente, o segundo acto da exposição ‘BattleField’ na Kubik Gallery (Porto) até ao próximo dia 16.03.2013. 

Rui Algarvio (n. 1973, Barreiro, Portugal) é licenciado em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa (1998) e tem mestrado em Artes Visuais – Pintura, pela Universidade Nacional Autónoma do México (2003), onde obteve a Medalha de Mérito Académico Alfonso Caso. Trabalha, principalmente, com pintura.

‘É uma das minhas inquietações ou motivação, esse percurso pela Natureza. No assunto pictórico que é a paisagem existe esse referente, e tem a ver com as exposições que fiz anteriormente. Tem a ver com um percurso. Realmente a relação Homem/Natureza, para mim, é muito importante.’ – Rui Algarvio (1)

BattleField: Primeiro Acto (Bruto Homem)

Damn you, Izo…
How can you be so brutal…?
Are you brutal because you´re human?
Or is it that…
…you´re human because you´re brutal?

Izo, Takashi Miike, 2004

‘O homem-massa crê que a civilização em que nasceu e que usa é tão espontânea e primigénia como a Natureza e converte-se, ipso facto, em primitivo. A civilização parece-lhe uma selva.’  (2) 

Vivo numa zona de moinhos mas não os vejo. O aglomerado de edifícios altos não deixa espaço para os descobrir, engole-os. À noite, da janela da minha cozinha, vejo uma infinidade de luzes amarelas mas não vislumbro qualquer moinho, mas sei que estão algures por lá, quietos na sua ultrapassada e já inútil tarefa. Sei-o, também, porque é uma zona de muitos ventos, ventosa. Há zonas onde podemos ver os parques eólicos, filas de moinhos que atravessam o nosso horizonte criando pequenos aglomerados de figuras hirtas e imponentes. Quão deslumbrante seria esta zona? Ao fundo o talvegue, onde o tempo estava porque tinha de estar. E foi então que chegámos… e depois cheguei eu. – Rui Algarvio, 2012.

BattleField: Segundo Acto (Homem Bruto)

Nisto descobriram os trinta a quarenta moinhos de vento que há naquelas paragens.
Mal D. Quixote deu com os olhos neles, disse para o escudeiro:
– Estamos com sorte, muito mais sorte do que aquilo que podíamos desejar. Abre-me
os olhos e repara… repara-me para aqueles trinta e tantos desaforados gigantes! Voume a pelejar com eles e tirar-lhes a vida. (3) 

Não terei uma postura tão guerreira como D. Quixote, nem tão pouco como Izo. Sou mais contemplativo. Também me fascinam as aventuras, as viagens, os imprevistos. Imagine-se a luta que D. Quixote teria de travar nos nossos dias com os enormes postes de electricidade, os novos moinhos eólicos, as novas construções em altura. Os moinhos de vento que ele observaria seriam pequenas figuras sem importância, um pequeno grupo de soldados fáceis de vencer numa gigantesca e interminável batalha. Será que ficaria aterrado com esta nova realidade? As visões apocalípticas de John Martin transportam-nos para um imaginário fascinante e aterrador. Não é por acaso que o seu mais famoso tríptico foi feito no final da sua vida. – Rui Algarvio, 2012.

artigos sobre a obra de Rui Algarvio:

Alexandre Pomar (1)

Alexandre Pomar (2)

citações:

(1) – excerto de uma entrevista a Luís Pinheiro.

(2) – Gasset, Ortega y, A Rebelião das Massas, Lisboa, Relógio d’Água, 2007.

(3) – Cervantes, Miguel de, D. Quixote de la Mancha, Versão de Aquilino Ribeiro, Bertrand Editora

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