Are You Still Awake?

João Pedro Vale (1976), Are You Still Awake? (2002),Prova fotográfica cromogénea (C-print), Col. do artista.

João Pedro Vale (1976), Are You Still Awake? (2002),Prova fotográfica cromogénea (C-print), Col. do artista.

13.12.2012   >  30.03.2013 

Piso 1 e 2 (Museu do Chiado)

Ângela Ferreira (1958)Hotel da Praia Grande (O Estado das Coisas) 2003. Prova fotográfica positiva a cores, impressão digital a jacto de tinta. Coleção particular, Lisboa. Cortesia do MNAC – Museu do Chiado.

Ângela Ferreira (1958)
Hotel da Praia Grande (O Estado das Coisas) 2003. Prova fotográfica positiva a cores, impressão digital a jacto de tinta. Coleção particular, Lisboa. Em exposição no MNAC – Museu do Chiado, 2012-13.

artistas: 

Alexandre Estrela, Ana Hatherly, Ângela Ferreira, Carla Filipe, Ernesto de Sousa, Hugo Canoilas, João Pedro Vale, João Tabarra, Júlia Ventura, Julião Sarmento, Mauro Cerqueira, Paulo Catrica, Vasco Araújo.

núcleos: 

Género e Identidade • Pós-colonialismo: trauma e esquecimento • Revolução • Resistência e Reinvenção • Distopias e paisagem transfigurada

comissariado:

Emília Tavares  

textos:

Emília Tavares e Pedro Lapa

Link:

Museu do Chiado

João Tabarra (1966), Lake + Fool, 2000, Col. MNAC – Museu do Chiado. Inv. 2417. Doado por Cristina Guerra e Filomena Soares. Cortesia MNAC – Museu do Chiado.

João Tabarra (1966), Lake + Fool, 2000, Col. MNAC – Museu do Chiado. Inv. 2417. Doado por Cristina Guerra e Filomena Soares. Em exposição no MNAC – Museu do Chiado, 2012-13.

As relações entre arte e política são longínquas, quer sob a forma de legitimação ou de contrapoder. Ao longo do século XX, esta relação tornou-se particularmente profícua, desde a propaganda dos totalitarismos, aos movimentos de subversão e rutura como o Dadaísmo, o Surrealismo, ou o Fluxus, às correntes estéticas de denúncia como o Neorrealismo, às expressões artísticas associadas à defesa dos direitos civis e das mulheres nos anos 70, ou ainda à discriminação sexual, exponenciada pelo surgimento da Sida nos anos 80, só para citar alguns exemplos.

Paradoxalmente, estes movimentos de rutura com o sistema foram apropriados pelo mercado da arte, cuja valorização especulativa apoiada por um conjunto de mediadores, munidos de estratégias agressivas, tem dominado a produção artística até à atualidade.

A emergência de novas tipologias associadas aos meios de comunicação de massas, como a fotografia, o vídeo, o cinema, a televisão ou a internet foram determinantes na construção de diferentes linguagens artísticas rompendo com a aura da obra de arte que a distanciava do espectador, tal como previra o filósofo Walter Benjamin. Os museus deixaram de ser só espaços de contemplação e legitimação histórica da obra de arte, tendo-se tornado plataformas ativas de intervenção cultural. Com a democratização dos públicos em detrimento do elitismo cultural, o espectador ganhou um papel mais interventivo.

Em Portugal, no rescaldo da Revolução de Abril, o crítico Ernesto de Sousa, comissário da emblemática exposição Alternativa Zero (1977), denunciava a dificuldade dos portugueses em lidar com a contemporaneidade, reivindicando a necessidade de “clamar por um novo conceito em que a arte seja participação no real, no quotidiano de todos” enquanto o historiador José-Augusto França afirmava, no contexto da mesma exposição, que “a arte é sempre política”.

Na primeira década do século XXI, assiste-se a uma nova intensificação da relação entre arte e política para evocar velhas e novas problemáticas como o pós-colonialismo, as questões de género e de identidade, a injustiça e desagregação social, a especulação financeira, a destruição da paisagem, entre outras.

São estes os temas tratados nesta exposição temporária, num registo criativo, mas também de cidadania, ambicionando agir sobre a realidade, transformando-a, através da provocação, da ironia, do humor, da transgressão, do manifesto, da violência.

Algumas ausências da coleção foram colmatadas com a cedência de obras muito recentes, num diálogo constante e atualizado que o MNAC mantém com os artistas, acompanhando e divulgando a criação contemporânea nacional. – Emília Tavares, Curadora.

Júlia Ventura, Geometrical reconstructions and figure with roses, 1987, MNAC-MC. Inv. 2814, 2815, 2816. Doado por Manuel dos Santos.

Júlia Ventura, Geometrical reconstructions and figure with roses, 1987, MNAC-MC. Inv. 2814, 2815, 2816. Doado por Manuel dos Santos.Em exposição no MNAC – Museu do Chiado, 2012-13.

da exposição Are You Still Awake? no MNAC – Museu do Chiado.

vista da exposição ‘Are You Still Awake?’ no MNAC – Museu do Chiado, 2013. Em exposição no MNAC – Museu do Chiado, 2012-13.

Vasco Araújo, Botânica, 2012, Mesa de Madeira, 15 fotografias digitais, molduras de madeira e metal, Cortesia do artista e da Galeria Filomena Soares.

Vasco Araújo, Botânica, 2012, Mesa de Madeira, 15 fotografias digitais, molduras de madeira e metal. Em exposição no MNAC-Museu do Chiado, 2012-13.

Vasco Araújo, Botânica, 2012, Mesa de Madeira, 15 fotografias digitais, molduras de madeira e metal, Cortesia do artista e da Galeria Filomena Soares.

Vasco Araújo, Botânica, 2012, Mesa de Madeira, 15 fotografias digitais, molduras de madeira e metal. Em exposição no MNAC-Museu do Chiado, Lisboa, 2013.

 

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