Edward Hopper (Grand Palais, Paris)

Edward Hopper, Nighthawks, 1942, Friends of American Art Collection © Art Institute of Chicago

Esta é a primeira grande retrospectiva do pintor americano Edward Hopper (1882-1967) em Paris. Patente até 28 de Janeiro, de 2013, no Grand Palais.

Luz – solidão – poesia – silêncio – angústia – introspecção – quotidiano – américa – são algumas das palavras de ordem quando se fala de Edward HopperCada obra é como uma compilação de sonhos, de sentimentos pungentes ou puras construções mentais. Romântico, realista, simbolista: Hopper foi incluído em diversos movimentos e estilos. E, é, precisamente, essa complexidade que enriquece o seu trabalho e o que esta exposição, em Paris, tenta realçar. Curador: Didier Ottinger, director adjunto do Centre Pompidou (Paris).

As visitas de Edward Hopper a Paris foram numerosas: em 1906, pela primeira vez, tendo permanecido quase um ano, e, posteriormente, por um período mais curto, em 1909 e 1910. Foi influenciado por vários artistas que aí conheceu: por Degas e pelo princípio poético de “dramatização” do mundo; por Albert Marquet e pelos seus vários pontos de vista do rio Sena; Félix Vallotton e pela luz inspirada em Vermeer; Walter Sickert e o seu universo iconográfico urbano. Em Paris, Hopper adopta o impressionismo. A capital francesa foi, para ele, uma inspiração constante, aí descobriu cores e sombras, inexistentes em Nova Iorque e quase tudo foi tema de estudo e trabalho: ​​as escadas da Igreja Baptista, perto do seu apartamento, os barcos do rio Sena, a Pont Neuf, Notre Dame, entre muitos outros locais.

Edward Hopper, Self-Portrait 1925-30; Oil on canvas, 25 1:16 x 20 3:8 in; Whitney Museum of American Art, NY.

A seguir, uma breve reflexão de Stéphane Renault, historiador de arte, crítico, jornalista (Beaux Arts Magazine e l’Express) sobre esta exposição:

‘A pintura de Hopper toca a excelência nos domínios da forma e do mistério. Uma ode à introspecção. A Noite Interior. Atmosferas dignas de um cenário. Banhadas por uma luz  especial – a da noite americana – que o realizador francês François Truffaut homenageou no filme ‘La Nuit Américaine’ (A Noite Americana) de 1973. Das suas pinturas, Hopper gostava de dizer, “são sobre mim”. E há, também, o seu auto-retrato (1925-1930). A sua pintura parte da exploração do seu eu interior, um imenso oceano flutuante, que ele nunca parou de explorar. Ele pinta o exterior com o olhar voltado para dentro. Uma metáfora óbvia.

A sua pintura transcende as aparências e é aí que reside, precisamente, a sua força. E a propósito, Hopper numa entrevista cita Renoir: “Há algo de essencial na pintura que não conseguimos explicar”. Abrirmos, assim, nas suas pinturas uma janela e depois outra. Através, desses espaços, o nosso olhar retoma o caminho percorrido pelo pintor. As janelas são pontos de passagem. Sem vidros. Sobre isso, Hopper disse: “Sou fascinado pelos interiores urbanos, sem saber muito bem porquê. Talvez seja uma tentativa de abraçar um todo, toda a cidade, e não apenas algumas partes ou detalhes.” Somos voyeurs dessas vidas imóveis, congeladas, petrificadas. Somos espectadores impotentes desses quartos, apartamentos e escritórios povoados de solidão. Seres imersos no seu mundo, numa calma aparente, em silêncio, que nunca saberemos, realmente, se é um acto de meditação ou marca de uma angústia profunda. Montaigne escreveu nos seus ensaios: “Quem se conhece (a si próprio) conhece, também, os outros, porque cada homem transporta, em si, a forma inteira da condição humana”. Na procura de si, através da pintura, Hopper acaba por nos representar a todos.

Edward Hopper, Hotel Room, 1931 (150 Kb); Oil on canvas, 60 x 65 inches; Thyssen-Bornemisza Collection.

Edward Hopper, Hotel Room, 1931 (150 Kb); Oil on canvas, 60 x 65 inches; Thyssen-Bornemisza Collection.

There is a certain fear and anxiety

in the things that one sees

I’m after ME

Trees look like theatre at night.
It’s all cerebral invention

The loneliness thing is overdone

Freud says the devil is a woman
They are entirely human

I think it will come true,
But no one can tell when

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