Daniel Blaufuks: Utz

Vera Cortês, art agency

> 16 novembro, 2012

UTZ é o último livro de Bruce Chatwin, uma novela sobre um coleccionador de figuras de porcelana em Praga, que é incapaz de abandonar a sua amada colecção e fugir do país, apesar da sua aversão ao regime comunista.

A exposição UTZ de Daniel Blaufuks reúne vários trabalhos recentes em torno da história da Fotografia como técnica de reprodução e como objecto de criação artística. Utilizando diferentes técnicas, em parte já obsoletas, como a impressão através de luz solar (cianotipia), a estereoscopia e a polaroid, contrapondo estas com mais recentes como a impressão a jacto de tinta e a apresentação em vídeo, a exposição dialoga directamente com alguns trabalhos de fotógrafos seminais como Talbot, Niepce e Man Ray, estabelecendo assim relações com a memória da própria fotografia como prática e com a actual evolução do processo analógico para o digital, tanto na captação de imagem como na sua posterior impressão. – Daniel Blaufuks 

‘Os trabalhos desta exposição seguem duas linhas de investigação mutuamente interdependentes: uma é a obsolescência e a outra a aura. Simultaneamente fascinado e perturbado pelo desaparecimento das tecnologias fotográficas analógicas, Blaufuks revisita-as em diferentes fases da evolução histórica da fotografia com o objectivo de determinar até que ponto estas possuem aura – e tudo aquilo que a sustenta, ou seja, autenticidade. Fazendo referência a um conjunto de figuras históricas e modernistas, desde o francês Joseph Nicéphore Niépce, que viveu no século XVIII e a quem é atribuída a autoria da primeira fotografia, a Man Ray, as tecnologias utilizadas por Blaufuks vão da cianotopia à polaróide e também ao vídeo, alguns dos quais são bona fide, tal como o uso que dá ao lote de polaróides, ao passo que outras são manifestamente falsificadas, tal como acontece com os seus cianotipos manipulados de diversas formas (aqui provocativamente desnaturados, dando lugar a provas digitais desmesuradamente grandes). Em quase todos os casos, o objectivo revolve em torno de questões específicas à aura e à obsolescência, pois segundo o artista quase poderiam ser lidas como uma espécie de equação: a existência da aura é virtualmente proporcional à obsolescência da tecnologia. Digo virtualmente porque se trata tanto de uma hipótese quando de uma afirmação. (…)

(…) Por que razão é a originalidade ainda tão importante? Porque é que esta, tal como a autenticidade, ainda exerce tanto poder sobre a imaginação? E, por isso, porque é que ainda continuamos tão afeiçoados à existência da aura? Ou será a existência da aura que está ligada a nós? Todas estas e muitas mais são algumas das questões levantadas por esta exposição.’ – Chris Sharp

 (C) imagens: cortesia Vera Cortês, Art Agency, 2012.

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