As Sombras de Lisboa na Culturgest

 exposições: até 2 de setembro na Culturgest

Jef Geys, Página do livro, Todas as minhas fotografias a preto e branco até 1998. Cortesia Culturgest.

Jef Geys (Leopoldsburg, Bélgica, 1934) é um artista de referência absoluta na Bélgica e figura de culto no mundo da arte internacional. No entanto, e apesar de ter já participado na Bienal de São Paulo em 1991, na Documenta de Kassel em 2002 e na Bienal de Veneza em 2009, Jef Geys continua a ser um artista ainda pouco conhecido, facto a que não serão alheios nem a natureza idiossincrática do seu trabalho, nem o modo como, desde o final da década de 1950, ele construiu uma posição de radical independência e liberdade em relação às forças do mundo da arte e às regras do jogo instituídas nesse contexto. Em 1998, Jef Geys publicou um volumoso livro de quinhentas páginas em que compilou todas as suas fotografias a preto e branco (não estamos a falar de “fotografia artística”) até essa altura, distribuídas por centenas de provas de contacto. Curiosamente, as duas últimas provas de contacto correspondem a fotografias tiradas pelo artista em Lisboa. O trabalho agora realizado toma como material de base as trinta e seis fotografias reunidas na última prova de contacto. Curadoria: Miguel Wandschneider. 

António Palolo, OM, 1977-1978. Cortesia Culturgest.

Entre o final da década de 1960 e 1978, António Palolo (Évora, 1946-Lisboa, 2000) realizou um conjunto extraordinário de filmes e experiências em filme. Os primeiros filmes, ainda em 8 mm, são animações a preto e branco, construídas a partir de procedimentos de recorte e colagem, que associam, com humor, imagens retiradas de revistas e elementos geométricos. Entre os diversos filmes em Super 8 mm realizados a partir do início da década de 1970, incluem-se Drawings/Lines (1971), sequência rítmica de desenhos em contínuo movimento, riscados diretamente na película; Lights (1972-1976), sequência de imagens abstratas criadas a partir de experiências de manipulação da luz; ou OM (1977-1978), filme em que o pensamento abstrato se transmuta no concreto da matéria, figurando a origem das coisas e o universo incomensurável. Esta exposição é uma oportunidade imperdível para finalmente conhecer um conjunto de filmes que, salvo raras exceções, e apesar da sua enorme importância, não apenas no contexto da obra de António Palolo, mas também na história da arte portuguesa, permaneceram demasiado tempo escondidos. Curadoria: Miguel Wandschneider.

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