Balaou de Gonçalo Tocha

o realizador Gonçalo Tocha

‘arquivos contemporâneos em movimento’

Balaou (2007) – viagem de veleiro entre os Açores e a placa continental sul – é o primeiro filme de Gonçalo Tocha (n. Lisboa, 1979), um documentário de homenagem a sua mãe e com o qual ganhou dois prémios no festival Indielisboa, em 2007, e foi considerado pela Variety um dos melhores 20 filmes não estreados nos Estados Unidos. 

É exibido hoje pelas 21:30h na Malaposta, seguido de conversa com o realizador e Paulo Viveiros, açoriano e professor na Universidade Lusófona.

‘Faz agora sete meses que a Blé, minha mãe, morreu. Estou em frente do mar de S. Miguel-Açores, a terra da família distante. Encontro a tia-avó Maria do Rosário, 91 anos, à procura do seu momento para partir. Fala-me de Deus e morte. À sua volta, os bebés nascem. Durante o dia nadamos no mar da ilha, negro, vulcânico. É aqui que encontro a Florence e o Beru, um casal francês que todos os anos cruza o Atlântico no Balaou, um barco à vela. Convidam-me a continuar a viagem com eles. Mando fora o bilhete de avião e faço-me ao mar alto. Dividido em três momentos e oito lições, “Balaou” é uma viagem para aceitar o esquecimento das coisas.’ Gonçalo Tocha, 2007

O seu mais recente filme ‘É na terra não é na Lua’, um documentário, que retrata a vida da ilha açoriana do Corvo, tem reunido inúmeros prémios: foi eleito o melhor documentário do 55º Festival Internacional de Cinema de São Francisco, nos Estados Unidos; recebeu o Golden Gate Award, que equivale a cerca de 15 mil euros, para melhor documentário em longa-metragem; conquistou o prémio de melhor filme na secção ‘Cinema do Futuro’, no Festival Internacional de Cinema Independente, em Buenos Aires; recebeu a menção especial do júri no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça e ganhou o prémio para a melhor longa-metragem no DocLisboa.

O filme, com 180 minutos de duração, foi rodado entre 2007 e 2009. O realizador, que descende de micaelenses, nunca tinha estado na ilha do Corvo. Foi com uma pequena equipa que filmou a ilha e acabou por fazer uma espécie de ‘arquivo contemporâneo em movimento’, disse o realizador à Lusa. Ler aqui artigo de cinema7 sobre o filme.