“libertar as artes da tutela do estado”

Dagoberto Rodriguez e Marco Castillo, Es Baluard Museum, Palma de Mallorca, Espanha

“libertar as artes da tutela do estado” é uma das expressões usadas no orçamento de estado para a cultura. As jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vanessa Rato, do Jornal Público, entrevistaram, no passado dia 30.10.11, o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, questionando-o sobre o significado dessa expressão, a resposta foi a seguinte: ” O método de financiamento das artes tem que ser repensado com os próprios concorrentes, e temos que exigir princípios de transparência. No ICA há uma figura chamada subsídio reembolsável. Neste momento se o ICA fosse cobrar todos os subsídios reembolsáveis receberia 22 milhões de euros. Em relação às artes, o que queremos é aplicar princípios de muita transparência, tem que haver contraprova, identificação das mais valias, e queremos que, progressivamente, esses apoios decorram com facilidade, que não seja necessário todo este complexo aparelho de apoios bienais, pontuais, …”.  

É referido na mesma notícia que:

Em 2012, a Cultura sofrerá um corte de, pelo menos, 30 milhões. Há quatro meses em funções, Francisco José Viegas admite que os cortes serão “dolorosos”, mas sublinha que tentará “minimizá-los”. Trata-se de “fazer o mais possível com os meios que temos”.  

Segundo António Pinto Ribeiro (ler aqui o artigo publicado no jornal Público) nada será como antes…

Sou da opinião que os agentes culturais precisam de encontrar novos paradigmas de financiamento e experimentar outros modelos de acção. Importa não deprimir e pensar outside the box. E considero fundamental que os agentes culturais, criadores, artistas, se organizem, tenham uma voz mais forte e interventiva na sociedade portuguesa para juntos traçarem estratégias de desenvolvimento para o sector. Nada será como antes, sem dúvida, mas a cultura é da ordem do ser (parafraseando Eduardo Prado Coelho). Sejamos, então, num movimento dinâmico e afirmativo, não de estagnação.

Aqui outro artigo da Making Art Happen sobre esta temática.


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