João Onofre | Tacet

> 10 de Janeiro, 2015

Marlborough Contemporary (Londres)

João Onofre inaugurou, a 18 de novembro, na galeria Marlborough Contemporary, em Londres, a exposição individual Tacet. A mostra reúne uma série de trabalhos inéditos do artista, com destaque para apresentação do vídeo Tacet, que lhe dá nome e é inspirado pela icónica peça silenciosa 4’33” do compositor norte-americano John Cage.

Tacet é uma palavra do latim que significa “estar em  silêncio”, o novo filme de João Onofre traduz o ponto de partida para a reinterpretação da obra do compositor John Cage, que compôs 4’33” para qualquer tipo ou combinação de instrumentos musicais, mas com instruções precisas para que o seu intérprete ou intérpretes não tocassem durante os seus quatro minutos e trinta e três segundos de duração. O som que se ouve no próprio espaço de atuação ao longo do tempo pré-determinado por Cage torna-se, assim, parte integrante da composição.

O vídeo Tacet é protagonizado pelo pianista João Aboim que assinala o início da sua interpretação de 4’33” pelo fechar da tampa do teclado do piano. Porém, antes de começar a performance da obra de Cage, Aboim entra em cena e prepara o piano com fogo. A propagação do fogo pelo instrumento resulta num crepitar acentuado das chamas, cujo som invade de forma crescente o tempo da composição, bem como o espaço da ação, em contraste vibrante com o cenário clássico que é apresentado.

A exposição reúne, além do vídeo, uma série de trabalhos inéditos, entre os quais uma acquatint de grande formato, criada a partir da extração do código binário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de uma imagem.

No passado mês de junho João Onofre apresentou, também, em Londres “BOX Sized Die featuring…” (2007-2014), a obra que abriu a edição de 2014 do projeto de arte pública Sculpture in The City e esteve instalada junto ao emblemático edifício “The Gherkin”. Baseada e com dimensões idênticas – 183x183x183cm – às da escultura “Die” (1962) do artista precursor do minimalismo Tony Smith, a peça de Onofre acolheu a banda de Death Metal londrina “Unfathomable Ruination”. A banda foi convidada a atuar ao vivo dentro da escultura, hermeticamente selada e à prova de som, até esgotar o oxigénio, tornando cada uma das suas performances imprevisíveis. A obra já tinha sido apresentada em vários locais na Europa, como a ArtUnlimited na Art Basel, Palais de Tokyo, em Paris, Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA) e na Fundação de Serralves, no Porto, entre outros. Ver aqui artigo completo sobre esta escultura.


+ info:

João Onofre

Marlborough Contemporary


João Onofre nasceu em Lisboa, em 1976, onde vive e trabalha. Estudou na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e concluiu o mestrado em Belas Artes no Goldsmiths College, em Londres. Expõe individualmente em vários museus e galerias internacionais, tais como: João Onofre, I-20, New York (2001); João Onofre, P.S.1. / MoMA Contemporary Art Center, New York (2002); Nothing Will Go Wrong, MNAC, Lisboa, e CGAC, Santiago de Compostela (2003); João Onofre, Kunsthalle Wien- Project Space Karlsplatz. Wien (2003); João Onofre, Magazin 4, Bregenz (2004); João Onofre, Toni Tàpies, Barcelona (2005); Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa (2007); Fundació Joan Miró, Barcelona (2011); Palais de Tokyo, Paris (2011) .

Participou de inúmeras exposições coletivas, entre as quais se destacam: Plateau of Humankind – The 49th Venice Biennale, Human Interest no Philadelphia Museum of Art, Philadelphia; Performing Bodies, Tate Modern, Londres; Youth of Today, Schirn Kunsthalle em Frankfurt; Video, An Art, A History 1965-2005 New Media collection no Centre Pompidou, Sydney-Contemporary Art Museum, Fundació La Caixa em Barcelona e Taipei Fine Art Museum.

A sua obra está representada em colecções públicas e privadas em todo o mundo, tais como: Museum of Contemporary Art, Chicago; Albright-Knox Gallery, Buffalo, New York; Centre Georges Pompidou – MNAM/CCI, Paris; The Weltkunst Foundation, Zurich; La Caixa, Barcelona; MACS – Museu de Serralves, Porto; CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; MNAC – Museu do Chiado, Lisboa; GAM – Galeria D’Arte moderna e contenporanea, Torino; Centre National des Arts Plastiques, Ministère de Culture, Paris.

A Marlborough Contemporary abriu portas em outubro de 2012 na Albemarle Street, em Londres, e é dirigida pelo Professor Andrew Renton que foi, também, o responsável pela selecção de um portefólio de artistas contemporâneos de relevo, com o compromisso de apresentar expressões artísticas singulares e audaciosas do século XXI. A Marlborough Contemporary complementa o trabalho da Marlborough Fine Art, uma galeria especializada nos grandes mestres dos séculos XIX e XX, com a representação de artistas como Jason Brooks, Koenvan den Broek e Adam Chodzko. Trabalha desde a sua fundação com os portugueses João Onofre e Ângela Ferreira.

(C) imagens cortesia do artista e Marlborough Contemporary.

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