Curatorial Clube: Zona de Arte de Felipe Ehrenberg

O Curatorial Clube é um projecto expositivo online de autoria do curador Bruno Leitão. O espaço de apresentação é a internet, o enquadramento é o de uma lente de 50 mm. A proposta é a concepção de projectos curatoriais a partir desses limites. É lançado um convite a um curador que, por sua vez, convida um artista a realizar uma performance, uma acção, ou a criar uma obra de arte no espaço público. Não é necessário público durante a realização desse trabalho e a documentação fotográfica, bem como uma descrição factual não interpretativa do sucedido, será a única forma de ter acesso à acção: a posteriori dentro do contexto de um website. A documentação fotográfica não é a obra do artista, como é realizada por um curador ou terceiros, é apenas documentação. Os convites são destinados a curadores que desenvolvam uma práctica de trabalho aprofundada com artistas e que privilegiem projectos curatoriais específicos. Não existe, na eleição dos convidados, uma premissa relativa à idade, nacionalidade ou percurso. São, no entanto, privilegiados artistas e comissários que já tenham tido uma relação de trabalho anterior. O espaço público é um dos requisitos, a partir de uma perspectiva de envolvência política com o contexto em que insere. A própria concepção do projecto estrutura-se como um exercício de crítica institucional, de negação do espaço expositivo, museológico ou galerístico. Cada um dos projectos procura reflectir sobre a relação entre o efémero e o registo, assim como o sobre o seu potencial expositivo.

Zona de Arte de Felipe Ehrenberg com curadoria de Marta Ramos-Yzquierdo é o mais recente projecto convidado do Curatorial Clube. O primeiro foi da responsabilidade de João Ferro Martins, o segundo de Miguel Palma, ambos com curadoria de Bruno Leitão, e o terceiro de Fermin Jimenez Landa, com curadoria de Ángel Calvo Ulloa.

A proposta, deste quarto projecto do Curatorial Clube, consistiu na actualização da Zona de Arte (donde cualquer cosa puede pasar!!!) nas ruas de São Paulo, esta peça foi apresentada em duas ocasiões no México, em 1973 e 1976. Como forma de se despedir da cidade que o acolheu durante mais de dez anos, o artista lançou uma convocatória, através do Facebook e da revista Vitruvio, para poder ver esta acção num dos pontos mais concorridos da cidade brasileira: ‘Urgente!!! Chamando Pessoas Curiosas’

Felipe Ehrenberg convida pessoas curiosas – só pede curiosidade – para assistirem por apenas alguns minutos, à sua obra Zona de Arte (Onde qualquer coisa pode acontecer!!!), interpretada por Carol Quintanilla, com um elenco de centenas de crianças, mulheres e homens. Bem-vindos à realidade (mais uma) Onde qualquer coisa pode acontecer!!!

Nestes quatro momentos, o artista, vestido com as suas roupas de trabalho, coloca um cartaz com a frase “ZONA DE ARTE”, delimitando conceptualmente a acção que decorre nesse período de espaço e tempo, definido-a como obra de arte.

Como parte do conjunto daquilo a que designa como “Partituras Visuais”, obras que seguem o modelo de uma partitura musical: Ehrenberg escreve uma série de indicações (as notas) para serem usadas por outros artistas, noutros momentos e lugares, deixando abertas a sua execução e as possibilidades de interpretação para os novos autores. Nesta ocasião, o material documental será usado para a interpretação de “Zona de Arte (onde qualquer coisa pode acontecer)!!)” como Partitura Visual por Carol Quintanilla, que, também, fotografa a acção.

Felipe Ehrenberg (México 1943). Artista, cronista, arquivista, professor, político, diplomático, editor, actor, viajante incansável, define-se como “neologista”: uma obra de arte viva. Fundador da editora dissidente Beau Geste Press e co-participante no movimento Fluxus durante a sua residência em Inglaterra (1968-1976), foi fundamental a sua participação na posterior criação dos primeiros grupos de arte conceptual no México. A sua obra lida com questões essenciais da pós-modernidade, relacionadas com a construção de subjectividades: sistemas de informação, burocráticos e institucionais e, fundamentalmente, com a imagem e contexto do seu país natal.

Entre 2001 e 2006 foi adido cultural do México no Brasil, instalando-se durante treze anos mais na cidade de São Paulo. Em 2008, inaugurou a sua primeira exposição retrospectiva “Manchúria – visão periférica” exposta na Cidade do México, no MOLAA de Los Angeles e na Estação Pinacoteca de São Paulo. Em Setembro de 2014 volta a residir no México.

Marta Ramos-Yzquierdo Esteban é Historiadora de Arte pela Universidad Complutense de Madrid, Mestre em Gestão Cultural pelo Instituto Ortega y Gasset e licenciada em Comunicação Institucional pela Universidade De Los Andes de Santiago de Chile. Em 2003, muda-se para a América do Sul, vivendo primeiro no Chile, onde colaborou com o MAC de Santiago, no Centro Cultural de España, no MAVI e na Universidad de los Andes, onde foi professora de “Marketing aplicado a proyectos culturales” dentro do Master en Gestión del Patrimonio Histórico. Desde 2009, reside no Brasil, onde foi directora da Baró Galeria e uma das directoras do PIVÔ entre agosto de 2012 e Julho de 2013. Como curadora realizou vários projectos em São Paulo, Madrid e Bogotá. Desde Julho de 2014, coordena em colaboração com Maria Iñigo Clavo, o grupo de investigação e projectos “La Historia en display” (WT), que reúne uma equipa multidisciplinar de artistas, curadores, historiadores, antropólogos, arqueólogos, entre outros. Colabora como crítica nas revistas A-desk de Barcelona e Artishock do Chile.

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