Ilha de São Jorge em Veneza (2014)

 

6 de Junho – 6 de Julho de 2014 (Veneza)

Ilha de San Giorgio Maggiore, Veneza | Piccolo Teatro Hall, Fondazione Giorgio Cini

Artistas: Suleimane Biai + Filipa César, Filipe Branquinho + Tiago Correia-Paulo + Rui Tenreiro, Mónica de Miranda, Irineu Destourelles, Kiluanji Kia Henda, Kwame Sousa + René Tavares

Curadores: Beyond Entropy Africa  | Paula Nascimento, Stefano Rabolli Pansera

Na próxima quinta-feira, 5 de Junho, Beyond Entropy inaugura a exposição ‘Ilha de São Jorge’, na mesma altura em que a ilha de San Giorgio Maggiore, em Veneza, será virtualmente transformada numa ilha extraterritorial, exibindo vídeos de Suleimane Biai + Filipa César, Filipe Branquinho + Tiago Correia-Paulo+Rui Tenreiro, Mónica de Miranda, Irineu Destourelles, Kiluanji Kia Henda e Kwame Sousa + René Tavares. Uma série de curtas-metragens irão documentar como é que a modernidade foi absorvida nas cinco repúblicas africanas de expressão portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O projecto inclui a publicação “Ilha de São Jorge”, editada por Paula Nascimento, Stefano Serventi e Ana Vaz Milheiro, uma colecção de textos que prolonga a investigação iniciada com ‘Beyond Entropy Angola’ (2012) e ‘Luanda, Cidade Enciclopédica’ (2013), enriquecendo, simultaneamente, o tema específico da Bienal de Arquitectura de 2014: ‘Absorvendo a Modernidade: 1914-2014.’

Beyond Entropy propõe uma reflexão sobre a maneira como a modernidade foi concebida, desenvolvida, construída, habitada, absorvida e por vezes rejeitada nestes países, produzindo um modelo de condições urbanas que podem colocar novas perspectivas sobre o desenvolvimento urbano e o discurso arquitectónico nestas regiões.

Com o vídeo “Uma Cabana”, Suleimane Bial e Filipa César imaginam a construção de um edifício como uma experiência e um ritual para a articulação da memória e a sua inscrição no actual contexto social e político da Guiné-Bissau. O filme “Concrete Affection” de Kiluanji Kia Henda baseou-se no livro do escritor polaco Ryszard Kapuściński: “Mais Um Dia de Vida”, 1975. Kia Henda investiga o vazio da cidade após a partida dos portugueses, trazendo à ribalta a arquitectura ímpar de Luanda. O vídeo de Mónica de Miranda intitulado “Hotel Globo” conta a história da diáspora angolana, ao mesmo tempo que se focaliza num hotel modernista no centro de Luanda. Com “Mionga House”, os artistas Kwame Sousa e René Tavares exploram as características da comunidade da ilha sul de São Tomé. O projecto de Irineu Destourelles tem como objectivo desenvolver as relações entre a matriz do contexto sociocultural envolvente, o património construído e a organização do tecido urbano contemporâneo na cidade de Mindelo, Cabo Verde. Os filmes que compõem “Viagem ao Centro de Capricórnio” de Filipe Branquinho, Tiago Correia-Paulo e Rui Tenreiro propõem uma leitura poética e surreal da arquitectura colonial e contemporânea na cidade de Maputo, Moçambique.

O legado edificado do império português atravessa o discurso pós-colonial que procura explicar o desenvolvimento do moderno estado-nação da África de expressão portuguesa. É com esta relação histórica e linguística em mente que ‘Ilha de São Jorge’ é criado temática e estruturalmente. Embora geograficamente distante, estes países partilham um património entre si, bem como com Portugal. As cidades e formas urbanas são o resultado de métodos, técnicas e procedimentos que podem ser articulados com um passado histórico comum associado a uma matriz portuguesa, embora profundamente relacionados com especificidades geográficas, culturais e tradicionais. Este património pós-colonial partilhado torna relevante o desenvolvimento de um discurso coerente sobre as maneiras semelhantes como estes países declinaram ou absorveram a arquitectura modernista. Combinando pela primeira vez o discurso arquitectónico, não só destaca as suas relações com Portugal como, mais importante ainda, destaca as relações internas, muitas vezes negligenciadas, que contribuíram para o desenvolvimento de um discurso modernista.

A publicação, editada por Paula Nascimento, Stefano Serventi e Ana Vaz Milheiro segue a mesma linha temática da exibição. Dividida em cinco secções: Objectos, Edifícios, Cidades, Paisagens e Visões, inclui textos criativos, imagens e estúdios académicos realizados por arquitectos, investigadores e artistas que acompanham a exibição e enriquecem a sua missão de curadoria.

Beyond Entropy é um estúdio de investigação que realiza projectos de arquitectura e urbanismo. Utiliza o conceito de Energia como uma ferramenta para conceber novas formas de arquitectura além da retórica de sustentabilidade e opera em termos globais em três territórios: em África, na Europa e no Mediterrâneo.

+ info:

Beyond Entropy

La Biennale di Venezia – 14. Mostra Internazionale di Architettura

 

 Tradução do inglês: Manuela Parada Ramos, revista por Celina Brás

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