Interferências (mostra de novos artistas)

Galería Nuble (Santander, Espanha)

A Galeria Nuble apresentou a nova edição do seu programa expositivo ‘Interferências’. Este programa tem como objectivo principal a apresentação de jovens artistas a partir de um projeto de exposições individuais que mantenham um vínculo de união.

Esta quarta edição de ‘Interferências’ teve por título Proyecciones temporales, uma proposta dos artistas Ignacio Chávarri (Madrid, 1982), Jimena Kato Murakami (Lima, 1979) e Pedro Magalhães (Porto, 1975), que abordam este programa a partir de práticas artísticas diferentes realizando três mostras individuais nas quais um segundo artista intervém com uma acção pontual no espaço da exposição. Esta confrontação/diálogo desenvolve-se dentro de um território que une os elementos comuns da obra dos três artistas assim como os distintos meios que estes utilizam para a realização das suas criações. Em Proyecciones Temporales, os artistas propõem o uso dos materiais e das imagens como fragmento, como vestígio/parte de um todo, passado de uma história anterior, por forma a criar uma nova construção a partir desses fragmentos.

Na última exposição (26 de Abril a 5 de Maio), Proyecciones Temporales 03, Pedro Magalhães aborda o universo do car tuning em Portugal, uma atividade considerada ilegal neste país. A cultura tuning está associada a questões de identidade, podendo ser lida como uma extensão estética do indivíduo e da sua personalidade através de um conjunto de alterações que vão desde o interior até o exterior do carro, imprimindo neste objecto as idiossincrasias do seu proprietário. Todos os extras escolhidos irão permitir que o carro tenha um comportamento e aspecto diferentes, tornando algo que é produzido em série em algo exclusivo, através de um processo “faça você mesmo” como se de uma engenharia vernacular se tratasse. As concentrações tuning retratadas nesta série são espaços de desafio de limites e de excentricidade, em regra deslocados dos grandes centros urbanos, onde uma subcultura exibe estéticas e gostos que extrapolam os padrões de escolha e preferência predominantes, pondo em evidência o resultado de uma lapidação pessoal de um objecto na procura incessante de uma superação do banal e da afirmação carismática. 

Por outro lado,  Ignacio Chávarri altera subtilmente, como elemento de interferência,  a iluminação da sala de exposição instalando umas linhas de LED de cor azul eléctrico que reforçam o desenho arquitectónico de uma parte da galeria. Assim, incluí um elemento próprio do tuning no espaço expositivo sem intervir de uma maneira objetual. 

Pedro Magalhães vive e trabalha no Porto, a sua prática artística é fundamentalmente fotográfica. O seu trabalho recente centra-se em diferentes aspectos da (sub)cultura popular, e é o resultado da investigação e trabalho de campo em torno de atividades como a patinagem artística ou o tuning. Também trabalha com fotografias da sua vida quotidiana para construir narrativas que exploram a noção de memória.

Ignacio Chávarri (Madrid, 1982) é licenciado em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid. Entre os seus projetos destaca a exposição colectiva ICEBERG no Matadero Madrid na qual participa como comissário e artista, a exposição colectiva “Lejos de Casa” comissariada por Virginia Torrente na Galeria MasART de Barcelona e o solo project na galeria Raquel Ponce de Madrid “Después de ahora” comissariado por Bernardo Sopelana. Colaborou com o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía com o seminário “Construir universos com Ignacio Chávarri” e pertence ao Archivo de Creadores de Matadero Madrid.

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Ignacio Chávarri

Pedro Magalhães

Galería Nuble

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