Felipe Oliveira Baptista @ MUDE

MUDE – Museu do Design e da Moda (Lisboa)

> 16.02.2014

Concebida como uma instalação, a exposição propõe uma imersão no universo criativo de Felipe Oliveira Baptista, fugindo de um discurso cronológico, fechado e linear. A cenografia, desenhada pelo Bureau Betak, um espaço caleidoscópico, com espelhos que intersetam a galeria em diferentes ângulos e direções, oferece uma leitura multifacetada sobre o seu trajeto e obra desde que foi reconhecido com o Grand Prix do Festival d’ Hyères (2002). O resultado é um lugar que vive entre o real e a ficção, o objeto e a sua imagem, traduzindo o próprio universo cénico, performativo e metamórfico da moda.

Espelho da mente (A Screen to the Brain) é a peça central da exposição. Um cérebro tecnológico que projeta, de forma compulsiva e aparentemente aleatória, imagens, desenhos, colagens, fotografias e notas, juntamente com desfiles e editoriais, permitindo viajar pelo imaginário de Felipe Oliveira Baptista, ao mesmo tempo que dá pistas para a compreensão das peças em exposição e do processo criativo de cada coleção. Esta instalação, desenhada por Alexandre de Betak e produzida pelo Bureau Betak, foi criada para o 28º Festival Internacional de Moda e Fotografia em Hyères e foi apresentada de abril a maio de 2013, no Centro de Arte da Villa Noailles.

Em torno deste cérebro, o trabalho de Felipe Oliveira Baptista é apresentado em 12 instalações que evidenciam 5 temáticas persistentes no seu percurso: proteção; novos uniformes e roupa de trabalho; revisitando os clássicos; geometrias variáveis; tecnologia vs natureza. Através destes núcleos, manifesta-se a singularidade e autenticidade, a coerência e qualidade do trabalho desenvolvido durante mais de 10 anos. A exposição mostra ainda a particular sensibilidade arquitetónica de Felipe Oliveira Baptista e a forma como tem reinterpretado as suas raízes portuguesas, afirmando ao mesmo tempo uma identidade universal.

Espelho da Mente

O ponto de partida do processo criativo de Felipe Oliveira Baptista é uma recolha constante de imagens tão diversas como expressivas, de arquitetura, artes plásticas, fotografia, ficção científica, história, dança, cinema, música, literatura, natureza e tecnologia. O resultado desta pesquisa é um complexo atlas de imagens que ganha forma nas paredes do ateliê e nos cadernos de esquiços, sendo agora materializado neste cérebro tecnológico, que recorre a alta tecnologia mas com uma estética intencionalmente manual e táctil, tal como a obra do próprio Felipe Oliveira Baptista. Muitas das fotografias projetadas foram captadas pelo próprio, mostrando o seu olhar face ao mundo que o rodeia. As texturas, cores, formas ou estruturas espelham também a sua sensibilidade, ajudando a ler as diferentes coleções apresentadas.

Neste atlas, os encontros inesperados são constantes. Aqui encontramos, por exemplo, Louise Bourgeois, Andreas Gursky, Diane Arbus, Helmut Newton, JG Ballard, Pina Baush, Richard Avedon, Brian Jungen, Charles Fréger, Helena Almeida, Álvaro Siza Vieira, Banksy, Naum Gabo, Thomas Ruff, Stanley Kubrick ou Marcel Breuer, em paralelo com exploradores, esquimós, toureiros, aviadores e aviões supersónicos, mineiros ou astronautas, wrestlers mexicanos, punks, top models, avós ou sem abrigo, lado a lado com inúmeras referências animais. Multiplicam-se ainda as alusões à arquitetura e ao modo como as diferentes artes trataram a relação entre o corpo e o espaço, para além de notas sobre a utopia e distopia moderna. Este cérebro tecnológico organiza-se em grupos, de quatro ecrãs cada, dedicados às diferentes coleções apresentadas por Felipe Oliveira Baptista.

Este atlas constitui um arquivo pessoal que importa conhecer por serem uma fonte preciosa de informação sobre a obra e o processo criativo de Felipe Oliveira Baptista. O Espelho da Mente foi desenhado, produzido e financiado por Alexandre de Betak para o Bureau Betak.

Biografia:

Felipe Oliveira Baptista, nasce em Portugal, em 1975. Em 1997, forma-se em design de moda na Kingston University, em Londres. Entre 1997-2001, trabalha como designer para a Maxmara, Christophe Lemaire e Cerruti. Em 2002, recebe o grande prémio do Festival d’Hyères. No ano seguinte (2003) recebe o prémio ANDAM / LVMH e lança a sua marca Felipe Oliveira Baptista. Em 2005, é novamente premiado (Prémio ANDAM / LVMH) e realiza o seu primeiro desfile no decorrer das apresentações de Alta-Costura, da semana de moda de Paris. Em 2006, cria a coleção cápsula para a UNIQLO. Em 2007, inaugura uma exposição no MUDAM – Musée d’Art Moderne, Luxemburgo. Nike «AW77» é um projeto e exposição realizado em 2008, neste ano participa no Festival d’Hyères: exposição/ instalação, lança uma linha de acessórios e é convidado a expor em Shangai, pela Fédération Française de la Couture. Em 2009, realiza o primeiro desfile de pronto a vestir na semana da moda de Paris e expõe em São Paulo convidado pela Fédération Française de la Couture. Em 2010, lança a coleção cápsula FOB by Felipe Oliveira Baptista (SS 11) e é nomeado diretor criativo da Lacoste.

+ info:

Felipe Oliveira Baptista

MUDE – Museu do Design e da Moda (Lisboa)

(C) Fotografias: © MUDE, 2013, Fernando Guerra.

Textos: Cortesia MUDE – Museu do Design e da Moda (Lisboa).

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