Amalia Pica | Memorial for intersections

Amalia pica

A Kunsthalle Lissabon apresenta a primeira exposição da artista argentina Amalia Pica em Portugal.

09.11 (2013) > 02.02 (2014)

Recorrendo a diversos formatos, desde os mais objetuais, como escultura, fotografia ou desenho, aos mais imateriais ou efémeros, como textos, intervenções no espaço público ou performance, a prática de Pica tem utilizado motivos como megafones, microfones, antenas, bandeiras, entre outros, que estão ligados a ações como falar, gravar, receber, ou apresentar, desenvolvendo assim uma reflexão sobre a forma como comunicamos e passamos informação a outras pessoas.

Em A∩B∩C, projeto que Pica apresentou no início deste no Museu Tamayo, na Cidade do México, e mais recentemente na Herald St, a sua galeria em Londres, um conjunto de performers pegam em formas geométricas de acrílico colorido que se encontram alinhadas ao longo das paredes do espaço expositivo e formam uma composição em frente ao público. As composições assim criadas não são determinadas previamente por Pica, que apenas estabelece como regra que nenhuma forma de acrílico possa ser movida individualmente. Esta regra está relacionada com o campo da matemática conhecido como teoria dos conjuntos, teoria que está na génese do nome peça: os locais onde A e B se intersetam e onde B e C se intersetam, ou seja, onde as peças de acrílico se cruzam pela ação dos performers. A∩B∩C funcionava assim como uma manifestação performativa dos diagramas de Venn que Pica usou também em Venn Diagrams (Under the Spotlight), trabalho que apresentou em 2011 na Bienal de Veneza e que investigava um episódio específico na história da utilização de tais diagramas: a proibição da sua utilização, durante a ditadura argentina de 1976-1983.

Pica especula que tal proibição se deveu ao facto de eles permitirem a visualização, e representarem, o conceito de cooperação. Durante a apresentação de A∩B∩C no Museu Tamayo, as performances foram documentadas fotograficamente em filme a preto e branco, médium inadequado para registar as cores das formas de acrílico, bem como das suas interseções. São estas fotos que estão na origem do conjunto de esculturas agora apresentado pela primeira vez em Memorial for intersections. Constituindo-se como exercícios de subjetividade, uma vez que Pica tem que imaginar as cores das formas, irremediavelmente perdidas no processo de documentação, estes memoriais sugerem histórias de vanguardas e abstrações, de criação e queda de utopias. São memoriais a momentos efémeros, a episódios e imagens que duraram apenas segundos, onde as formas não apenas representaram como criaram, efetivamente, a cooperação entre indivíduos.

Amalia Pica nasceu em Neuquén, Argentina em 1978. Vive e trabalha em Londres. Uma seleção das suas exposições individuais inclui: Herald St, Londres (2013); Galerie Johann Konig, Berlim (2013); List Visual Arts Center, MIT e Museum of Contemporary Art (MCA) Chicago (2013); Kunsthalle St Gallen (2012); Modern Art Oxford (2012); Chisenhale Gallery, Londres (2012); University of Michigan Museum of
Art, Ann Arbor (2011); Microphones, SKOR, Inkijk, Amsterdão (2011); Malmo Konsthall, (2010); Galerie Diana Stigter, Amesterdão (2010); ALONGSIDE (two person with Leonor Antunes) MARC FOXX, Los Angeles (2009); Robinson Crusoe, Centro Cultural Montehermoso, Vitoria-Gasteiz (2008). Uma seleção das exposições coletivas em que participou inclui When Attitudes Became Form Became Attitudes, Museum of Contemporary Art Detroit e CCA Wattis, São Francisco (2013); Artificial Amsterdam, de Appel Arts Centre, Amsterdão (2013); Ruins in Reverse, Tate Modern Project Space, Londres e Museo de Arte de Lima (2013); Au Loin, une ile!, Foundation Ricard, Paris e FRAC Bordeaux (2012); ILLUMInations, 54ª Bienal de Veneza (2011); Unresolved circumstances: video art from Latin America, The Museum of Latin American Art, Long Beach (2011); Weltraum/Space, About a Dream, Kunsthalle Wien, Viena (2011); Testing Ground, Zabludowicz Collection London, Londres (2011); With Words Like Smoke, Chelsea Space, Londres (2010); Buen viaje, Hayward Gallery, Londres (2010); Every version belongs to the myth, Project Arts Center, Dublin (2009); Pete and repeat, Zabludowicz Collection project space, Londres (2009); Word Event Kunsthalle Basel, Basileia (2008); Drawing typologies, Stedelijk Museum, Amsterdão (2007). Foi recentemente, selecionada para o prémio Future Generation Art Prize 2012, um dos prémios internacionais para artistas emergentes mais importante.

(C) Texto e imagem: Cortesia de Kunsthalle Lissabon

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