EPEA @ Carpe Diem Arte Pesquisa

Catarina Botelho | João Grama | José Pedro Cortes

Carpe Diem Arte Pesquisa (Lisboa)

> 17 de agosto (2013) 

O European Photo Exhibition Award (EPEA) é uma parceria entre a Fondazione Banca del Monte di Lucca (Itália), a Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), a Fritt Ord Foundation (Noruega) e Körber-Stiftung (Alemanha). Um prémio que visa contribuir para a criação de um espaço de diálogo onde temáticas socialmente relevantes, sobre a Europa, sejam exploradas e discutidas. 

O prémio evidencia o trabalho de jovens fotógrafos emergentes que vivam e trabalhem na Europa e que se encontrem ainda numa fase inicial das suas carreiras. Os curadores Rune Eraker (fotógrafo, Oslo), Sérgio Mah (curador e sociólogo, Lisboa), Enrico Stefanelli (director artístico Lucca Foto Fest, Lucca) e Ingo Taubhorn (curador do Haus der Photographie, Hamburgo) escolheram os fotógrafos participantes e seguiram o seu processo de trabalho. Sérgio Mah convidou Catarina Botelho, João Grama e José Pedro Cortes para desenvolverem o tema: ‘Identidades Europeias’. O resultado pode ser visto na exposição patente no Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa, até ao próximo dia 17 de agosto.

A primeira exposição, deste projecto, teve lugar na Haus der Photographie em Hamburgo (Alemanha), em Maio de 2012. À qual se seguiu Paris (França), durante a Paris Photo 2012, e Lucca (Itália) no Lucca Photo Fest 2012. Em 2013 realizou-se em Oslo (Noruega).

Catarina Botelho | O tempo e o modo

© Catarina Botelho, O Tempo e o Modo (2012)

“Para o EPEA, Catarina Botelho realizou a série O tempo e o modo, composta por sete imagens realizadas num Hamam (termo árabe para banho) em Istambul. (…) a fotógrafa focou-se na representação de vários objectos simples e banais, embalagens, baldes e cestos em plástico e vassouras, utilizados diariamente nas actividades do Hamam. O tom geral é de uma certa intemporalidade, como uma evocação de espaços e práticas que perduram desde o século XV. Pela ausência de pessoas e pela forma como os objectos são isolados sobre o fundo da pedra que reveste o chão e as paredes do Hamam, a imagem tende a conduzir a nossa percepção para as características formais, cromáticas e tonais dos objectos e a sua colocação neste cenário dominado pela pedra, ou seja, quadros que num certo sentido promovem um confronto entre a condição efémera, frágil e vulgar destes objectos, e a durabilidade, resistência e nobreza da pedra, no qual se foram sedimentando vários momentos da história, como um espaço marcado por múltiplas temporalidades.” – Sérgio Mah

Catarina Botelho licencia-se em pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 2004. Frequenta o curso avançado de fotografa do Ar.Co em 2007 e em 2008 integra o curso de Fotografa do Programa de Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian. Expõe, regularmente, desde 2005. Do seu percurso destacam-se os seguintes momentos: em 2007, ganha o prémio BES Revelação e expõe na Fundação de Serralves, no Porto; nesse mesmo ano apresenta a sua primeira individual na Galeria Módulo em Lisboa; em 2009, realiza a exposição Dias Úteis na Rua Anchieta 31, Lisboa; em 2010 é selecionada para a Plat(T)form 10 no Winterthur Museum e realiza uma residência artística na Budapest Gallery/Cml; em 2011 é nomeada para o prémio EDP Novos Artistas. Em 2012, é nomeada para o European Photo Exhibition Award a ter lugar na Haus der Photographie em Hamburgo e vence a convocatória aberta da Galeria espanhola Elba Benitez, realizando uma exposição individual na PhotoEspaña 2012; em 2013 é uma das artistas residentes na FAAP em São Paulo.

João Grama | Ropes

© João Grama, da série Ropes, 2012.

© João Grama, da série Ropes, 2012.

Entre a vila de Sagres e Vila do Bispo situa-se uma comunidade piscatória muito especial, dedicada à apanha de percebes. Esta pequena comunidade, conhecida por ser uma das últimas com ligações a esta rara iguaria do mar, mantém-se viva há cerca de pelo menos 3 gerações, embora existam registos arqueológicos que assinalam a existência deste marisco na cultura local há já alguns séculos. O perfil desta faixa costeira é composto maioritariamente de penhascos e falésias, nalguns casos com mais de 100 metros de altura. É um trabalho difícil e bastante arriscado, exigindo a estes marisqueiros uma enorme dose de coragem, conhecimento e a sábia utilização de cordas, uma das suas ferramentas de trabalho mais importantes. Estas cordas são utilizadas para descer e permitir o acesso ao mar, deslocarem-se entre rochas e encontrar estabilidade na perigosa zona de rebentação – habitat natural predilecto dos percebes. As imagens expostas no Carpe Diem representam parte da minha participação no European Photography Exhibition Award, um convite da Fundação Calouste Gulbenkian e do curador Sérgio Mah. – João Grama

João Grama (1975) estudou fotografa no Ar.Co – Centro de Arte & Comunicação Visual em Lisboa. Trabalha com fotografa, video e filme. Exibe em Portugal desde 2007, tendo em 2012 exposto individualmente no Espaço Arte Tranquilidade. Nomeado para os Prémios Anteciparte em 2010, foi convidado em 2011 para participar nos European Photo Awards. O seu trabalho está representado em várias colecções privadas de arte em Portugal.

José Pedro Cortes | Costa

Costa, um subúrbio onde se localiza uma das zonas de praias mais frequentadas pela população desta área metropolitana. Uma zona com focos de precariedade social, urbanística, um lugar em que a economia do lazer e as políticas de requalifcação urbana não têm sido suficientes para suprimir a vulnerabilidade social, arquitectónica e ambiental. Estas imagens sugerem um percurso físico (mas também mental e crítico) feito pelo fotógrafo por vários locais da Costa. Imagens com uma estranha luminosidade que atravessa estas imagens, uma luz excessiva e misteriosa que confere a estes espaços um ambiente desconcertante e irreal, como algo visto no decurso de um estado hipnagógico que incita o espectador a um jogo sugestivo e paradoxal entre a experiência individual e a consciência pública, entre a factografia e a imaginação. – Sérgio Mah

Estas imagens falam sobre uma faixa que existe entre o último trecho de civilização e a praia. Casas rudimentares, abandonadas, com pouca razão de existir; uma arquitectura fora de tempo, sujidade vinda com a maré, aglomeração de objectos e ruas intemporais, um local periférico e de fim de linha. Uma zona de fronteira, de fim de uma massa maior, desfigurada pelo tempo e pela anárquica vontade do homem. – José Pedro Cortes

José Pedro Cortes (Porto, 1976) frequentou o Ar.co e, em 2004 terminou o Master of Arts in Photography no Kent Institute of Art & Design (Reino Unido). Em 2006, após 3 anos a viver em Londres, regressou a Lisboa para fazer o Programa Gulbenkian de Criatividade e Criação Artística (Fotografia). Em 2005 foi selecionado para o Photo London Emerging Artists Presentations e, em 2006, fez parte da exposição comissariada pela Getty Images, New Photographers 2007. Expõe, regularmente, desde 2004, sendo de destacar as exposições individuais no Museu da Imagem de Braga (“I will not reveal you”, 2006), no Centro Português de Fotografa (“Silence”, 2006), na White Space Gallery (“José Pedro Cortes: Photography + Video”, 2006, Londres), Módulo – Centro Difusor de Arte (“Like an empty yard”, 2008 e “Moi, un blanc”, 2011) e as exposições colectivas no Deichtorhallen Hamburg e Centre Gulbenkian Paris (“European Photo Exhibition Award”, 2012) ou Bes Art e Finança (“Paisagem e abstração”, 2010). Em 2011, participou no projecto European Photo Exhibition Award (comissariado por Sérgio Mah), sendo um dos 3 artistas portugueses escolhidos para realizar um trabalho sobre o tema de “Identidade Europeia” – trabalho exposto em 2012 e 2013 nos museus Deichtorhallen Hamburg, Centre Gulbenkian Paris, Fondazione Monte di Luca (Itália) e Oslo Peace Center (Noruega). Em 2012 participou no projecto European Eyes on Japan, sendo um dos dois fotógrafos europeus a serem convidados pela EU-JAPAN Fest para realizarem um trabalho numa prefeitura Japonesa. Este trabalho foi publicado em livro e exposto em Maribor (Capital da Cultura 2012) e será posteriormente exposto em Tóquio (2013). Em 2006 publicou o primeiro livro, “Silence” e, em 2011, “Things here and things still to come” (ambos pela Pierre von Kleist editions). É fundador e co-editor da Pierre von Kleist editions, tendo já editado 13 livros de fotografa.  O seu trabalho está representado nas colecções do BES Art, Fundação PLMJ e Colecção Nacional de Fotografa/ Centro Português de Fotografia.

(C) imagens: Cortesia de Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa, 2013.

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