Antje Ehmann | Harun Farocki: Labour in a Single Shot

Labour in a Single Shot, detalhe da instalação © 2013 DMF Direitos Reservados.

Labour in a Single Shot, detalhe da instalação © 2013 DMF Direitos Reservados.

@ Lumiar Cité (Lisboa)

> 16.06.2013

Labour in a Single Shot é um projeto de Antje Ehmann e Harun Farocki em colaboração com Alice Creischer, Andreas Siekmann e trinta e seis artistas ou colectivos de seis cidades diferentes, debruçado sobre o tema do trabalho. Uma coprodução entre a Maumaus e o Goethe Institut Portugal, no âmbito da parceria para o Programa Internacional de Residências da Maumaus.

No próximo dia 6, pelas 18h: visita guiada à exposição por Bruno Leitão.

Nos seminários que Harun Farocki dirigiu em várias cidades do mundo, os participantes foram desafiados a desenvolver projectos sobre o tema do trabalho em formato vídeo, que constassem de um único plano com duração limitada. Segundo o conceito de Antje Ehmann e Harun Farocki, esta exposição resulta numa instalação composta por uma selecção desses projectos, incluindo os do grupo de Lisboa, e pictogramas da autoria de Alice Creischer e de Andreas Siekmann. Um dos elementos centrais da instalação é dedicado ao filme dos irmãos Lumière ‘Sortie des usines Lumière’ (1895), que documenta uma cena de trabalhadores a saírem do local de trabalho. A inclusão desta obra fundadora do cinema enquadra um bloco de trabalhos que resultam de leituras atuais da situação documentada.

Labour in a Single Shot, detalhe da instalação © 2013 DMF Direitos Reservados.

Os vídeos, com a duração máxima de dois minutos (o filme referência dos Lumière dura cerca de um minuto), retratam o trabalho em seis cidades da Europa, Asia e América. O ponto de partida deste exercício, para além do tema, foi permitir a reflexão sobre questões relacionadas com o registo fílmico de um processo repetitivo e de como encontrar o seu princípio e fim: A câmara deveria estar em movimento ou num ponto fixo? Será possível filmar de uma forma estimulante e num “plano único” a coreografia de um processo de trabalho? Que tipos de trabalhos são visíveis no centro e na periferia da cidade? O que é típico e o que é invulgar numa cidade e que tipo de trabalho se poderia tornar num desafio cinematográfico?

Se, na exposição, o conjunto dos vídeos de cada cidade constitui um retrato fragmentado da mesma, já a sua justaposição permite estabelecer termos de comparação. Por serem construídos num único plano, os filmes combinam predestinação e abertura, conceito e contingência. A partir de uma reflexão em torno das especificidades do medium, os trabalhos sugerem retratos espácio-temporais e visões alargadas sobre os fenómenos do trabalho num mundo interligado.

Cristián Silva-Avária, Circular Movement, 2012, still de vídeo.

Participantes:

Lisboa: Gabriel Barbi, Sara Magno, Mariana Gonçalves & Arendse Krabbe & Thea von der Maase, James Newitt, Sofia Costa Pinto, Ana Rebordão, Rui Silveira. 
Bangalore: Suresh Kumar Gopalreddy, Gautam Vishwanath & Kinshuk Surjan &  Shrikar Marur, Nikhil Patil & Arav Narang, Verena Buttmann & Vijaya Kumar Seethappa, Nehar Shrestha, Pooja Gupta & Sindhu Thirumalaisamy.
Berlim: Renee Paulokat & Susanne Dzeik & Markus Bauer, Achim Burkart, Susanne Dzeik, Antje Freitag, Katja Henssler, Zara Zandie.
Genebra: Nina Kennel & Manon Vila & Thomas Amman, Mélanie Badout & Nallini
Menamkat & Zaq Chojecki, Pauline Cazorla & Joseph Favre, Mykyta Kryvosheiev,  Gerard Bochaton & Chloé Malcotti, Gabriel Dutrait & Hyunji Lee & Camille De Pietro
Rio de Janeiro: Fred Benevides & Felipe Ribeiro & Luiz Garcia, Fred Benevides &  Cezar Migliorin, Lucas Ferraço Nassif, Roberto Robalinho, Cristián Silva-Avária. 
Tel Aviv: Inbal Hershtig, Hadas Emma Kedar, Efrat Merin, Tamar Nissim, Liron  Shalev, Hadas Tapuchi.

Antje Ehmann vive e trabalha em Berlim como curadora e ensaísta. Dos seus projetos curatoriais destacam-se: Harun Farocki. First Time in Warsaw, Centre for Contemporary Art Ujadowski Castle, Varsóvia 2012; The Image in Question. War – Media – Art, Carpenter Center for Visual Arts, Cambridge, Massachusetts 2010; e Harun Farocki. 22 films 1968–2009 (com Stuart Comer e Kodwo Eshun), Tate Modern, Londres 2009. De entre as suas publicações e artigos destacamos: Harun Farocki. First Time in Warsaw, (com Artur Liebhart), Varsóvia 2012; Amos Gitai. News from Home (com Katharina Fichtner e Anselm Franke), Colónia 2006; e Geschichte des Dokumentarischen Films in Deutschland, Vol. 2, Weimarer Republik (com Jeanpaul Goergen e Klaus Kreimeier), Estugarda 2005.

Harun Farocki vive e trabalha em Berlim como realizador, artista e escritor. Os seus filmes de ensaio e observação questionam a produção e a perceção das imagens, descodificando o filme como medium e examinando a forma como a cultura audiovisual se relaciona com a história, a política, a tecnologia e a guerra. Os seus projetos foram incluídos em retrospetivas, festivais e exposições que têm lugar nos mais importantes eventos e instituições internacionais, incluindo a Bienal de S. Paulo 2010, Documenta X e XXII em Kassel, Tate Modern em Londres, MACBA em Barcelona, Museum Ludwig em Colónia e Jeu de Paume em Paris.

Gabriel Dutrait, Hyunji Lee, Camille De Pietro, Grand Théâtre, 2012, still de vídeo.

Lumiar Cité, Rua Tomás del Negro, 8A, 1750-105 Lisboa
Quarta a Domingo, 15h00 às 19h00
Lumiar Cité é um espaço da Maumaus.
Tel / Fax +351 21 352 11 55

Carris: 798 saída Rua Helena Vaz da Silva, 717 saída Av. Carlos Paredes
Metro: Lumiar (Saída Estrada da Torre)

(C) Imagens: cortesia de Lumiar Cité (Maumaus)

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