Pedro Casqueiro | Veículo

 

Pedro Casqueiro ©  Pedro Casqueiro

Pedro Casqueiro, Veículo na Galeria Fernando Santos, Porto, 2013. © Pedro Casqueiro

‘Veículo’ (pintura sobre tela, obra recente) é o título desta nova mostra de Pedro Casqueiro, artista que passou, recentemente, a ser representado pela Galeria Fernando Santos (Porto).

Pedro Casqueiro (Lisboa, 1959) vive e trabalha em Lisboa. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.  

2 Março a 13 Abril 2013 @ Galeria Fernando Santos

Desde a sua primeira exposição, realizada em 1981, que a sua obra denota a capacidade do artista trabalhar cores, matérias, formas e espaço de uma forma abstrata mas atravessada por citações sígnicas criando uma corrente entre a vida e a obra, partindo da subjetividade que garante a universalidade da obra. Numa primeira fase, a sua pintura possuía uma violência expressiva que foi sendo invadida por uma superfície branca como um véu que cobre de uma forma velada as estruturas subjacentes à composição das suas imagens. Mas ao longo dos anos noventa as suas pinturas vão-se estruturando, atingindo o equilíbrio entre uma pintura “arquitetónica” e elementos mais recuados.

A pintura de Pedro Casqueiro parte de uma situação que, segundo a classificação tradicional seguida por Kuspit, é “orgânica” (kandiskiana) evoluindo para uma solução “geométrica” (malevitchiana/mondrianesa). Casqueiro aproxima-se dessa abstração geométrica desde os seus primeiros trabalhos definindo uma malha estruturante que sustenta as suas imagens e fazendo coincidir essa explicitação com exemplos da história da pintura abstrata, como é o caso de Mondrian, em relação ao qual Casqueiro confessa ter uma sensível e intuitiva relação.

A malha estrutura a visão mas é a cor que define as formas. Este desacerto entre o subjacente e o evidente, a diferença de peso específico que as duas componentes (estrutura-forma/cor) apresentam, são os elementos que constroem o seu discurso pictórico.

Em 1997, a pintura de Pedro Casqueiro adquire uma nova dimensão. Surge um luminoso espaço interior onde a dimensão da imagem sugere a ideia de um ecrã que regista um espaço cenográfico, virtual, pleno de possibilidades interativas e cada pintura é, em si mesma, a representação de um espaço para a exposição de obras de arte. Estes trabalhos, sendo pinturas, integram um modelo de visão que parece ser-lhe oposto, o da dinâmica dos jogos de vídeo.

Após 1997, os seus trabalhos prolongam a malha arquitetónica mas reduzindo-a novamente a uma dominante bidimensionalidade. Surge, então, uma abertura de dois novos caminhos: um regresso à palavra escrita na tela e uma vertente figurativa, apesar de mais rara. É a partir deste núcleo de pinturas onde a forma se faz palavra que Casqueiro prossegue a investigação de sinais de representação provenientes do mundo da BD como, por exemplo, fumos, explosões, sinais de movimento, sinais de choque, etc., onde a letra-palavra se faz imagem, articulando os elementos no espaço e a sua descontextualização, num estádio de desvalorização do valor significante da palavra. 

O trabalho de Pedro Casqueiro integra a exposição colectiva RISO – uma Exposição a Sério, patente no Museu da Electricidade, Fundação EDP. Recentemente expôs no espaço Chiado 8, com curadoria de Bruno Marchand, e na Culturgest, Porto, com curadoria de Miguel Wandschneider. Em 1997 teve uma retrospectiva no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

Clique aceder à galeria de imagens:

Pedro Casqueiro, Veículo, vista da exposição na Galeria Fernando Santos, Porto.

Pedro Casqueiro, Veículo, vista da exposição na Galeria Fernando Santos, Porto.

 

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