Imagined Places

Claudia Cristovão, Fata Morgana, 2005-2006, video still.

Cláudia Cristóvão, Fata Morgana, 2005-2006, video still, HD video 16:9, projection, 7min, looped, Courtesy the artist.

Tropenmuseum 

Pode a localização de uma pessoa determinar a sua identidade?

Até 14 abril, o Tropenmuseum (Amesterdão, Holanda), lança este desafio através da exposição ‘Imagined Places’ (Lugares Imaginados), tendo em conta a relação que estabelecemos com outros lugares, que vai além da localização física. Os artistas Adrian Paci (n. 1969, Albania), Zineb Sedira (n. 1963, França), Bouchra Khalili (n. 1975, Marrocos), Cláudia Cristóvão (n. 1973, Angola) e Ho-Yeol Ryu (n. 1971, Coreia do Sul) usam a fotografia e a instalação vídeo para apresentar lugares reais e imaginados: uma representação do desejo de pertença a outro lugar e da realidade da migração forçada.

Curadoria: Anke Bangma

Em ‘Imagined Places’, os cinco artistas participantes retratam um mundo onde as pessoas estão em constante movimento, em busca de uma vida melhor ou a lutar pela sobrevivência. Deixando para trás um local que acabam por transportar nas suas memórias. Assim, a vida de todas essas pessoas, em trânsito, é determinada pela ligação que criam com os lugares por onde passam. As políticas oficiais dos governos são baseadas em fronteiras, numa identidade nacional, num local fixo. Mas, estas vidas são vividas em mundos diferentes: aqui e agora (onde estão); o país de onde vieram; o lugar para onde vão ou para onde gostariam de ir ou voltar. Todos esses lugares são reais, mas existem, também, em mundos paralelos: mundos interiores, de memórias, fantasias e desejos. 

Adrian Paci, Centro di Permanenza Temporanea, 2009, photograph, 120x 140 print, courtesy of the artist and Kaufman Repetto gallery Milan.

cultura e identidade

A exposição lança um olhar crítico sobre a definição de cultura e identidade que se baseia na localização geográfica. Que relevância e produtividade tem este conceito num mundo cada vez mais globalizado? Existem outras formas de compreensão e representação da cultura e identidade de um povo? Os cinco artistas em ‘Imagined Places’ oferecem várias opções alternativas.

As cinco obras, em exposição, falam-nos das práticas colectivas de um determinado período de tempo – o nosso – onde a migração humana e a mobilidade desempenham um papel central. O vídeo e a fotografia são meios poderosos de partilha dessas vivências e permitem a manipulação da realidade e da ficção, alternando entre a realidade externa e experiência interna. ‘Imagined Places’ permite, assim, uma reflexão sobre a relação que se estabelece com esses lugares, especialmente através da memória e da fantasia.

Ho-Yeol Ryu, Flughafen, 2005, digitale afdruk / digital print.

Ho-Yeol Ryu, Flughafen, 2005, digital print. Flughafen 100 X 150 cm, © Ho-Yeol Ryu.

Fata Morgana (2006), uma instalação vídeo de Cláudia Cristóvão (n. 1973, Luanda, Angola) apresenta a experiência de cinco portugueses, nascidos em Angola mas obrigados a regressar a Portugal por causa da descolonização. Nas suas histórias ecoa uma África imaginária, existente somente nas memórias que herdaram e nos ideais que projectaram. Embora o lugar que  descrevem, de forma tão apaixonada, não exista, ele faz parte de sua identidade real. As histórias são acompanhadas por imagens de uma planície brilhante e de uma cidade deserta: a paisagem onde as memórias e os desejos são projectados.

As fotografias de Adrian Paci e Ho-Yeol Ryu (n. 1971, Seul, Coreia do Sul) conseguem definir (através de uma única imagem) a forma como a mobilidade caracteriza a vida do mundo actual. Ho-Yeol Ryu criou uma montagem fotográfica do Aeroporto de Hannover, Flughafen (2005), onde os aviões parecem lutar por um lugar no céu. O resultado é uma imagem icónica sobre o nosso desejo de movimento.

Centro di Permanenza Temporanea (2007) de Adrian Paci (n. 1969, Shkoder, Albania) também mostra um aeroporto, embora aqui seja um local metafórico, onde as pessoas estão presas (numa situação permanentemente temporária). Várias pessoas encontram-se amontoadas numa escada de acesso a um avião. A imagem sugere que o transporte aéreo não é para todos, embora a desigualdade económica obrigue muitos a mudar de país. Paci ilustra a dureza e o absurdo da nossa realidade.

Zineb Sedira, MiddleSea, 2008, video stills. Courtesy Kamel Mennour, Parijs / Paris.

Zineb Sedira, MiddleSea, 2008, video stills. Courtesy Kamel Mennour, Parijs / Paris.

MiddleSea de Zineb Sedira (n. 1963, Paris, França) é uma instalação vídeo que explora a noção de ubiquidade – de estar em vários lugares em simultâneo – uma imagem poética e universal sobre as viagens que gerações de (e)(i)migrantes fizeram, através do corpo e da memória.

The Mapping Journey (2009) de Bouchra Khalili (n. 1975, Casablanca, Marrocos) realça a crueza e a realidade da migração. Neste projecto, oito pessoas descrevem as rotas das suas viagens num mapa do mundo. Esses relatos demonstram como a vida, hoje em dia, não pode ser definida, somente, por contornos cartográficos. 

Bouchra Khalili , Mapping Journey #1, 2008, still from video, France, Color, Sound, 4 min 30, Arabic with French and English subtitles, Variable dimensions, © Galerie Polaris, Paris.

Bouchra Khalili , Mapping Journey #1, 2008, still from video, France, Color, Sound, 4 min 30, Arabic with French and English subtitles, Variable dimensions, © Galerie Polaris, Paris.

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