Alfredo Jaar: The Sound of Silence

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>> 24.02.2013

@ Nederlands Foto Museum

Encontra-se em exibição no Museu Holandês da Fotografia, em Roterdão, a controversa obra The Sound of Silence de Alfredo Jaar (n. 1956, Chile). Nos últimos 30 anos, o trabalho de Jaar (fotografia, filme, instalação e texto) tem sido inspirado em temas que atentam na violação dos direitos humanos: a desigualdade social e económica, genocídio, a complexa questão dos refugiados e a responsabilidade do fotojornalismo.

O tema em reflexão em The Sound of Silence é a função e influência da imagem na sociedade ocidental. Um rectângulo de luz ofuscante conta a história do fotojornalista Kevin Carter, que testemunhou a fome no Sudão em 1993. Aqui o problema da imagem ocupa um lugar central: a complexa relação entre fotografia, violência e sofrimento humano – um triângulo perigoso. Numa altura em que imagens de actos horríveis são comuns, Jaar coloca questões fundamentais sobre o consumismo, empatia e responsabilidade individual, denunciando, sobretudo, o ‘silêncio colectivo’.

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Kevin Carter (1960-1994, Joanesburgo, África do Sul) foi um premiado fotojornalista e membro do The Bang Bang Club. Em Março de 1993, Carter viajou até ao sul do Sudão para realizar uma reportagem sobre o flagelo da fome nesse país. Perto da vila de Ayod, Carter foi atraído pelo choro de uma criança sudanesa. A menina tinha parado para descansar – estava muito fraca e em trânsito para chegar a um centro de alimentação – mas um abutre tinha aterrado próximo dela e esperava a sua oportunidade. Carter disse que esperou, aproximadamente, 20 minutos, para que o abutre abrisse as asas. Mas a ave não o fez. Carter tirou, então, a fotografia e afastou  o abutre. Foi muito criticado por estar, somente, preocupado em captar uma imagem chocante e não ter tido compaixão pela menina.

A fotografia foi vendida ao The New York Times, onde apareceu, pela primeira vez, a 26.03.1993. Nesse dia, centenas de pessoas contactaram o jornal para saber se a criança tinha sobrevivido, levando o jornal a publicar uma nota especial dizendo que a menina tinha força suficiente para fugir do abutre, mas que o seu destino final era desconhecido. Em Abril de 1994, Carter ganhou o Pulitzer Prize, suicidou-se em Julho do mesmo ano, tinha 33 anos.

Alfredo Jaar, From Time to Time, 2006, C-print 124,5 x 99,1 cm. Courtesy the artist, New York.

Alfredo Jaar, From Time to Time, 2006, C-print 124,5 x 99,1 cm. Courtesy the artist, New York.

Alfredo Jaar (n. 1956, Santiago, Chile) é um artista, arquitecto e realizador que vive e trabalha em Nova Iorque. O seu trabalho tem sido exibido por todo o mundo. Jaar participou nas Bienais de Veneza (1986, 2007, 2009), São Paulo (1987, 1989, 2010), Sydney (1990), Istambul (1995), Gwangju (1995, 2000), Joanesburgo (1997), Sevilha (2006) e Liverpool (2010), e na Documenta de Kassel (1987, 2002). Criou mais de 60 obras que envolvem intervenções no espaço público. É Guggenheim Fellow desde 1985 e MacArthur Fellow desde 2000. Em 2006, ganhou o Spanish Premio Extremadura a la Creación. Alfredo Jaar vai representar o Chile, na Bienal de Veneza em 2013.

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Em breve, esta exposição vai estar patente: 

Malmö Konsthall (Suécia)

de 16.02. a 07.04.2013

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crédito imagens:

Alfredo Jaar, The Sound of Silence, 2006, Installation with wood, aluminum, fluorescent lights, strobe lights and video projection. Software design by Ravi Rajan. Courtesy the artist, New York.

(C) imagens: cortesia de Malmö Konsthall, 2013

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