Mónica de Miranda: erosion

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

>> 9 de Fevereiro, 2013 – Appleton Square

Mónica de Miranda apresenta na Appleton Square, em Lisboa, até ao próximo sábado, dia 9, a exposição Erosion’, parte integrante do projecto Once Upon a Time, cuja apresentação teve início em Outubro de 2012 com uma mostra no Carpe Diem Arte e Pesquisa, seguida de outra no Transboavista Art Edifício. A curadoria é de Gabriela Salgado

O próximo destino, deste projecto, é a cidade de Luanda, em Angola. A exposição vai estar patente no Museu de História Natural de Luanda, entre 10 e 31 de Março. Com produção e organização de André Cunha.

O projecto é o resultado de um processo de investigação e residências artísticas, desenvolvidas nos últimos dois anos em vários lugares geográficos ligados à biografia de Mónica de Miranda, e é uma viagem apresentada em vários capítulos pelos territórios da memória, da representação e da pertença. A artista tenta aqui criar o sentido de ‘lugar’, reunindo fragmentos de uma infinidade de lugares. Mónica de Miranda trabalha com as suas arqueologias pessoais e afetivas, representadas através de expressões ficcionais recriadas a partir do documental e do subjetivo. A experiência da diáspora surge no projeto como sendo a experiência da simultaneidade do tempo e de lugares distantes, próximos e cruzados. 

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Como exemplo mais convincente da tentativa de recriar e reinventar a sua geografia, a artista apresenta na Appleton Square a terceira parte do projecto com a exposição Erosion. A exposição propõe uma viagem visual para um lugar de ficção tecida através de fragmentos biográficos. O seu imaginário liga três continentes – África, Europa e América – formando um puzzle que aspira a compor uma totalidade imaginada e desejada. A paisagem erodida da ilha de São Vicente, Mindelo em Cabo Verde é a peça central no puzzle.

A paisagem rochosa, quase lunar, evoca uma promessa de fertilidade que atraiu um ambicioso projecto colonial para planear o grande salto da Europa para a Novo Mundo e testar o que se tornaria a maior expansão imperial na história de Portugal. Um verdadeiro laboratório da colonização, um local onde o comércio – de bens e seres humanos – floresceu no mais próximo dos confins do Império, Cabo Verde tronar-se-ia uma plataforma de lançamento de migrações permanentes, constituindo uma comunidade fragmentada, com a maioria de sua população agora em exílio. 

Erosão é aqui uma metonímia para o som da terra que viaja, um som que carrega consigo as múltiplas faces do êxodo. Apartir deste atlas emocional, somos convidados a fazer associações metafóricas e a sintonizar os nossos ouvidos para captar o segredo das diásporas sussurrantes, seus vestígios e os restos secos de uma terra prometida de lugares que viajam para outros lugares. 

Neste território da subjetividade, a casa é usada como uma metafóra da identidade que se torna uma mudança de paradigma, onde a viagem do pessoal é essencialmente uma tentativa constante de pertencer, um exercício de mapeamento de geografia emocional.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.


+ info: Once Upon a Time | Mónica de Miranda | 
Appleton Square

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Artista, produtora e investigadora, Mónica de Miranda vive e trabalha entre Lisboa e Londres. Expõe internacionalmente e com regularidade desde 2004 e a sua obra está representada em diversas colecções, nacionais e internacionais. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, Ministério da Cultura, Instituto Camões, Fundação do Oriente e Arts Council. Actualmente frequenta o Doutoramento na Middlesex University, em Londres, com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Gabriela Salgado, nascida na Argentina e residente em Londres, é curadora independente, programadora de exposições e conferencista e tem trabalhado, desde 1990, com diversas entidades na Europa e América do Sul. Foi até 2011 responsável pelo programa de conferências da Tate Modern de Londres. Actualmente desenvolve e organiza um programa de intercâmbio artístico entre África e América Latina.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto 'Once Upon a Time'. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

Mónica de Miranda, Erosion, do projecto ‘Once Upon a Time’. Vista da exposição Erosion na Appleton Square, 2013, Lisboa. © Mónica de Miranda.

(C) imagens: cortesia da artista Mónica de Miranda.

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