Ana Velez | Inês Norton @ Bloco 103

Hoje é dia de inauguração na Galeria Bloco 103, em Lisboa, que começa, este novo ano, com uma exposição de duas artistas emergentes: Ana Velez e Inês Norton. Segundo o director, 2013 será um ano de novas promessas na galeria que irá promover cinco novos autores, assumindo a sua missão de procura, apresentação e acompanhamento de novos valores.

Ana Velez: A Percepção Requer Participação RA2 7, lápis de cor sobre papel, 64,8 x 101,6 cm, 2013.

Ana Velez: A Percepção Requer Participação RA2 7, lápis de cor sobre papel, 64,8 x 101,6 cm, 2013.

Ana Velez (Lisboa, 1982)

Trabalha, essencialmente, com o desenho e a pintura, abordando temáticas que giram em torno do conceito de identidade: o lugar, a memória e o corpo, e ressaltando o lugar como contentor da memória e identitário.

A cidade, enquanto elemento arquitectónico, é entendido como instrumento de memória, entrando directamente na definição de memória colectiva que defende, como aquela que se apoia em imagens espaciais de lugares arquitectónicos, nos espaços da cidade e nas paisagens arquitectónicas.

O trabalho que desenvolve tem como objectivo primeiro a observação, considerando que o processo criativo está intimamente ligado ao processo visual, à capacidade de ver, à possibilidade de formular juízos sobre as coisas e cresce principalmente em torno do desenho. Adoptou a utilização do desenho, devido ao seu carácter de representação primário e elementar, associado a um estatuto mítico de primeira e mais imediata forma de criar imagens, à intimidade, à informalidade, à imediatez, à subjectividade, à memória, à narrativa.

Ana Velez nasceu em Lisboa, em 1982. Vive e trabalha em Lisboa (Portugal) e Madrid (Espanha). Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2011, onde, também, se licenciou em Artes Plásticas – Pintura, 2007. Em 2002/2003 e 2003/2004 frequenta a Accademia Albertina delle Belle Arte di Torino, Itália, no âmbito do programa Sócrates-Erasmus. A sua actividade tem sido marcada por exposições individuais e colectivas no âmbito institucional, mas, também, por projectos colectivos de Arte Urbana. O seu trabalho figura em várias colecções institucionais e privadas, nacionais e internacionais.

Inês Norton: O Meu Cúbico, Intervenção em palete de madeira, 100 x 80 cm, 2012.

Inês Norton: O Meu Cúbico, Intervenção em palete de madeira, 100 x 80 cm, 2012.

Inês Norton (Lisboa, 1982)

Assente em diferentes formas e meios de expressão em que o estatuto da matéria no seu estado mais primário/cru é privilegiado, bem como a repetição, usada como metáfora portadora de diferentes mensagens e significados, o corpo de trabalho de Ines Norton visa encorporar neste contexto, diálogos entre o espectador e as suas obras, num discurso de organicidade e fluidez, cujo denominador comum, remete para o conceito primordial de casa, abrigo, ninho, no seu sentido mais lato.

Tomando como ponto de partida, a premissa “We can´t see the trees, because we are lost in the forest.”– Norbert Elias, in The Society of Individuals, a artista debate-se com a relação do individual versus colectivo, tema pouco claro no momento contemporâneo. Usando a sociedade actual como charneira, rebate o seu foco no universo orgânico das formas da natureza e nos seus padrões de verticalidade e repetição, apontando para a necessidade da criação de espaços de abrigo/ ninho para o encontro do indivíduo, no antagónico espaço de imensidão da floresta que simboliza o colectivo.

Desvelado em diferentes suportes em que a bidimensionalidade alterna com a tridimensionalidade e a questão sensorial revela a sua importância, a linguagem de Inês Norton assume distintos formatos, enfatizando o apelo ao enraizamento e à conexão.

Inês Norton, nasceu em Lisboa em 1982. Formou-se em Design de Comunicação no IADE, terminando o curso no âmbito de um programa de intercâmbio na cidade do Rio de Janeiro na Universidade Pontífice Católica – PUC. Frequentou o curso de pintura no AR.CO em Lisboa (Centro de Arte e Comunicação Visual), concluindo, mais tarde o Foundation Course em Artes Plásticas na Slade School of Fine Arts no ano de 2007, trabalhando em paralelo, como assistente de curadoria no projecto internacional Deutsche Borse Prize 2007 na The Photographer´s Gallery.

Entre 2010 e 2012, viveu na cidade de Luanda, Angola, onde deu aulas de expressão plástica a crianças e participou no projecto da Trienal de Luanda – Geografias Emocionais, Arte e Afectos. Em 2012, Inês concluiu o programa de Estudos Independente na Maumaus, Escola de Artes Visuais, em Lisboa, cidade onde vive e trabalha actualmente como artista plástica. Recentemente, abriu as portas do Espaço Boavista 73, em Lisboa, que pretende dinamizar com ateliers e espaço expositivo, estando aberta a propostas em várias áreas artísticas.

A exposição fica patente até 8 de Março.

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Ana Velez

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Inês Norton

(C) texto e imagens: cortesia Bloco 103.

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