Francis Alÿs (Reel-Unreel)

Francis Alÿs, in collaboration with Julien Devaux and Ajmal Maiwandi, Reel/ Unreel, 2011, single channel video projection, 19-28 min, color sound dimensions variable with installation. Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

@ David Zwirner (New York) > 09.02.2013

Esta exposição apresenta o mais recente trabalho de Francis Alÿs que inclui um vídeo e uma série de pinturas. O filme ‘Reel-Unreel’ foi realizado em Cabul, no Afeganistão, e mostra uma brincadeira de rua partilhada por várias crianças locais.  

Francis Alÿs (n. 1959, Bélgica. Vive e trabalha na Cidade do México) é um artista multifacetado que se interessa por temáticas de carácter social e utiliza vários meios na sua prática artística. A sua sensibilidade poética é dirigida para questões sociais e geopolíticas, o artista descreve a sua prática como “uma espécie de argumento discursivo composto por episódios, metáforas ou parábolas”. As suas obras, nas palavras de Mark Godfrey, são definidas “por um absurdo fantástico … pela sua transitoriedade ou incompletude, pela sua imagética e acima de tudo pelo potencial enigmático”Dos inúmeros projectos do artista, destacamos aqueles em que (1) moveu um bloco de gelo, em processo de fusão, pelas ruas da Cidade do México; (2) circunavegou o globo terrestre, a fim de evitar cruzar a fronteira entre o México e os Estados Unidos; (3) andou pela cidade de Copenhaga sob a influência de um droga diferente, durante 1 semana; (4) filmou a sua tentativa de entrar no epicentro de um tornado. 

Francis Alÿs, Children’s Game #10: Papalote Balkh, Afghanistan, 2011Video, 4:10 min, color, sound, Dimensions variable with installation. Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

Francis Alÿs, Children’s Game #10: Papalote Balkh, Afghanistan, 2011
Video, 4:10 min, color, sound, Dimensions variable with installation. Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

Produzido para a dOCUMENTA (13), o vídeo ‘Reel-Unreel’, tem como ponto de partida um jogo clássico de rua, no qual as crianças mantêm um aro, em movimento contínuo, com a ajuda de um pau. Na versão de Alÿs, o aro é substituído por um rolo de filme. A câmera acompanha um grupo de rapazes pelas colinas de Cabul, onde uma das crianças desenrola a película do filme, enquanto outra que a segue, rebobina-a. O título ‘Reel-Unreel’ alude à imagem – real/ irreal – do Afeganistão que é veiculada nos meios de comunicação social do Ocidente, colocando em perspectiva o modo de vida afegã e como este, após décadas de guerra, tem vindo a ser desumanizado, tornando-se uma ficção ocidental. Enquanto o vídeo oferece uma imagem alternativa à cobertura habitual dos media sobre Cabul, a série de pinturas chama a atenção para a dificuldade de representação (da realidade) da guerra, seja qual for o meio. 

As várias pinturas com barras de cor são uma referência aos padrões de teste, usados pelos engenheiros, entre programas de televisão. As barras de cor são produzidas, electronicamente, para corrigir questões relacionadas com cor e luz. As versões de Alys, reflectem a impossibilidade do artista em produzir imagens sobre a sua experiência no Afeganistão: “Ao longo destes dois anos, a obsessiva pintura de barras de cor tornou-se indispensável para as viagens que efectuei ao Afeganistão. Se elas reflectem a dificuldade em traduzir os meus sentimentos ou se eram, simplesmente, um exercício terapêutico a fim de digerir a avalanche de informação, que recebia em cada uma das visitas, deixo ao espectador essa decisão”.

Francis Alÿs, Untitled, 2011-2012, Oil and collage on canvas on wood, 5 3/4 x 7 1/2 inches (14.6 x 19.1 cm). Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

Francis Alÿs, Untitled, 2011-2012, Oil and collage on canvas on wood, 5 3/4 x 7 1/2 inches (14.6 x 19.1 cm). Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

Nascido em 1959, em Antuérpia, na Bélgica, Francis Alÿs formou-se em arquitectura. Mudou-se para a Cidade do México, em 1986, onde continua a viver e trabalhar, e foi o confronto com questões socias e de urbanização, nesse país de adopção, que o inspirou a tornar-se um artista visual. Desde 2004, a sua obra tem sido representada por David Zwirner, onde exibiu, em 2007, uma das suas exposições individuais mais aclamadas pela crítica: Sometimes Doing Something Poetic Can Become Political and Sometimes Doing Something Political Can Become Poetic’.

Em 2012, o trabalho de Alÿs foi apresentado na dOCUMENTA (13), onde as barras de cor foram instaladas numa antiga padaria, em Kassel, e o filme REEL-UNREEL foi transmitido via satélite em Cabul. Participou em várias exposições internacionais, onde se incluem algumas das mais importantes: São Paulo Biennale (2010, 2004, 1998); Venice Biennale (2007, 2001, 1999); Shanghai Biennale (2002); Istanbul Biennial (2001, 1999); Havana Biennial (2000, 1994). As suas obras fazem parte de inúmeras colecções, entre as quais: 21 st Century Museum of Contemporary Art, Kanazawa, Japão; The Art Institute of Chicago; Centre Georges Pompidou, Paris; Hammer Museum, Los Angeles; Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxembourg; The Museum of Modern Art, New York; Philadelphia Museum of Art; Pinakothek der Moderne, Munich; Solomon R. Guggenheim Museum, New York; Stedelijk Museum, Amsterdam; Tate Gallery, London.

Francis Alÿs, Untitled, 2011-2012, Oil and collage on canvas on wood, 4 7/8 x 6 7/8 inches (12.4 x 17.5 cm). Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

Francis Alÿs, Untitled, 2011-2012, Oil and collage on canvas on wood, 4 7/8 x 6 7/8 inches (12.4 x 17.5 cm). Courtesy the artist and David Zwirner Gallery, NY, 2012.

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