Teresa Margolles: a promessa

Teresa Margolles, La Promesa, em exposição no MUAC, México, 2012. Cortesia da artista e do MUAC.

Teresa Margolles, ‘La Promesa’, em exposição no MUAC, México, 2012. Cortesia da artista e do MUAC.

Teresa Margolles (n. 1963, México) venceu, a edição deste ano, do Arts Mundi Prize ‘pelo poder visceral e sofisticação do seu trabalho no confronto com uma tragédia humana em curso“, segundo o júri do prémio.

O trabalho de Teresa Margolles analisa o contexto social e político do México e a forma como este determina a formação do indivíduo. A experiência social no Norte do México, onde a criminalidade associada ao tráfico e consumo de droga resulta em violência descontrolada, é um dos objectos de estudo do seu trabalho. Formada em medicina forense, Margolles nas suas intervenções escultóricas e performances lida, também, com a realidade física e material da morte. Na sua participação na Bienal de Veneza, de 2009, lavou o chão do Pavilhão Mexicano com a água usada para lavar cadáveres numa morgue no México. 

A exposição: ‘La Promesa’ (A Promessa) é um projecto site-specific criado para o MUAC (Museu Universitário de Arte Contemporânea do México) e faz parte de uma longa investigação que a artista iniciou, há alguns anos, na Ciudad Juárez, considerada, em 2009, a zona mais violenta do mundo, excluindo as zonas de guerra. Questiona a possibilidade de enraizamento numa cidade de fronteira, um lugar de passagem, mas, também, de oportunidade, de inúmeras possibilidades, que encerra uma promessa. Uma percentagem significativa da população de Juárez, são migrantes, de outros estados do México, que vieram à procura de trabalho. Mas, a violência, o desemprego e a crise económica gerou um novo movimento migratório na população. Desde 2007, 160.000 mexicanos, aproximadamente, abandonaram as suas casas para fugir à violência, na Ciudad Juárez, são mais de 115 mil as casas abandonadas.

‘A Promessa’ parte desta premissa: promessas não cumpridas. Na primeira fase de desenvolvimento do projecto, a artista escolheu uma das casas abandonadas, de um bairro social, da Ciudad Juárez, desmontou-a e transportou-a para a Cidade do México, onde foi esmagada. O processo foi realizado com bastante atenção e cuidado, em oposição à destruição sistemática e abandono a que foi submetida a cidade. A instalação do espaço expositivo é composta por um grupo de pessoas que transporta os resíduos da casa e que vai ocupando, gradualmente, a superfície da sala. Esta acção acontece, durante 1 hora, todos os dias, ao longo de seis meses. A exposição está patente até 6 de Janeiro de 2013.

Teresa Margolles, 'La Promesa', em exposição no MUAC, México, 2012. Cortesia da artista e do MUAC.

Teresa Margolles, ‘La Promesa’, em exposição no MUAC, México, 2012. Cortesia da artista e do MUAC.

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