Graça Pereira Coutinho: Auto-Retrato

My fragility is my strength’

Graça Pereira Coutinho

O auto-retrato é, basicamente, uma representação do artista; mas nem sempre é um retrato verista de si mesmo. Incluindo essa necessidade de expor-se a ele próprio, pode ser elaborado com o intuito de conter diversos significados que são utilizados pelo artista para “corromper” a sua imagem. A transfiguração assume, neste caso, uma paradoxal situação de inverosimilhança face ao sujeito, uma delicada situação em que se impõe como um manipulador, um momento em que utiliza um mecanismo de influência capaz de enganar o espectador.

A ausência da sua imagem, por outro lado, é uma intriga sem sujeito que lhe permite conjugar outras linguagens numa narrativa sem personagem aparente. No entanto, a deriva do discurso indireto permite-lhe encarar a (sua) estória como um acontecimento cuja compreensão e sentido só são percetíveis pelo acumular de citações fragmentadas que incluem noções de valor, crenças e interesses. Outras componentes, tais como sonhos, visões e evocações aos quais se juntam atividades que prenunciam o futuro ou que evocam o passado, são adotados por Graça Pereira Coutinho como instrumentos e técnicas de trabalho que incluem competência, conhecimento, atitude e, sobretudo, características muito pessoais.

Mais do que a medida de todas as coisas, G.P.C. incorpora-se no seu trabalho através de materiais naturais que refletem o seu apego à natureza e a colocam como um “ente” que a habita. Este personagem que transporta consigo a responsabilidade do mundo é um “vivente” que se (auto)constrói sempre que vagueia numa paisagem que vai construindo à medida que a utiliza. «I am the landscape that I see, I am the creation, I am the illusion», escreve numa das suas obras. Ao percorrer estes itinerários, estes percursos e estes trajetos, concebe e desenha linhas imaginárias capazes de definirem uma cartografia de si mesma. Sempre diferentes, estas linhas cruzam-se de modo aleatório e constituem-se como constelações pessoais com as quais identifica o seu eu e que nos permite, também, participar nesse universo criativo através das nossas próprias construções mentais. Por outro lado, ao transitar de um território para outro, ela constrói pontes que lhe facilitam a união de paisagens e de lugares: «I am between places», comenta. Caminhando e passeando livremente, ultrapassando tempestades ou, simplesmente, rodopiando ao vento, sente-se livre e com ideias maravilhosas, conjugando em si o resultado de todas as impossibilidades. E a magia do auto-retrato revela-se, então, quando “toca” o Universo. Luís Serpa, Novembro 2012.

Graça Pereira Coutinho

Nasceu em Lisboa onde tirou o curso de escultura na ESBAL. Em 1971 foi estudar para Londres, onde tirou o curso de pós-graduação ST. Martins School of Art, onde ainda vive. 

Das inúmeras exposições que realizou destacam-se: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Museu de Arte Contemporânea Osaka, Japão; Bienal de São Paulo, Brasil; MAC, Badajoz; Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro; Centro Britânico, São Paulo; Centro Cultural Ecco-Brasilia.

Tem exposto na Todd Gallery, Londres; Galeria Graça Fonseca, Lisboa; Galeria Cristina Guerra, Lisboa; Galeria Porta 33, Funchal; Galeria João Esteves de Oliveira, Lisboa, entre outras.

Tem trabalhos em várias colecções particulares e nas colecções da Caixa Geral de Depósitos, Fundação António Prates, Fundação PLMJ, Museu de Arte Contemporânea Belém, Brasil, Museu de Arte Contemporânea Osaka, Japão, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Lisboa, etc.

exposição patente até­  8 fevereiro 2013

@ GIEFARTE

Rua da Arrábida, 54-B-C, 1250-034 Lisboa

 T: 213 880 381

ver: mapa de localização

(C) imagens: Graça Pereira Coutinho, auto-retrato, cortesia da artista.

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