Michael Biberstein – circling the square

Michael

Michael Biberstein, cortesia do artista e de Cristina Guerra Contemporary Art, 2012.

16.11.2012  >  09.01.2013

@ Cristina Guerra, Contemporary Art 

‘Sob o título circling the square, Michael Biberstein propõe-nos uma exposição que se apresenta como um enunciado reflexivo sobre a pintura enquanto prática sistemática que revisita a história da arte recuperando, na sua radicalidade subliminar, elementos estruturais que constituíram ferramentas determinantes para a pintura nas vanguardas dos anos vinte do século passado. A paisagem, que caracteriza de uma forma mais abrangente a obra do autor, é desenvolvida através de uma paleta cromática que se densifica entre planos e transparências num movimento quase impercetível de sobreposições e desvelamentos que transformam, para o espetador, a tela num campo visual que irrompe no sentido da profundidade da imagem pintada. Como se esta permitisse perscrutar o interior do universo representado abstraindo-nos dos limites físicos do suporte. 

Esta noção de abstração dos limites do suporte – o formato da tela – cria uma tensão sinestésica no observador(1) que aciona um apelo inquestionável à concentração sobre a pintura resgatando no sujeito a sua amplitude física e psicológica (temporal). A respeito deste paradoxo na pintura de Biberstein, Otto Neumaier refere o seguinte no catálogo da exposição A difícil travessia dos Alpes: “a sua obra dirige-nos até aos limites daquilo que somos capazes de experimentar e, ao fazê-lo, faz-nos evocar os limites da alma quanto à possibilidade de experimentar o mundo – e nós próprios”.

É neste campo de possibilidades que o título da exposição, circling the square, nos reposiciona perante uma das questões históricas mais relevantes que a pintura desenvolveu enquanto reflexão sobre si mesma e que conhece a sua génese no primeiro quartel do Sec XX. O quadrado, forma perfeita, presente na génese suprematista da abstração geométrica é o elemento transformador que Biberstein inscreve nestas pinturas, que são como um cluster magmático, agora sujeitas à tensão interna que essa forma sustentada por diagonais equivalentes desenvolve. Contudo, o título reserva ainda uma segunda questão interessante determinada pela intencionalidade do artista. O círculo, uma outra figura geométrica, é uma metáfora do cerco à forma quadrangular que Michael Biberstein escolheu para regular e ordenar serialmente a sua prática da pintura. Uma acção que traduz o pensamento do autor sobre a pintura lato sensu, e simultaneamente sobre os limites e tensões que o seu trabalho, como pintor, nos propõe.’

João Silvério (Novembro 2012)

(1) Michael Biberstein refere-se a esta contradição perceptiva como psico-fisiológica

Michael Biberstein, cortesia do artista e de Cristina Guerra Contemporary Art, 2012.

Michael Biberstein nasceu em Solothurn na Suiça, onde viveu até 1964, altura em que se mudou para os EUA. Aí concluiu a sua formação, que incluiu um ano importante com David Sylvester no Swarthmore College, onde estudou História da Arte. Como pintor, é auto-didacta. Biberstein vive e trabalha em Portugal desde 1978. O seu trabalho está incluído em diversas colecções públicas e privadas, das quais se destacam: Birmingham Museum of Art, Birmingham, RU; CAM – Centro de Arte Contemporânea da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Colecção Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Portugal; CNAP – Centre National des arts plastiques, Ministère de la Culture Francese, Paris, França; Fundação Luso-Americana, Lisboa, Portugal; Fundação Serralves, Porto, Portugal; Hess Art Collection, Califórnia, EUA; Kunstmuseum Aarau, Aarau, Suiça; Kunstmuseum Solothurn, Solothurn, Suíça; Ludwig Forum für Neue Kunst, Aachen, Suíça; Museo Reina Sofia, Madrid, Espanha; Museu Colecção Berardo, Lisboa, Portugal; UniCredit Group Collection, Munique, Alemanha; Whitney Museum of American Art, NY, EUA.

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