A man is walking down the street…

imagem da exposição ‘A man is walking down the street…’ @ Cristina Guerra, fotografia de Rui Jorge Semedo da Luz. Cortesia de Cristina Guerra, contemporary art.

Cristina Guerra, contemporary art

até 12 Setembro

‘A man is walking down the street. At a certain moment, he tries to recall something, but the recollection escapes him. Automatically, he slows down.’

Esta exposição é composta por uma serie de trabalhos que lidam com formas de incorporação de tempo, quer como proposições conceptuais, quer no processo de criação do trabalho enquanto objecto. O tempo é processado pela obra de arte e produzido através desta. Em Archive Fever, Derrida menciona que o processo de arquivo “produz tanto quanto regista o evento”, esta é uma ideia que pode ser lida em muitas das obras nesta exposição. Ao atender ao fenómeno de tempo e a sua representação, acabam por produzir formas próprias do presente, existindo discretamente dentro de si mesmas e dentro do contexto da exposição.

artistas:

Alejandro CesarcoHenrik HåkanssonRuno Lagomarsino

Edgar MartinsKatja MaterMatt MullicanJoão Onofre

Lisa OppenheimPhilomene PireckiDieter RothLisa Tan

Jack VickridgeLawrence WeinerGuido Van Der Werve

O titulo da exposição é tirado do romance de Milan Kundera, A Lentidão, que alterna dois períodos de tempo, os eventos ora ocorrem num sereno séc. XVIII, ora num presente apressado e fragmentado. Contudo, a narrativa de Kundera, é inteiramente escrita no tempo presente, entrelaçando o espaço temporal e o geográfico, o acto de narração e o sujeito da narrativa aparentemente ocorrem ao mesmo tempo. Esta é uma ideia que percorre a exposição – as obras são uma simultaneidade de tempos e velocidades que ocorrem em diferentes registos e locais, ainda que a decorrer dentro do espaço temporal e físico da galeria.

Curadores: Luiza Teixeira de Freitas e Thom O’Nions

imagem da exposição ‘A man is walking down the street…’ @ Cristina Guerra, fotografia de Rui Jorge Semedo da Luz. Cortesia de Cristina Guerra, contemporary art.

A exposição gira em torno de uma série de perguntas, provocadas pela interacção de ideias de tempo e de velocidade; como podemos definir a velocidade de uma obra de arte? Será um trabalho a ditar o seu próprio ritmo, ou é o seu ritmo imposto pelo espectador? Pode uma exposição ser concebida como uma colecção de velocidades relativas?

No seu Manifesto de Aeropainting, Marinetti sustenta que o acto de estar num avião poderia por si só ser uma obra de arte, uma ‘aeroescultura’ formada através de ‘uma composição harmoniosa e significativa de fumos coloridos oferecidos aos pincéis do amanhecer e do anoitecer, e a longos e vibrantes feixes de luz eléctrica’. A afirmação de que o movimento, quando enquadrado de uma determinada maneira, constitui em si uma obra de arte, claramente reflecte e expressa a relação entre velocidade, tempo e movimento que a exposição explora.

Thom O’Nions (Bath, 1985) é curador e escritor e vive em Londres. É co-director da galeria Supplement, Londres. Exposicões recentes incluem The Exact Weight of Lightness na galeria Travesia Cuatro, Madrid, Sound Spill (com Haroon Mirza e Richard Sides) em West, den Haag, A Threepenny Opera no S1 Artspace, Sheffield, e Reading a Wave no Woodmill, Londres. Publicações recentes incluem: editor convidado para a Mono e um ensaio de catálogo para Man in the Dark, publicado por Woodmill, Londres.

Luiza Teixeira de Freitas (Rio de Janeiro, 1984) é curadora independente e vive entre Londres e Lisboa. Actualmente trabalha como Angariadora de Fundos para a Chisenhale Gallery em Londres e como curadora de colecções privadas. Trabalha desde 2006 em projectos especiais com a galeria Alexander and Bonin (NY). Foi assistente de curadoria da Bienal de Marraquexe Works and Places, comissiariada por Abdellah Karroum (2009); fez um estágio no departamento de curadoria da Tate Modern (2008) trabalhando em exposições como: Cildo Meireles, Cy Twombly e 9 Scripts from a Nation at War. Exposições recentes incluem: The Exact Weight of Lightness (Madrid, 2012); P’s Correspondence (Londres, 2012); The Moon is an Arrant Thief (Londres, 2010) na David Roberts Art Foundation; Like Tears in Rain no Palácio das Artes (Porto, 2010). Está também activamente envolvida com livros de artistas e publicações.

(C) Imagens: cortesia de Cristina Guerra, contemporary art

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