Arte Portuguesa do Século XX (1960-2010)

Lourdes Castro, Bolsa e laranjas, 1965, plexiglass e tinta glyceroftálica, Colecção MNAC-Museu do Chiado.
A exposição Arte Portuguesa do Século XX (1960-2010) em exibição no Museu do Chiado, até 17 de Junho, completa o ciclo de três exposições da colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea -, iniciado em Abril de 2011, para comemorar os 100 anos de existência dessa instituição.
Entre as décadas de 60 e 70, a sociedade portuguesa vive transformações profundas e os ecos internacionais que revolucionaram o paradigma do mundo moderno chegariam a Portugal com a Revolução de Abril de 1974. Na década de 60 assistimos ao exílio, e simultaneamente ao contacto com as vanguardas; a década de 70 é o momento da celebração da arte enquanto multi-experimentação. A abertura internacional induz um conjunto de rupturas e uma pluralidade de propostas na arte portuguesa, enquanto as continuidades se reconfiguram.
Às rupturas ocorridas nas duas décadas anteriores, sucede-se, nos anos 80, uma dialéctica entre o subjectivo e o real e um retorno às tipologias da pintura (Neo-Abstraccionismos e Expressionismos) e da escultura (Neo-Objectualismos). Na década de 90, adensam-se a clivagem e o confronto entre as linguagens neo-modernistas e as práticas artísticas de provocação e revolta. Estas duas décadas caracterizam-se também pela internacionalização dos artistas portugueses (Bienais de Veneza, São Paulo, Documenta de Kassel) e pela expansão do mercado da arte.
A arte portuguesa entrou no novo milénio numa situação ímpar de vitalidade e pluralidade, surgindo plenamente integrada no mapa globalizante e alternativo que caracteriza a contemporaneidade. Reiterada a emancipação quanto aos media e às suas contaminações, a arte da última década privilegiou as transferências entre áreas de conhecimento, utilizando primordialmente a instalação, o vídeo, o filme, a fotografia e as plataformas internéticas.

