Ai Weiwei’s webcam

Ai Weiwei, Weiwei Cam, computer cam, 2012.

A mais recente intervenção de Ai Weiwei – Weiwei Cam – pode ser interpretada como uma acção irónica sobre a sua actual situação. Na sequência da prisão do artista, no ano passado, ele tem estado sob vigilância constante por parte do governo Chinês.

O artista colocou câmeras, em quatro locais diferentes – escritório, computador, quarto e pátio, com um link para o Twitter que permite comentários, em directo, sobre os acontecimentos visionados através das câmeras. Uma atitude corajosa e provocadora mas que encerra, também, uma profunda tristeza, na minha opinião. Sente-se algum desconforto, ao visitar pela primeira vez o site, como estivessemos a vigiá-lo, a controlar a sua vida, podendo, assim, participar na usurpação da sua liberdade como o regime Chinês. Todos somos espectadores. Ou será que Ai Weiwei consegue atingir uma aparente ‘liberdade’ através desta iniciativa? Um forte apelo à liberdade, sem dúvida. Um acto político. Este é um dos objectivos principais da arte e de quem comunica com o público – colocar questões e suscitar reflexão sobre certos assuntos. Cabemos-nos a nós analisar e formar uma opinião. Damien Hirst, também, aderiu a esta versão alive das suas actividades, mas os valores que estão em causa são muito diferentes. Nota de actualização: o link Weiwei Cam não está a funcionar, desde hoje (04.04.), deixou de estar online por decisão do governo Chinês. (informação via artinfo).

Ai Weiwei, Weiwei Cam, bedroom cam, 2012.