Paula Rego | Fondation Calouste Gulbenkian (Paris)

Inaugura no próximo dia 26, uma exposição de Paula Rego na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, em parceria com a Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. Finaliza a 1 de Abril de 2012. Nesta exposição encontram-se reunidas obras criadas, pela artista, entre 1988 e 2010. As que, de certa forma, mais contribuíram para o seu reconhecimento internacional.

Paula Rego, Agonia no Horto 2002, Pastel sobre papel montado em alumínio 76 x 70 cm Inv. P48 DEP. Coleção Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. fotografo@carlospombo.pt

Paula Rego (n. Lisboa, 1935) é uma das maiores e mais conceituadas pintoras portuguesas. A sua obra é autobiográfica, remete-nos para a sua infância vivida em Portugal. Embora a sua formação artística tenha sido realizada em Londres, onde reside e viveu a maior parte da sua vida, ‘o coração’ da sua pintura está em Portugal. Como tão bem interpretou Agustina Bessa Luís: “(…) Os quadros  de Paula Rego são histórias. As histórias de Poe seriam ideais para Paula Rego, até porque a sua indefinição sexual adoçava o histrionismo dos personagens que, no entanto, não são figuras cómicas. ‘Revelam, pelo contrário, uma seriedade mortal’, como muito bem observa Ruth Rosengarten, a pintora que se debruçou, exaustivamente sobre Paula Rego.(…) A arte de Paula Rego é duma riqueza psicológica extraordinária. Enquanto que Cézanne era um prosador a quem a imaginação estorva, Paula tem uma garra que nos deixa inquietos. As mulheres não exprimem desejo nem sofrimento. Têm momentos de repouso, como aquela que está à janela com a mão indolentemente cruzada no rosto, cuja expressão não se vê. Não é melancolia, é pura indiferença. A mulher que trabalha não tem sentimentos fúteis, tem paixões, esplendores do coração; e logo corre a brunir uma camisa ou a esfregar uma escada. (…) A vida desta mulher, Paula Rego, é feita de sobressaltos que ela acalma com um comportamento banal. Está sozinha. sem irmãos ou irmã, e entende-se com a solidão como se fosse uma carreira, uma disciplina na escola. É uma menina que não se deixa conhecer e que inspira mais desagrado do que amor. (…) O melhor dos artista é a dissimulação que eles oferecem ao mundo. Quando dizem azul é vermelho. Quando desenham nus estão frios como gelo e não correspondem ao que sentem.Agustina Bessa Luís

Paula Rego. The Pillowman 2004. Pastel sobre papel montado em alumínio. Coleção Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. fotografo@carlospombo.pt

Paula Rego. Amor 1995. Pastel sobre papel montado em alumínio 120 x 160 cm Inv. P44 DEP. © Coleção Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. fotografo@carlospombo.pt

Paula Rego. O Anjo, 1998. © Coleção Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. fotografo@carlospombo.pt

Paula Rego. Entre Mulheres 1997. Pastel sobre papel montado em alumínio 170 x 130 cm Série Padre Amaro Inv. P45 DEP. © Coleção Fundação Paula Rego/ Casa das Histórias. fotografo@carlospombo.pt

(C) Fotografias cortesia: artista e Casa das Histórias/ Paula Rego. Texto: excertos do livro “As Meninas” Paula Rego de Agustina Bessa Luís, editora Guerra e Paz.

Outros estudos sobre a obra de Paula Rego, ver: Ruth Rosengarten

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