Pires Vieira: Une Image peut en Cacher une Autre

13 Fevereiro – 28 Março, 2015

bulthaup Chiado (Lisboa)

Um projecto: Ocupart

“Une image peut en cacher une autre” é uma série de pinturas a óleo sobre papel, realizada no ano de 2011 e apresentada, parcialmente, na Fundação Carmona e Costa em Junho de 2014, no âmbito da exposição antológica em parceria com o MNAC – Museu do Chiado. A maior parte das obras será agora apresentada ao público pela primeira vez.

A série, constituída por 33 pinturas do mesmo formato (70 x 100 cm), utilizando tinta de óleo e grafite, ou nalguns casos o alcatrão, caracteriza-se fundamentalmente por uma pintura facilmente identificável com paisagens de cores fortes e contrastantes, rasgadas por incisões rigorosas na matéria pictórica: formas geométricas ou traços que se entrecruzam com rigor, revelando um negro de grafite, que aparentemente se escondia por detrás, ou por baixo, da cor.

“É curioso verificar que esta produção recente tem privilegiado o papel como suporte, e a tinta a óleo como matéria de expressão, uma conjugação menos usual, mas que responde aos requisitos do artista para a produção em série. Uma tinta de elevada plasticidade e um suporte suficientemente resistente, de disponibilidade imediata, permitem dar sequência rápida à fluidez das ideias, das indagações a explorar. O formato adoptado é rectangular, de dimensão considerável (a grande maioria de 70 x 100 cm).

Ate à data, Pires Vieira produziu quatro séries diferentes: Polígonos irregulares sobre um tema de Monet, realizada na passagem de décadas, 2009/2011, Une image peut en cacher une autre, de 2011, Ensaios para a definição do real, de 2012 e o último trabalho, Who is afraid of…. Em comum partilham uma pintura que estabelece uma simbiose entre o cromatismo impressionista de Monet e a plasticidade expressionista da matéria, trabalhado pela mão do artista, à espátula. São pinturas de paisagens que o artista interpela com elementos geométricos monocromáticos. Não temos dúvida que é uma paisagem, percebemos que os jardins de Monet estão presentes, mas não conseguimos aceder à totalidade da pintura alegre e colorida. Impõem-se sobre ela grandes polígonos pretos irregulares, quadrados e rectângulos, barras soltas que ocultam a imagem. (…)

Destas séries deriva um trabalho exaustivo de variações, obsessivo no processo de criação, que resulta numa profusão de abordagens e propostas. (…) Pires Vieira continua a desenvolver um trabalho de serialização, o diálogo entre processos para afirmação da pintura e a pesquisa de novos caminhos de libertação, ao mesmo tempo que explora a diferenciação como elemento valorativo da obra de arte, sem medo de acrescentar novas questões às questões que vai resolvendo ou acumulando em permanente dialéctica.”

Adelaide Ginga (1)


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Pires Vieira

bulthaup Chiado

Pires Vieira: Exposição “faites vos jeux, rien ne va plus” na Sala do Veado

Pires Vieira: Exposição Antológica ” Da Pintura à Pintura” no Museu do Chiado


Pires Vieira (Porto, 1950) estudou na Escola de Belas Artes de Paris e na Universidade de Paris VIII, no início dos anos 70. Vive e trabalha no Estoril. Expôs, individualmente, em cerca de 43 ocasiões e participou em 70 exposições colectivas. De entre as suas exposições individuais destacam-se: “Antológica: Da Pintura à Pintura” no MNAC/Chiado e na Fundação Carmona e Costa; “Faites vos Jeux, Rien ne va Plus“, na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural; “…Like a Painting-Up Close… It is a Big Mess”, na Appleton Square em Lisboa; “Pires Vieira”, no Pavilhão Branco do Museu da Cidade; “Talk to me”, no CAM – Fundação Calouste Gulbenkian. Das colectivas em que participou destacam-se: “Histórias: Obras da Colecção de Serralves”, Museu de Serralves; “Exposição Permanente (1969/2010)”, Museu Berardo, CCB; “Um Percurso, Dois Sentidos”, no MNAC – Museu do Chiado; “Linguagem e Experiência” no Centro Cultural Palácio do Egipto, no Museu Grão Vasco e no Museu de Aveiro; Alternativa Zero, Galeria Nacional de Arte Moderna, organizada por Ernesto de Sousa. Para além da sua actividade como artista plástico, colabora na produção editorial de várias obras ligadas ao coleccionismo de arte contemporânea e comissariou, em co-autoria com Lúcia Marques, a exposição “Outras Zonas de Contacto”, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade e na Fundação Carmona e Costa. Está representado em várias colecções: CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, MNAC – Museu do Chiado, Culturgest CGD, Colecção Museu Berardo, Colecção Fundação/Museu de Serralves.


(1) Pires Vieira Antológica: Da Pintura à Pintura, MNAC, Fundação Carmona e Costa, Lisboa: 2014, p. 99 e 100

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