Hipólito de Vasco Araújo

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A Travessa da Ermida inaugura um novo ciclo de exposições em parceria com o MAP – Museu de Arte Popular, em Lisboa.

Os artistas convidados têm como objetivo estabelecer analogias e um diálogo entre a sua obra e o Museu de Arte Popular através da exploração de temáticas em torno dos conceitos de museografia, arte e artesanato, cultura popular e cultura erudita, memória histórica coletiva e pessoal, Estado Novo, entre outros. Deste modo, cada projeto apresentado terá na sua base características conceptuais e formais cuja leitura e possíveis interpretações serão em parte estruturadas pelo próprio local de exposição.

O primeiro artista convidado é Vasco Araújo, o seu trabalho será apresentado entre 2 de Novembro de 2013 e 5 de Janeiro de 2014 no MAP. 

O Hipólito de Eurípedes trata acima de tudo o tema do desejo sexual. Fedra apaixona-se perdidamente por Hipólito, seu enteado, que a rejeita por razões religiosas e narcísicas. A peça oscila entre o erotismo desmedido de Fedra e a castidade exagerada de Hipólito, num autêntico “drama de linguagem” em que impera a impossibilidade de comunicação verbal nas situações em que o tal contacto humano seria necessário, tornando-se assim a personagem feminina o vilão e a masculina o herói.

O texto que aparece no vídeo é um excerto da tragédia, apenas o texto da personagem Hipólito. O confronto entre as imagens e o texto (Monólogo/ Tragédia) provoca oscilações de carácter de cada personagem, o que vai precisamente contra as leituras direccionadas que os regimes fascistas realizaram de tragédias gregas, dando assim ao espectador a possibilidade de construir ele próprio a sua leitura.

– Vasco Araújo

+ info:

Vasco Araújo

Travessa da Ermida

Museu de Arte Popular

(c) imagem: © Vasco Araújo. Cortesia de Travessa da Ermida.

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